Educar…hoje Em várias escolas portuguesas, há projectos de parceira com as suas congéneres europeias. São projectos a que se candidata um grupo de escolas de um determinado ciclo de ensino, num mínimo de três, de diferentes países da U.E. O Programa da U.E. que subsidia este tipo de projectos é o SOCRATES – COMENIUS, a nível dos ensinos pré-primário, escolaridade obrigatória e ensino secundário.
Em que consiste o Programa?
– Cada grupo de escolas parceiras, sendo uma delas coordenadora, apresenta à agência nacional responsável pelo Programa, uma candidatura com a temática a desenvolver. Geralmente, o tema é encontrado por professores responsáveis das escolas, reunidos para o efeito. Aceite a candidatura pelas agências nacionais e pela agência europeia, as escolas desenvolvem a temática proposta, ao longo de três anos lectivos.
Cada escola adopta o procedimento que lhe parece mais eficaz: as turmas pesquisam na área de Projecto, nas actividades de complemento educativo ou nalgumas disciplinas; reúne-se um leque restrito de turmas; constitui-se um Clube onde os alunos trabalham no projecto.
Que tipo de trabalhos se realizam?
– Uma das vertentes mais acarinhadas pelo Programa é o desenvolvimento de projectos relacionados com as minorias étnicas, sociais e linguísticas; outro aspecto valorizado é o intercâmbio cultural entre os países parceiros.
Por isso, escolhido o tema comum, cada escola incrementa um trabalho de forma a dar a conhecer aos parceiros o que caracteriza o seu país, a sua região. Assim, e para só falar no caso das escolas portuguesas, desde o Sal, a Cerâmica, os Descobrimentos, as Migrações, até à Literatura, os Monumentos e a Toponímia, passando pela Gastronomia, as Línguas e o Sistema de Ensino, os grupos envolvidos nos projectos COMENIUS descobrem a sua identidade e dão-na a conhecer aos outros.
Como se divulgam os Projectos?
– Graças às Tecnologias de Informação e Comunicação, muitos trabalhos são produzidos e publicados na Internet. De facto, quase todas as escolas dedicam uma página na web ou mesmo um site ao seu projecto COMENIUS. Nalguns casos, a construção de um site é mesmo o objectivo final. Todos os parceiros acedem e, no seu país, aprendem com as pesquisas dos parceiros. Também se publicam folhetos, brochuras, jornais e produzem-se CD-ROM. Há ainda a deslocação às escolas parceiras, o que enriquece, cultural e linguisticamente, todos os participantes.
Que resultados se verificam?
– O slogan “Todos diferentes, todos iguais”, difundido há uns 12 anos atrás, adapta-se perfeitamente a estes projectos. De facto, os alunos e professores envolvidos não só redescobrem a sua própria cultura, mas também se enriquecem pela descoberta da do outro. E, ao confrontar a sua realidade com a dos países parceiros, valoriza-se aquilo que se tem, deixando de lado um certo miserabilismo português.
É interessante verificar, por exemplo, o desenvolvimento a nível das línguas estrangeiras por parte dos alunos que se deslocam ao estrangeiro nestes projectos, bem como a noção de pertença a uma cultura portuguesa, com a sua identidade própria, mas também a uma cultura europeia, que se vai construindo graças também a este Programa.
