Dias Positivos Não sei se o caso dos Fritzl, na Áustria, e de outros, que por arrastamento vêm à luz do dia, diz alguma coisa da natureza humana, mas mostra que a maldade (a doença?), mesmo sobre aqueles que mais deveriam ser amados (a família), atinge limites que superam a imaginação.
O isolamento de Elizabeth e dos filhos recorda experiências que Frederico II da Germânica (1197-1250), um homem culto que dizem que falava nove línguas, mandava fazer. O imperador queria saber que língua falariam as crianças ao chegarem à adolescência sem nunca terem falado com ninguém. A questão, hoje, parece absurda, mas ocupou muitas mentes durante séculos. Uns diziam que seria o hebraico, a suposta língua de Adão. Outros, que falariam o latim da Igreja, outros, a língua dos pais… Frederico ordenou às aias e amas que dessem leite às crianças, sem nunca lhes falar, como conta Salimbene de Parma. “Mas foi trabalho perdido, porque todos os meninos ou recém-nascidos morriam”, acrescenta o cronista franciscano.
Hoje sabemos que sem estímulos, carinho, amor, um recém-nascido morre. No meio escuridão da cave austríaca deve ter havido algum raio de esperança, de amor, que levou uma mãe sucessivamente violada a criar três filhos. Onde foi ela buscar essa força para não morrer de medo, de isolamento, de desespero? Mas este é um daqueles casos em que o respeito pelo sofrimento dos outros impõe silêncio.
J.P.F.
