Primeiro é preciso desaprender a visitar doentes

A VISITA AO DOENTE. Boas e más práticas
José Carlos Bermejo
Paulus
168 páginas
12,60 euros

 

Visitar um doente tem os seus quês. E porquês. Os cristãos sabem que visitar os doentes é uma obra de misericórdia. Mas uma obra de misericórdia mal feita, mesmo que com boas intenções, não ajuda quem dela precisa. É desmisericórdia. Daí que este livro comece por alertar que é preciso aprender a desaprender a visitar doentes. (…) “Efetivamente, interiorizámos e habituámo-nos (…) a modos de visitar o doente que não respondem às suas necessidades nem são saudáveis, mas que, ao pretenderem aportar um bem, só contribuem para aumentar o mal-estar e, às vezes, repetem claramente estereótipos que chegam a ser ridículos” (pág. 9). Um exemplo: perguntar a um doente com Alzheimer se sabe quem somos ou se nos conhece.
Só depois de dois capítulos sobre a “desaprendizagem” é que o autor apresenta sucessivamente “chaves para a visita ao doente” (cap. 3 a 9), “objetivos da visita ao doente” (cap. 10 a 15) e “visita ao doente em situações especiais” (cap. 16 a19).
Em capítulos pequenos, recheados de exemplos e situações, adquirimos o “modo de entrar pela porta certa no mundo do outro sem o molestar, gerando conforto, sendo efetivamente uma ajuda” (pág. 27). De vez em quando, o autor apresenta tabelas de “Boas e Más Práticas”. Uma delas diz respeito a “frases feitas ou estereótipos” que nunca devem ser usados na visita (ver caixa).
Se quisermos resumir o livro todo numa só frase, respondendo à pergunta “o que dizer na visita ao doente?”, a tarefa é fácil: “Não tem de dizer nada, tem é de ouvir”, como aliás vem na capa.
José Carlos Bermejo é religioso camiliano (Ordem dos Clérigos Regulares Ministros dos Enfermos, ordem religiosa fundada em 1590 pelo italiano São Camilo de Lellis) e diretor do Centro de Humanización de la Salud, em Madrid. É especialista em relação de ajuda e tem uma grande experiência na pastoral da saúde.

 

Frases feitas a evitar na visita ao doente

– Eu já to dizia: se não tivesses fumado tanto!
– Vamos lá! Tens de fazer a tua parte!
– É normal que te doa!
– Não há mal que não venha por bem.
– Tens de ser um bom doente e não te queixar.
– Deus só nos dá o que podemos suportar!
– Mais cedo ou mais tarde, toca a todos.
– Temos de aceitar o que o destino reserva a cada um de nós!