Viva, Aveiro!

Colaboração dos Leitores Aveiro é fruto de um longo amor que o Atlântico foi entretecendo no decurso de séculos com as terras do Vouga. Aqui o mar decidiu deixar-se abraçar por restringas de areia e quedar-se em calmas águas duma Ria de sonho.

Já são poucos os moliceiros a sulcar as suas cales e esteiros. Mas eles continuam a constituir o sinal emblemático duma região com as suas velas enfunadas por nortadas de vida.

Já também são poucos os montes de sal a recortar horizontes sem fim de marinhas que foram de suaves neblinas matinais ou de poentes de arrebatamento.

E, contudo, Aveiro continua profundamente ligada afectivamente à indústria do salgado. Aveiro é isso mesmo: um passado feito de mar com pés bem assentes na terra que os homens foram sabendo recriar, acompanhando os sinais e os ritmos de cada tempo.

A cidade que converteu as suas muralhas para garantir a reabertura do seu porto de mar, verdadeiro termómetro secular do devir duma urbe, é terra com saudades do futuro.

Aveiro é uma cidade milenária com memória bem viva do seu cosmopolitismo quinhentista. Cosmopolitismo que se está a recuperar decididamente : com a afirmação do seu porto de mar – uma verdadeira porta da Europa; com o crescente prestigio da sua universidade que desfruta dum “Campus” constituído por peças das mais representativas da arquitectura contemporânea portuguesa; com uma indústria diversificada e dinâmica, na qual a histórica cerâmica regional continua a ter peso significativo.

Aveiro é uma cidade com memória.

Mas com saudade de futuro. Um futuro risonho e fecundo que merece por força do povo aveirense, nado ou aqui voluntária e apaixonadamente radicado. Um povo a quem tudo se deve, pelo seu empenho, pelo seu dinamismo, pela sua coragem, pela sua vivência solidária e democrática e sobretudo, pela sua extraordinária devoção e carinho para a sua Padroeira Santa Joana Princesa, a Menina querida de Aveiro, e a quem Aveiro tanto deve.

Viva, Aveiro!

Basílio de Oliveira