
O escutismo da Região de Aveiro vai a eleições no domingo, 19 de outubro. Em causa está a escolha da Junta Regional e do Conselho Fiscal e Jurisdicional do Corpo Nacional de Escutas para servir uma região com mais de três mil escuteiros. Presidida pelo chefe regional, a Junta Regional é o órgão coordenador do escutismo na área correspondente à Diocese de Aveiro. Tem como funções, entre outras, formar dirigentes escutistas, dinamizar atividades para toda a região, como o acampamento regional (“Acareg”) ou “dia do patrono S. Jorge”, gerir a sede regional e promover e acompanhar a criação de agrupamentos. Às eleições de domingo concorre apenas uma lista, encabeçada por José Carlos Santos, a quem o Correio do Vouga colocou algumas perguntas.
Correio do Vouga – A sua lista tem anunciado como slogan da candidatura, “uma nova maré de escutismo com sal”. O que querem dizer com este slogan, que retoma a expressão “escutismo com sal”, muito usada pelo anterior chefe regional?
José Carlos Santos – De facto, o conceito “escutismo com sal” é uma frase icónica do escutismo de Aveiro com a qual nos identificamos e que não queremos deixar cair pelo seu significado, pelo seu alcance. De forma simbólica, queremos dizer que as coisas sem sal, sem tempero, amorfas, acomodadas, fáceis, são muitas vezes descartáveis, imediatistas, que não trazem nada de novo, de compensador, ao caminho.
Nós queremos sempre, de facto, um escutismo com sal na nossa região. Certamente que esta equipa candidata terá, em algumas das áreas uma outra visão, é incontornável… Somos diferentes e é dessa forma que será certamente uma nova maré.
A “nova maré” traduz-se em que objetivos para os próximos três anos?
Estando a ser implementado um novo programa educativo, assim como novas propostas na área da formação, estas serão duas das prioridades, porque as reputamos de fundamental importância.
A expansão do movimento pela nossa região também é um assunto que estará sempre na ordem de trabalhos. A promoção e o apoio de eventos regionais perspetivando não só perceber o pulsar da região mas também criar oportunidades de partilha e de vivências do “sentido de corpo” estarão também sempre no nosso horizonte, e depois, evidentemente a nossa sede regional.
Que novidades ou mudanças pode esperar a região nos próximo tempos?
Neste momento, é extemporâneo concretizar ações específicas ou indicar mudanças de rumo significativas. Estamos a preparar aquele que será o documento orientador para a ação desta Junta Regional. Já tivemos o cuidado de estar com o nosso Bispo e com ele partilhar algumas das ideias que temos para a Região em diversas áreas e que serão vertidas num futuro plano regional.
Além de trabalharmos na questão da formação e nos recursos adultos, queremos alavancar outras áreas como o ambiente, a proteção civil, a rádio-escutismo, etc.
Como avalia o “estado de alma” do escutismo na Região?
O escutismo na nossa Região está bom de saúde e recomenda-se. Os sinais estão bem patentes de várias maneiras: desde o efetivo a crescer, conforme o censos de 2014, sinal de que, de facto, continuamos a ter respostas para quem nos procura, até aos eventos de alcance regional como o nosso Acareg deste ano, com perto de 2000 escuteiros, e mesmo o nosso ERCA, que decorreu a semana passada na Branca e que reuniu cerca de 180 caminheiros [ver notícia nesta página]. Seguramente, não iremos “dormir” à sombra destes números. Há sempre trabalho para fazer, novos trilhos para percorrer.
Como está a construção da sede da Junta Regional? Quando começam a “habitá-la”?
Será, como já referimos, um dos nossos principais objetivos. Uma das prioridades a curto prazo será fechar a obra e acabá-la pelo menos por fora, para depois começarmos os trabalhos de acabamentos interiores. Evidentemente, há que reunir as condições necessárias para atingirmos este desiderato. É importante lembrar que estamos neste momento em período pré-eleitoral e só depois, obviamente, se a região acolher a nossa candidatura, iremos começar a inteirar-nos do ponto de situação deste e de outros projetos. Penso que está a ser feito um excelente trabalho pela Patrulha da Sede, como está espelhado na obra que já todos podemos ver [no Bairro de Santiago, Aveiro].
Quantos agrupamentos estão agora em formação na Região?
Neste momento temos 46 agrupamentos na Região, dos quais dois estão em formação, um em Silva Escura (Sever do Vouga) e outro em Oliveira do Bairro.
Está a ser feito um trabalho intenso na expansão regional do movimento. Iremos seguramente prosseguir com esse esforço e com os critérios que têm sido seguidos, nomeadamente a aferição prévia das condições para abrir um novo agrupamento, percebendo se as circunstâncias nos dizem se é útil e se é exequível a sua criação.
José Carlos Santos
Natural de Travassô (Águeda), 52 anos, José Carlos Santos é empresário e mediador de seguros. Entrou para o escutismo há 22 anos, sendo atualmente chefe do Agrupamento 141 – Águeda.
Exerceu vários cargos a nível regional e nacional: foi responsável pelo departamento nacional da IV secção (caminheiros), chefe do contingente português ao Paris D’Avenir, chefe da equipa pedagógica Mundo Melhor. Atualmente é também responsável pelo Centro Nacional de Formação Ambiental de S. Jacinto.

