Associação qua apoia grávidas em dificuldade inaugurou sede no mercado de Santiago

Ao passar um ano após o referendo que liberalizou o aborto, a Associação de Defesa e Apoio à Vida inaugurou a sede. Fica no primeiro andar do Mercado Municipal de Santiago, em Aveiro

A ADAV (Associação de Defesa e Apoio à Vida) tem desde segunda-feira, 11 de Fevereiro, uma nova sede. O espaço terá atendimento diário, entre as 9h30 e as 11h30, situando-se no primeiro andar do Mercado Municipal de Santiago, em Aveiro.

Na abertura da sede estiveram presentes os órgãos directivos desta associação bem como o presidente da Câmara Municipal e alguns vereadores, o Governador Civil, o Bispo de Aveiro e a presidente da Federação Portuguesa pela Vida, além de diversos associados e simpatizantes.

Rogério Leitão, anterior presidente da direcção da ADAV e actual presidente do Conselho Geral, realçou que a associação, surgida em Julho de 2000, na sequência do primeiro referendo ao aborto (1998), é um sinal de que os “cidadãos não podem confiar apenas nos poderes públicos para resolver as suas dificuldades”.

Amândio Albuquerque, actual presidente, sublinhou as duas grandes obras da ADAV: o Projecto Nascer, que através de uma linha telefónica (234 42 40 40) e do serviço de médicos, psicólogos e juristas apoia grávidas em risco, por vezes também fornecendo alimentos (através do Banco Alimentar) ou fraldas às mães com dificuldades económicas; e o Projecto Crescer, que promove a formação de alunos, pais e professores na linha da defesa da vida. O médico agradeceu o apoio da Câmara e da Freguesia da Glória e revelou que gostaria de ter uma pessoa, “com atenção e sensibilidade adequadas”, a trabalhar a tempo inteiro na associação que dirige.

“Portugal não está em paz”

A Isilda Pegado coube a intervenção mais dura do fim de tarde. A presidente da Federação Portuguesa Pela Vida defendeu que “é preciso revogar a lei do aborto”. “Portugal não está em paz com esta lei”, disse, apontando os motivos: há um ano o nosso país tinha a mais baixa taxa de aborto da Europa, enquanto agora o número de abortos aumenta (de 8 mil para 12 mil por ano); por outro lado, mesmo muitos dos que votaram sim no referendo não se revêm nesta lei – não era desta liberalização que estavam à espera; também os médicos e enfermeiros não concordam com a lei, como provam os 80% de profissionais que são objectores de consciência; finalmente, aumentam os casos de complicações pós-aborto que chegam às instituições de defesa da vida. A vitória do sim no referendo de 11 de Fevereiro de 2007 foi representa “uma página negra na história dos Direitos Humanos em Portugal”, afirmou.

Élio Maia notou que, enquanto presidente da Câmara (de Aveiro), se preocupa muito com as “pedras mortas ao tapar buracos nas ruas ou construindo casas” e que é necessário que instituições como a ADAV se preocupem com as “pedras vivas” que são as pessoas. Parafraseando Kennedy, afirmou: “Não pergunte-mos o que é que o Estado pode fa-zer por nós ou os outros podem fazer por nós; mas antes o que é que eu posso fazer pelos outros”, para concluir a seguir: “O êxito da ADAV será um êxito nosso enquanto comunidade”.

D. António Francisco, acentuando o respeito pela “aconfessionalidade da instituição” (a ADAV não é católica, reunindo e estando aberta a diferentes credos ou tendências políticas), congratulou-se com a “porta aberta no coração da cidade” e afirmou que a defesa do “valor sagrado da vida é de toda a comunidade”. “Se a causa da vida não no une, o que é que há-de unir?”, perguntou.

Encerrando as intervenções, Filipe Neto Brandão notou que não era altura da “reedição da discussão do aborto”, tanto mais que o referendo significou o reconhecimento de que “a criminalização não era e melhor forma de resolver um problema”. O Governador Civil, preferiu, então, prestar “sentido reconhecimento pela acção da ADAV”. “A vossa participação cívica é um exemplo. Urge combater a anemia e o relativismo”, disse.