Palavras de Bento XVI

“Faço minhas as palavras escritas pelo meu venerável predecessor por ocasião dos 60 anos da libertação de Auschwitz e digo também eu: inclino a cabeça diante de todos aqueles que experimentaram esta manifestação de iniquidade. Os acontecimentos terríveis de então devem continuamente despertar as consciências, iluminar os conflitos e exortar à paz”.

Na Sinagoga de Colónia, referindo-se ao Holocausto, “crime inaudito e até aí inimaginável”

“O fenómeno do terrorismo, que semeia morte e destruição, deixa muitos irmãos e irmãs no pranto e no desespero. Os que pensam e programam estes atentados demonstram querer envenenar as nossas relações, recorrendo a todos os meios, até mesmo à religião, para se oporem aos esforços de convivência pacífica, leal e serena”

No encontro com líderes de algumas comunidades muçulmanas

“Fazendo do pão o seu Corpo e do vinho o seu Sangue, Ele antecipa sua morte, aceita-a no mais íntimo e transforma-a numa acção de amor. O que pelo exterior é violência bru-tal, transforma-se, a partir do interior, num acto de amor que se entrega totalmente. (…) A violência transforma-se em amor e, portanto, a morte em vida. (…) A morte ficou, por assim dizer, profundamente ferida, ao ponto de, de agora em diante, não pode ser a última palavra. Esta é, para usar uma imagem muito conhecida por nós, a fusão nuclear ocorrida no mais íntimo do ser, a vitória do amor sobre o ódio, a vitória do amor sobre a morte. Somente esta íntima explosão do bem que vence o mal pode suscitar depois a cadeia de transformações que pouco a pouco mudará o mundo”.

“É bonito que hoje, em muitas culturas, o domingo seja um dia livre ou, juntamente com o sábado, constitua o denominado «fim-de-semana» livre. Mas este tempo livre permanece vazio, se nele não está Deus. Queridos amigos! Às vezes, em princípio, pode resultar incómodo ter que programar no domingo também a Missa. Mas se vos empenhardes, constatareis mais tarde que é exactamente isto o que dá sentido ao tempo livre. Não vos deixeis dissuadir de participar na Eucaristia dominical e ajudai também os demais a descobri-la”.

“[Para alguns] a religião converte-se quase num produto de consumo. Escolhe-se aquilo que apraz, e alguns sabem também tirar proveito. Mas a religião procurada à «medida de cada um», a granel, não nos ajuda. É cómoda; mas, no momento de crises, abandona-nos à nossa sorte. Ajudai os homens a descobrir a verdadeira estrela que indica o caminho: Jesus Cristo! Procuremos nós mesmos conhecê-lo sempre melhor, para poder guiar também, de modo convincente, os demais para Ele”.

“Existem hoje formas de voluntariado, modelos de serviço mútuo, dos quais justamente a nossa sociedade tem necessidade urgente. Não devemos, por exemplo, abandonar os anciãos à sua solidão, não devemos passar ao lado dos que sofrem. Se pensamos e vivemos em virtude da comunhão com Cristo, então abrem-se-nos os olhos. Então não nos adaptaremos mais a seguir vivendo preocupados somente por nós mesmos, mas veremos onde e como somos necessários”.

“Eu sei que vós, como jovens, aspirais a coisas grandes, que quereis comprometer-vos por um mundo melhor. Demonstrai aos homens, demonstrai ao mundo, que espera exactamente este testemunho dos discípulos de Jesus, e que, sobretudo mediante vosso amor, poderá descobrir a estrela que como crentes seguimos”.

Da homilia, na Missa de encerramento da JMJ

“Os jovens são para nós uma provocação saudável, porque nos pedem que sejamos coerentes, unidos, intrépidos. [É necessário] encontrar novas vias para chegar aos jovens e para lhes anunciar Cristo”

No encontro com os bispos alemães

“Os jovens de todos os continentes e culturas fizeram visível uma Igreja jovem, que, com imaginação e valentia, quer esculpir o rosto de uma humanidade mais justa e solidária(…). Agora regressam aos seus povos e cidades para testemunhar a luz, a beleza e o vigor do Evangelho, do qual fizeram uma renovada experiência”

Na despedida, no aeroporto de Colónia

“Agradeço a Deus pelo dom desta peregrinação, da qual conservarei uma querida lembrança. Todos experimentámos que era um dom de Deus. Certamente muitos colaboraram, mas no final a graça deste encontro era um dom do Alto, do Senhor”.

Bento XVI, na audiência de 24 de Agosto