Reflexão Toda a Aveiro acordou sobressaltada perante a notícia tão trágica que dava conta da morte de um bebé em condições dificilmente explicáveis. E, à medida que as perguntas se sucediam de todos os lados motivadas pela curiosidade do caso em si mesmo, pela lamentação daquela família ou até pelo repúdio de tal acto, as respostas iam escasseando e caindo naquele torpor que vai da pena ao destino sem deixar de passar pelo sentimento de derrota ou impotência perante facto tão duro e tão rápido a cair no seio daquela família.
Não conheço os pais do bebé nem sei se partilham da minha fé, mas isso, neste momento não ilude a pergunta que saltou e salta desde essa altura: Afinal o que é que a minha fé acrescenta às respostas dadas ou – o que é equivalente – que novidade traz Jesus Cristo para uma ocasião como esta? E a resposta veio-me das leituras deste Domingo, particularmente da pena do Apóstolo João. Tudo se passa pela curiosidade de alguns (gentios) em verem Jesus. Não é de todo credível que tal curiosidade lhes tenha sido satisfeita, mas Jesus, sabendo desse desejo, aproveita para fazer a Sua apresentação: se estão à espera de um Jesus aclamado por todos, interessado em manter o seu clube de fãs, que faz prodígios de equilíbrio para não desagradar a ninguém… não é ali que se encontra, nem é esse o Jesus de Nazaré. Ali aparece um Jesus consciente da hora dramática que se está a aproximar, do abandono de todos, a hora da cruz que O levará a calcorrear as ruas da cidade até ao Calvário, até à morte violenta, dura e cruel. É essa a hora da verdade, mas é esse também o Jesus, consciente da sua missão, porque sabe que daquela cruz brotará uma árvore de vida nova e recolocará o paraíso no caminho dos homens.
Mas isso tem um preço que os discípulos e os pais de todos tempos têm (temos) de aprender e que a natureza nos ensina: “Se o grão de trigo cair na terra e não morrer fica só ele, mas se morrer dá muito fruto!”
Suprema lição e convite contínuo a libertarmo-nos de um egoísmo que tantas vezes nos tolhe a vida para nos entusiasmar num caminho de procura e liberdade onde quem der a própria vida pelos outros, esse dará frutos de vida nova… que nem a morte calará.
P.e Manuel J. Rocha
