Realizou-se nos dias 17 e 18 de Dezembro de 2011 o ENFA «Encontro Nacional de Formação de Acompanhantes» na casa das Irmãs de S. José de Cluny, em Torres Novas.
Esta formação tinha dois objetivos:
1. Pôr em comum as dificuldades em lidar com as crianças e os adolescentes, partilhar experiências e descobrir técnicas para melhor poder trabalhar com os grupos. Para dinamizar este dia contámos com a presença do Avelino Pinto (Sábado).
2. Perceber a importância da Oração na nossa vida. Para animar e aprofundar este tema, tivemos connosco o assistente nacional, Pe. Emanuel Valadão (Domingo).
Com a presença de 30 acompanhantes vindos das várias dioceses; Lisboa, Setúbal, Porto, Santarém, Braga, Coimbra e Aveiro começamos com uma bonita oração da manhã preparada pela diocese do Porto e depois de uma breve apresentação para nos sentirmos ainda mais à vontade, demos início à formação.
Começamos por apresentar as nossas expectativas para este encontro:
Estar uns com os outros, partilhar experiências, descobrir técnicas e dinâmicas para nos ajudar a lidar com a desmotivação, perceber a fronteira do razoável e aceitável, como cativar os adolescentes, como lidar com comportamentos mais desviantes.
Através de um jogo com fotos de pessoas que por variadas razões se destacaram no mundo (Luther King, Nelson Mandela, Dalai Lama, Teresa de Calcutá, Bill Gates, etc.), descobrimos em cada personalidade a garra com que se empenharam em fazer algo de bom por si e pelos outros. Apesar das dificuldades, do contexto social, político, ou religioso, do sofrimento e incompreensões por que passaram para atingir os objetivos a que se propuseram.
O MAAC é um Movimento que oferece instrumentos para viver a vida com o que de melhor ela tem. Faz-nos sonhar, acreditar que o pouco que fazemos pode ser muito importante na transformação de cada um de nós e da sociedade.
Começamos por perceber a força das três palavrs mágicas;
Ver – neste mundo cheio de conflitos qual é o meu papel?
Julgar – apreciar, valorizar
Agir – transformar/ revolucionar
Neste mundo de irracionalidades, há janelas de oportunidades, há esperança de uma vida diferente, há desafios que nos são lançados e que nós livremente podemos escolher.
Como acompanhante, que oportunidade e que desafio me é lançado ao trabalhar com o melhor do mundo que são as crianças e os adolescentes de hoje?
«Podemos optar por ter muito dinheiro e gozar a vida, criticar tudo e todos sem nada fazer ou com o pouco que temos podemos cooperar e fazer um mundo diferente pela aceitação do outro como ele é e não como eu quero que ele seja, pela diversidade e complementaridade construtiva, alicerçada nos grandes valores humanos e cristãos, são eles o motor interior que nos impulsionam a envolver-nos numa participação ativa organizada com as crianças e adolescentes como cidadãos e como cristãos ».
Se temos crianças /adolescentes agressivos, com comportamentos que achamos inapropriados, temos de saber interpretar essas atitudes, acolher com ternura, desenvolver o efeito surpresa, ouvi-los, valorizar as suas opiniões. Temos de estar atentos a todas as crianças, mas nem tão perto que os possamos sufocar, isto é impedindo-os de serem eles próprios, nem tão longe que pareça não ligar, permitindo tudo. Intervir delicadamente numa conversa a sós, por vezes através de um filme, uma dança que os cative, uma música com mensagem apropriada à situação, convidar alguém que viveu uma experiência semelhante, etc. pode ajudar a mudar comportamentos e o ambiente vivido no grupo pode ser transformador.
Descobrimos que como acompanhantes precisamos de desenvolver alguns dos muitos talentos que existem dentro de nós;
- Visão (como o sonho, a paixão que me move)
- Alegria (boa disposição, positividade)
- Comunicação compreensiva e objetiva (sem divagar)
- Criar empatia (ser acolhedor)
- Construir e sustentar a equipa (ser persistente contra ventos e marés)
- Saber apreciar e valorizar (por mais simples que seja o gesto ou a palavra).
O MAAC é uma rampa de lançamento para a felicidade. As experiências vividas em grupo são muito enriquecedoras, muitas delas envolvem também outras pessoas da sociedade nas ações concretas que são desenvolvidas pelas crianças e acompanhantes.
Após o jantar tivemos a noite cultural animada pela diocese de Santarém que nos proporcionou um excelente momento de convívio e de amizade.
No domingo refletimos sobre o sentido da oração na nossa vida.
Iniciamos com uma oração muito marcada pelo silêncio, quebrado apenas por pequenas frases bíblicas que nos despertou vários sentimentos. Na partilha do que sentimos foi rica a diversidade de sentimentos:
A alegria de poder desfrutar desta paragem do corre corre da vida, a descoberta da paz interior, agradecer o fato de estar vivo, poder ouvir-me a mim próprio, a dificuldade de concentração provocada pelas preocupações da vida, oportunidade de ouvir os nossos barulhos interiores, etc.
Descobrimos que a oração não tem que ser formal, basta que esta promova o encontro com Deus.
Quando fazemos silêncio para escutar, despertamos para apreciar ou descobrir o que noutros momentos não conseguimos. Sabemos que há silêncios que são vazios, outros são enriquecedores. Usando frases bíblicas ainda que curtas como por exemplo: «falai Senhor que o vosso serve escuta / Jesus ensina-me a rezar», ajuda à interiorização e ao encontro com Deus.
A oração é vital na vida de um cristão, é como que um termómetro de felicidade, é um espaço privilegiado de diálogo entre o homem e Deus que pode acontecer no silêncio, num encontro com um amigo, no olhar de uma criança, nas dificuldades no meu grupo, na contemplação da natureza, numa oração espontânea feita com palavras nossas, etc.
Sempre que paramos e nos disponibilizamos para este encontro com Deus descobrimos coisas extraordinárias de alegria, dificuldades e convicções.
Precisamos deste tempo de escuta / paragem para nos encontrarmos com Deus, saber o que Ele quer de nós, pedir discernimento.
Toda a nossa vida é um dom Deus, devemos pôr na oração o melhor e o pior da nossa vida.
Não há locais, nem uma forma definida de oração mas Jesus sempre que precisava de tomar decisões importantes ou difíceis procurava lugares solitários como a montanha e o deserto fazendo-nos crer que no silêncio temos mais facilidade de ouvir e falar com Deus.
A escuta Deus não é fugir da vida, mas no silêncio descobrir formas de suavizar e interpretar os problemas da vida.
Podemos orar a partir do nosso caderno de vida.
Ao preparar uma oração, devemos ter em conta, o contexto, a diversidade de pessoas, etc. Devemos ser nós próprios a escolher o texto bíblico mais adequado.
Propor às crianças que orem com as suas palavras e gestos, construir orações com elas, valorizar e registar orações que as crianças sabem, que aprenderam com os pais, os avós, na catequese, etc. Podemos criar um livro de oração feito pelas crianças.
Este tempo de formação terminou com a celebração eucarística, com o compromisso dos acompanhantes presentes a contar aos outros, que pelas variados razões não puderam participar, a riqueza vivida em conhecimento e em amizade durante este fim de semana.
Manela Leal