É difícil crer sozinhos

Avaliação do desempenho das Oficinas de Oração e Vida na Diocese de Aveiro.

 

No 1.º semestre de 2015 concluíram-se 19 Oficinas de Oração e Vida na Diocese de Aveiro. Feita a avaliação aos oficinistas participantes, conclui-se que esta evangelização foi uma mais valia nas suas vidas. Mais valia porque lhes trouxe mais compreensão nas relações de trabalho e familiares, mais serenidade, mais aceitação das adversidades, mais confiança nos momentos de tribulação e sobretudo por sentirem que “a verdadeira felicidade é deleitar-se em Deus, é alegrar-se com o sorriso de Deus, é beber dos rios de Seus prazeres” (Sl 36,8).
Neste 1.º semestre, as Oficinas funcionaram em Mataduços, Esgueira, Taboeira, Azurva, Aveiro, Barra, S. Bernardo, Trofa (Águeda), Cacia, Fermentelos e Alquerubim.
As pessoas que frequentaram as Oficinas de Oração e vida podem, hoje, falar sobre a Igreja como José Luis Martins Descalzo no seu livro “Razões para o amor”: «Quando subo num comboio lembro-me sempre de que a história dos caminhos de ferro está cheia de acidentes. Mas nem por isso deixo de usá-los para me deslocar. “A igreja – dizia Bernanos – é como uma companhia de transportes que, há dois mil anos, transporta os homens da terra para o céu”».
Na linha de pensamento deste autor, os oficinistas. depois de experienciarem uma verdadeira relação com Cristo, sentem-se mais responsáveis pela sua Igreja, tornando-se membros mais ativos dentro dela, porque tomam consciência que Deus os chama independentemente das suas fragilidades humanas. Acabam por perceber que a mediocridade da Igreja se deve ao facto de ela ser constituída por todos nós, medíocres criaturas. Gradualmente, com a participação nas Oficinas, os oficinistas deixam de lançar tantas críticas à Igreja para as lançarem sobre si próprios. Capazes e mais humildes para a autocrítica, tornam-se fiéis responsáveis, conscientes e disponíveis para tornarem a sua Igreja a casa de todos.
As Oficinas efetuam-se consoante os grupos que surgem, podendo realizar-se à noite ou de dia. À noite, normalmente, são frequentadas pelas pessoas que trabalham de dia.
As Oficinas de Oração e Vida são um método de evangelização posto em prática pelo seu fundador Ignacio Larrañaga, em 1984, que, verificando os resultados eficientes que este método exercia sobre as pessoas, procurou difundi-lo. Procurou formar guias que manifestassem carisma, habilitava-os em conhecimentos, e assim se foi espalhando a referida filosofia. As Oficinas estão implantadas em todo o mundo. É um método de oração baseado essencialmente na Palavra de Deus, procurando que ela transforme verdadeiramente a vida de cada um, porque a oração tem que desafiar a vida e a vida, por sua vez, a oração; e ambas têm que se purificar mutuamente.
Esta formação cristã tem por objetivo principal a formação dos fiéis da nossa Igreja para se obter uma crescente e sólida formação de pessoas maduras na fé.

A Oficina é:
• Uma escola de Oração: que visa a aprendizagem, o aprofundamento na arte de orar com um caráter experimental e prático, desde os primeiros passos até às alturas da contemplação.
• É uma escola de vida: onde o participante vai superando passo a passo o mundo interior de angústia e tristezas e inundando-se de paz, tornando-se cada vez mais humilde, sensível, misericordioso, com o programa: que faria Jesus no meu lugar?
• Uma escola apostólica: cujo objetivo é fazer da Oficina um viveiro de vocações apostólicas e, de facto, a Oficina consegue transformar muitos participantes em três dimensões: com Deus, consigo mesmo e com os outros.” In Transfiguração, de Frei Igancio Larrañaga.
As Oficinas de Oração e Vida na Diocese de Aveiro têm 17 guias ativos e dois eméritos. Os guias, mestres de oração e não teólogos, procuram levar esta metodologia aos locais onde as paróquias ou grupos de fiéis o solicitam.
Quando nos grupos das Oficinas se destacam alguns oficinistas pelos seus carismas, sua caminhada na Fé, mas sobretudo no grande Amor por Jesus, são convidados ou eles próprios se sentem desafiados para esta missão e ingressam na Escola de Guias, que funciona na Paróquia da Glória. Aí, acompanhados por duas Guias formadoras, fazem o seu aperfeiçoamento durante um ano e meio com uma sessão por semana. Nesta formação favorece-se a vida de fé do futuro Guia, a sua comunhão com Jesus Cristo, a sua formação integral como pessoa de modo a poder responder aos anseios de tantos corações humanos sedentos de Deus.
Termino com o título deste artigo, “É difícil crer sozinhos”, citando Bento XVI e Francisco na carta encíclica sobre a fé (“Lumen Fidei”, 37): “A fé transmite-se por assim dizer sob a forma de contacto, de pessoa a pessoa, como uma chama se acende noutra chama”.
Em setembro, reiniciam as Oficinas de Oração e Vida em Aveiro, abertas a quem desejar participar. Contactos: 234421335/ 969775632.
Maria de Fátima Gonçalves
Coordenadora da Oficina Oração e Vida