Guerra fria e grão de mostarda

M. Oliveira de Sousa Professor

M. Oliveira de Sousa
Professor

A visita de um Presidente, seja de que país for e aonde for, normalmente é um feito circunstancial; raramente é notícia. Insere-se naqueles episódios de rotina jornalística que, apesar de serem factos – alvos preferências para serem noticiados – que, depois de ponderado no “crivo” dos “newsmaking” (os valores/notícia), fica pelo rodapé interior e não será “caixa alta”.
A vida do mundo passa, por esta via dos “newsmaking” e outras técnicas e critérios editoriais, diretamente para os Arquivos (da história). Na prática as formas complementares na seleção e escolha dos acontecimentos a transformar em notícias, são diferentes combinações que ocorrem entre diferentes valores/notícias que recomendam a seleção de um facto. Um outro aspeto é que os valores/notícia são critérios de relevância e que estão espalhados por todo o processo de produção desde a seleção até ao produto final. Este valores/notícia funcionam como linhas guia e sugerindo em todo o processo que deve ser realçado e o que dever ser omitido e o que dever ser prioritário na preparação das notícias a apresentar em público.
Quando vemos a Visita do Papa ser um fenómeno mediático global percebemos, não só mas também pela reflexão anterior, quanto impacto é esperado dos gestos e palavras proferidas ou a proferir! O mesmo se dirá pelo que aconteceu em Cuba nesta nova primavera (a de 2016!), mas algum ocaso/outono da denominada Guerra Fria.
O processo de reatação de relações entre os Estados Unidos da América e Cuba é um facto (moroso) que se saúda e com algum entusiasmo, como são todos os outros que aproximam os povos na resolução dos problemas reais de cada pessoa.
No meio de todos os sinais de vontade de encerrar estas fronteiras que, como referíamos na semana passada, tantas vezes começam do nada, merece realce o que, apesar dos sinais de orgulho falacioso, de tentativa de estivar a corda para um dos lados, foi notório nos pequenos gestos.
Enquanto um Presidente não se deixa demover pela importância do momento histórico (Obama é recebido pelo Ministro de Negócios Estrangeiros de Cuba e não vacila perante a deselegância de não ser recebido pelo seu par) é criticado por um putativo candidato ao mesmo “deveria dar meia volta e regressar aos Estados Unidos” – diria Trump em campanha!
O orgulho bacoco, patético, pode ser o paradoxo do “grão de mostarda”! Um e outro podem mover montanhas!