
D. António Moiteiro disse que a proposta surgiu na preparação do novo ano pastoral.
D. Nuno Brás considera que o relato da vida de Santa Joana é “obra maior da literatura portuguesa”.
Os serviços pastorais da Diocese de Aveiro estão a pensar em propor a todas as paróquias que tenham uma imagem de Santa Joana porque ela não é “só padroeira da cidade de Aveiro”, mas da “Diocese toda”, revelou D. António Moiteiro. Falando no início da mais recente conferência de “novos olhares” sobre a filha de D. Afonso V, na noite de 12 de abril, o Bispo de Aveiro disse que numa reunião recente de responsáveis pastorais para preparar o próximo ano se pensou na divulgação do culto de Santa Joana através de um “sinal sensível”, surgindo a ideia de todas as igrejas paroquiais terem uma imagem da princesa que escolheu Aveiro para dar seguimento à sua vocação.
Sobre o processo de canonização, D. António disse que “não está esquecido, pelo contrário”. “Temos as questões de Roma para poder ouvir algumas testemunhas”, afirmou, considerando que “hoje é mais fácil” avançar para a elaboração do “processo de virtudes”, algo fundamental que ainda está por fazer. D. António Moiteiro salientou, no entanto, que “o mais importante é aprender com ela a viver a fé cristã”.
Na conferência sobre Santa Joana, D. Nuno Brás descreveu o século XV como um século de transição da Idade Média para a Idade Moderna, por isso, de instabilidade. De certo modo, a vida de Joana, que sendo da dinastia de Avis integrava uma geração impar, significou a procura de uma nova espiritualidade, que na Europa central ficou conhecida como “devotio moderna”.
“Memorial”, obra maior
O bispo auxiliar de Lisboa, nascido a 12 de maio, dia de Santa Joana, como observou o provedor da Irmandade quando o apresentou, leu excertos do “Memorial da Princesa Santa Joana”, como aquele que diz que “a Princesa era no rosto e corpo mui aposta, a fronte mui graciosa, os olhos verdes mui fermosos, o nariz meão e de boa feição, a boca grossa e revolta. Pescoço redondo, mui fermosa garganta, as mãos mais do que se pudesse achar e ver em nenhuma outra mulher, alta e grande, de corpo direito mui aposto e airoso”, e afirmou que o “Memorial” é uma “obra maior da literatura portuguesa”. Nuno Gonçalo da Paulo, provedor da Irmandade de Santa Joana, que organiza os encontros no Museu de Aveiro, adiantou, por seu lado, que um elemento da Irmandade pôs o “Memorial” em português moderno, podendo vir a ser disponibilizado ao público numa nova edição.
J.P.F.
