Mai 22, 2015 | Documentos
Queridos irmãos e irmãs!
Jesus é «o evangelizador por excelência e o Evangelho em pessoa» (Exort. ap. Evangelii gaudium, 209). A sua solicitude, especialmente pelos mais vulneráveis e marginalizados, a todos convida a cuidar das pessoas mais frágeis e reconhecer o seu rosto de sofrimento sobretudo nas vítimas das novas formas de pobreza e escravidão. Diz o Senhor: «Tive fome e destes-Me de comer, tive sede e destes-Me de beber, era peregrino e recolhestes-Me, estava nu e destes-Me que vestir, adoeci e visitastes-Me, estive na prisão e fostes ter comigo» (Mt25, 35-36). Por isso, a Igreja, peregrina sobre a terra e mãe de todos, tem por missão amar Jesus Cristo, adorá-Lo e amá-Lo, particularmente nos mais pobres e abandonados; e entre eles contam-se, sem dúvida, os migrantes e os refugiados, que procuram deixar para trás duras condições de vida e perigos de toda a espécie. Assim, neste ano, o Dia Mundial do Migrante e do Refugiado tem por tema: Igreja sem fronteiras, mãe de todos.
Com efeito, a Igreja estende os seus braços para acolher todos os povos, sem distinção nem fronteiras, e para anunciar a todos que «Deus é amor» (1 Jo 4, 8.16). Depois da sua morte e ressurreição, Jesus confiou aos discípulos a missão de ser suas testemunhas e proclamar o Evangelho da alegria e da misericórdia. Eles, no dia de Pentecostes, saíram do Cenáculo cheios de coragem e entusiasmo; sobre dúvidas e incertezas, prevaleceu a força do Espírito Santo, fazendo com que cada um compreendesse o anúncio dos Apóstolos na própria língua; assim, desde o início, a Igreja é mãe de coração aberto ao mundo inteiro, sem fronteiras. Aquele mandato abrange já dois milénios de história, mas, desde os primeiros séculos, o anúncio missionário pôs em evidência a maternidade universal da Igreja, posteriormente desenvolvida nos escritos dos Padres e retomada pelo Concílio Vaticano II. Os Padres conciliares falaram de Ecclesia mater para explicar a sua natureza; na verdade, a Igreja gera filhos e filhas, sendo «incorporados» nela que «os abraça com amor e solicitude» (Const. dogm. sobre a Igreja Lumen gentium, 14).
A Igreja sem fronteiras, mãe de todos, propaga no mundo a cultura do acolhimento e da solidariedade, segundo a qual ninguém deve ser considerado inútil, intruso ou descartável. A comunidade cristã, se viver efetivamente a sua maternidade, nutre, guia e aponta o caminho, acompanha com paciência, solidariza-se com a oração e as obras de misericórdia. Nos nossos dias, tudo isto assume um significado particular. Com efeito, numa época de tão vastas migrações, um grande número de pessoas deixa os locais de origem para empreender a arriscada viagem da esperança com uma bagagem cheia de desejos e medos, à procura de condições de vida mais humanas. Não raro, porém, estes movimentos migratórios suscitam desconfiança e hostilidade, inclusive nas comunidades eclesiais, mesmo antes de se conhecer as histórias de vida, de perseguição ou de miséria das pessoas envolvidas. Neste caso, as suspeitas e preconceitos estão em contraste com o mandamento bíblico de acolher, com respeito e solidariedade, o estrangeiro necessitado.
Por um lado, no sacrário da consciência, adverte-se o apelo a tocar a miséria humana e pôr em prática o mandamento do amor que Jesus nos deixou, quando Se identificou com o estrangeiro, com quem sofre, com todas as vítimas inocentes da violência e exploração. Mas, por outro, devido à fraqueza da nossa natureza, «sentimos a tentação de ser cristãos, mantendo uma prudente distância das chagas do Senhor» (Exort. ap. Evangelii gaudium, 270).
A coragem da fé, da esperança e da caridade permite reduzir as distâncias que nos separam dos dramas humanos. Jesus Cristo está sempre à espera de ser reconhecido nos migrantes e refugiados, nos deslocados e exilados e, assim mesmo, chama-nos a partilhar os recursos e por vezes a renunciar a qualquer coisa do nosso bem-estar adquirido. Assim no-lo recordava o Papa Paulo VI, ao dizer que «os mais favorecidos devem renunciar a alguns dos seus direitos, para poderem colocar, com mais liberalidade, os seus bens ao serviço dos outros» [Carta ap. Octogesima adveniens (14 de Maio de 1971), 23].
Aliás, o carácter multicultural das sociedades de hoje encoraja a Igreja a assumir novos compromissos de solidariedade, comunhão e evangelização. Na realidade, os movimentos migratórios solicitam que se aprofundem e reforcem os valores necessários para assegurar a convivência harmoniosa entre pessoas e culturas. Para isso, não é suficiente a mera tolerância, que abre caminho ao respeito das diversidades e inicia percursos de partilha entre pessoas de diferentes origens e culturas. Aqui se insere a vocação da Igreja a superar as fronteiras e favorecer «a passagem de uma atitude de defesa e de medo, de desinteresse ou de marginalização (…) para uma atitude que tem por base a “cultura de encontro”, a única capaz de construir um mundo mais justo e fraterno» (Mensagem para o Dia Mundial do Migrante e do Refugiado – 2014).
Mas os movimentos migratórios assumiram tais proporções que só uma colaboração sistemática e concreta, envolvendo os Estados e as Organizações Internacionais, poderá ser capaz de os regular e gerir de forma eficaz. Na verdade, as migrações interpelam a todos, não só por causa da magnitude do fenómeno, mas também «pelas problemáticas sociais, económicas, políticas, culturais e religiosas que levantam, pelos desafios dramáticos que colocam à comunidade nacional e internacional» [BENTO XVI, Carta enc. Caritas in veritate (29 de Junho de 2009), 62].
Na agenda internacional, constam frequentes debates sobre a oportunidade, os métodos e os regulamentos para lidar com o fenómeno das migrações. Existem organismos e instituições a nível internacional, nacional e local, que põem o seu trabalho e as suas energias ao serviço de quantos procuram, com a emigração, uma vida melhor. Apesar dos seus esforços generosos e louváveis, é necessária uma ação mais incisiva e eficaz, que lance mão de uma rede universal de colaboração, baseada na tutela da dignidade e centralidade de toda a pessoa humana. Assim será mais incisiva a luta contra o tráfico vergonhoso e criminal de seres humanos, contra a violação dos direitos fundamentais, contra todas as formas de violência, opressão e redução à escravidão. Entretanto trabalhar em conjunto exige reciprocidade e sinergia, com disponibilidade e confiança, sabendo que «nenhum país pode enfrentar sozinho, as dificuldades associadas a este fenómeno, que, sendo tão amplo, já afecta todos os continentes com o seu duplo movimento de imigração e emigração» (Mensagem para o Dia Mundial do Migrante e do Refugiado – 2014). À globalização do fenómeno migratório é preciso responder com a globalização da caridade e da cooperação, a fim de se humanizar as condições dos migrantes. Ao mesmo tempo, é preciso intensificar os esforços para criar as condições aptas a garantirem uma progressiva diminuição das razões que impelem populações inteiras a deixar a sua terra natal devido a guerras e carestias, sucedendo muitas vezes que uma é causa da outra.
À solidariedade para com os migrantes e os refugiados há que unir a coragem e a criatividade necessárias para desenvolver, a nível mundial, uma ordem económico-financeira mais justa e equitativa, juntamente com um maior empenho a favor da paz, condição indispensável de todo o verdadeiro progresso.
Queridos migrantes e refugiados! Vós ocupais um lugar especial no coração da Igreja e sois uma ajuda para alargar as dimensões do seu coração a fim de manifestar a sua maternidade para com a família humana inteira. Não percais a vossa confiança e a vossa esperança! Pensemos na Sagrada Família exilada no Egipto: como no coração materno da Virgem Maria e no coração solícito de São José se manteve a confiança de que Deus nunca nos abandona, também em vós não falte a mesma confiança no Senhor. Confio-vos à sua proteção e de coração concedo a todos a Bênção Apostólica.
Vaticano, 3 de Setembro de 2014.
FRANCISCUS
Set 24, 2014 | Documentos
Cidade do Vaticano, 23 set 2014
“Assim será mais incisiva a luta contra o tráfico vergonhoso e criminal de seres humanos, contra a violação dos direitos fundamentais, contra todas as formas de violência, opressão e redução à escravidão”, escreve, na mensagem para o próximo Dia Mundial do Migrante e Refugiado, que as comunidades católicas vão celebrar a 18 de janeiro de 2015. O texto, divulgado esta manhã pela Santa Sé, tem como tema ‘Igreja sem fronteiras, mãe de todos’. “A Igreja sem fronteiras, mãe de todos, propaga no mundo a cultura do acolhimento e da solidariedade, segundo a qual ninguém deve ser considerado inútil, intruso ou descartável”, escreve Francisco.
O Papa observa que nos dias de hoje são muitos os que deixam a sua terra de origem para “empreender a arriscada viagem da esperança”, à procura de melhores condições de vida. Estes movimentos migratórios, acrescenta, suscitam “desconfiança e hostilidade”, inclusive nas comunidades eclesiais, sem dar atenção às “histórias de vida, de perseguição ou de miséria das pessoas envolvidas”. “Neste caso, as suspeitas e preconceitos estão em contraste com o mandamento bíblico de acolher, com respeito e solidariedade, o estrangeiro necessitado”, lamenta Francisco.
A mensagem desafia os católicos a estar com quem sofre, “com todas as vítimas inocentes da violência e exploração”, sublinhando que o caráter multicultural das sociedades de hoje “encoraja a Igreja a assumir novos compromissos de solidariedade, comunhão e evangelização”. Francisco admite que os movimentos migratórios assumiram “tais proporções” que exigem a “colaboração sistemática e concreta” entre Estados e organizações internacionais.
“À globalização do fenómeno migratório é preciso responder com a globalização da caridade e da cooperação, a fim de se humanizar as condições dos migrantes”, sustenta. A política migratória internacional, observa o Papa, deve passar por criar as condições para que as pessoas possam ficar na sua terra, o que implica “uma ordem económico-financeira mais justa e equitativa”, juntamente com um maior empenho em favor da paz.
A mensagem conclui-se com uma saudação aos “queridos migrantes e refugiados”, dizendo-lhes que têm “um lugar especial no coração da Igreja”. O texto foi apresentado em conferência de imprensa pelo presidente do Conselho Pontifício para a Pastoral dos Migrantes e Refugiados, cardeal Antonio Maria Vegliò, que se manifestou contra a criminalização dos imigrantes.
OC
http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/messages/migration/documents/papa-francesco_20140903_world-migrants-day-2015.html
Set 19, 2014 | Documentos
Irmãos e Irmãs peregrinos
Irmãos e Irmãs Emigrantes
1. O texto do Evangelho, agora proclamado, descreve-nos o ambiente da hora da paixão de Jesus e narra-nos em pormenor o que Jesus, sua Mãe e João, o discípulo, ali viveram. Da palavra de Jesus depreendemos a importância daquele momento e aprendemos o significado daquele gesto. Jesus quis confiar sua Mãe a João, o discípulo sempre presente. É, assim, como filhos e irmãos, que aqui estamos, hoje, também nós, protagonistas desta hora, como se a cada um de nós Jesus confiasse sua Mãe e nos entregasse a nós ao seu cuidado e ao seu desvelo de Mãe.
Este é o sentido maior desta peregrinação: confiarmo-nos à bênção e à proteção da Mãe de Jesus e levar a partir daqui Nossa Senhora connosco para nossas casas. Recordo o que um emigrante, natural daqui bem perto, meu paroquiano, em Paris, que ali vivia sem a família, me contou, há muitos anos. Ele foi a salto para França no início dos anos setenta. Passou dias e semanas de ansiedade e de medo, numa longa e arriscada viagem, guiado pelo desejo de encontrar um país que o acolhesse e um trabalho que garantisse um futuro digno para os seus filhos e para a sua esposa. Quando chegou a França, ali mesmo às portas de Paris, encontrou amigos e conterrâneos que o receberam em sua casa e lhe procuraram trabalho. Ao abrir a mala, que levara de Portugal, descobriu, no meio da roupa, que a esposa preparara, uma imagem de Nossa Senhora com esta mensagem: “Guarda contigo esta imagem, porque onde Nossa Senhora estiver também aí estamos nós: os teus filhos e eu”. Esta certeza de fé, assim convictamente afirmada pela esposa, ajudara este homem bom a guardar íntegra a sua comunhão com a família e dava-lhe força diária para viver sereno, para estar confiante e para trabalhar com coragem, sabendo que da sua vida digna e do seu trabalho honesto dependiam a vida e o futuro da família.
2.Portugal é, desde há muitos séculos, nação de emigrantes e terra de imigrantes. Portugal deve assumir com alegria este desígnio da sua história e acolher com generosidade os novos imigrantes, que procuram o nosso país. Honra-nos este nosso passado, lido em chave de emigração. Recordamos hoje, na nossa oração, homens e mulheres emigrantes, protagonistas desta história. Não podemos ignorar nem deixar de lamentar as razões que levam hoje tantos portugueses, cheios de dons e de talentos, a sair de Portugal, porque aqui não encontram trabalho. A falta de trabalho desumaniza as pessoas e coloca em perigo o futuro de um País. Portugal não pode esquecer que sem os emigrantes de ontem não era o País que hoje é e sem os emigrantes de hoje não consegue vencer a crise que tem vivido. Recusar, por seu lado, a entrada a quem procura imigrar para viver em família com dignidade e para trabalhar com honestidade é um pecado! Ninguém pode roubar aos emigrantes o encanto do sonho e a alegria da esperança!
O primeiro passo da missão da Igreja no campo específico das migrações e da mobilidade humana consiste em perceber que este é um tempo novo e que habitamos uma terra nova, no coração de um mundo global (Is 11, 1-5). Queremos acreditar e devemos trabalhar para que esta seja também a hora da reconciliação entre as pessoas estrangeiras e da paz entre os povos desavindos, como nos dizia S. Paulo na segunda leitura (2 Cor 5, 17-21).
3. Ao olhar o enorme movimento migratório que caracteriza o nosso tempo e define o rumo da nossa história temos consciência de que o desejo de um futuro digno, justo e solidário esteve sempre presente no coração de quem emigra. Os emigrantes são embaixadores desta esperança e protagonistas da construção de um mundo melhor, com rosto humano, esculpido com as linhas cristãs da bondade, da hospitalidade, da universalidade e da fraternidade. Apesar das injustiças e das guerras que continuam a permitir ou mesmo a promover o tráfico das pessoas, a aniquilar os sonhos das crianças, a matar inocentes e a pôr em risco o futuro de tantos povos, os crentes são convidados, como nos exorta o Papa Francisco na Mensagem para a Jornada Mundial do Migrante de 2014 a “não perder a esperança de que lhe está reservado um futuro mais seguro e que nos caminhos da migração encontrarão sempre uma mão estendida que lhe fará experimentar a solidariedade fraterna e o calor da amizade” (cf. MJMM 2014). À Igreja não pertence decidir políticas de emigração mas incumbe-lhe alertar com coragem e determinação os governantes para as causas da justiça e para os valores do bem comum, em ordem a promover uma economia de rosto humano e solidário e um sistema financeiro assente na verdade. Esta solicitude pastoral concretiza-se na lucidez evangélica do magistério da Igreja e na disponibilidade dos sacerdotes e agentes de pastoral para partirem com os emigrantes para os países de destino. Esta solicitude pastoral manifesta-se igualmente na forma acolhedora das comunidades cristãs de origem neste tempo de férias e no regresso definitivo.
4. Se assim vivermos e trabalharmos na Igreja em Portugal estamos a “envolver a todos no amor de Deus pelo mundo”, como nos propõe o Santuário de Fátima no tema escolhido para este ano pastoral. Muitas têm sido ao longo dos séculos as transgressões à lei de Deus e grandes os pecados cometidos contra os nossos irmãos neste campo específico do reconhecimento do próximo, da hospitalidade dada aos estrangeiros, da busca da fraternidade, do respeito pela dignidade humana, da construção do bem comum e da promoção da justiça social. Também aqui sentimos ser de cada um de nós o pecado da Humanidade. E dizemos: “Perdoai-me, porque pequei” (cf Sl 51). Peçamos perdão por todas as vezes em que nos acomodamos e nos fechamos no nosso bem-estar, por todas as vezes em que se anestesiou o nosso coração! Mas mais do que julgar os erros do passado importa “despertar as nossas consciências a fim de que não se repita o que de mal aconteceu até aqui”, assim nos dizia o Papa Francisco na Eucaristia que celebrou em Lampedusa, na Itália, frente ao mar onde morreram centenas de emigrantes. O Papa Francisco agradeceu, naquele momento de dor e de gratidão, à Comunidade cristã de habitantes de Lampedusa e Linosa, às suas associações e aos voluntários pela atenção dada aos emigrantes e às pessoas em viagem, dizendo-lhes: “Sois uma realidade pequena mas ofereceis-nos um belo exemplo de solidariedade” (Homilia do Papa Francisco em Lampedusa, 8 de julho de 2013).
Também a história da emigração em Portugal e a ação pastoral da Igreja com os emigrantes se faz de pequenos gestos proféticos e de sinais visíveis que serviram para abrir caminhos novos, rumo a um mundo melhor na vida dos emigrantes. Quero, também eu, ser voz da Igreja para agradecer aos sacerdotes, aos consagrados (as), aos agentes de pastoral, às famílias, às comunidades e às missões católicas dispersas pelo mundo o bem realizado na vanguarda desta missão ao serviço dos emigrantes. Agradeço e louvo, igualmente, o trabalho feito pela Obra Católica Portuguesa das Migrações, pelos Secretariados Diocesanos da Mobilidade Humana e pelas Associações de Migrantes.
Que Deus a todos recompense! Tem esta Peregrinação a sugestiva particularidade de testemunhar a generosidade dos agricultores de Leiria e de Portugal que, cumprindo uma bela tradição, oferecem trigo dos seus campos, fruto da bondade de Deus e do trabalho humano, para aqui ser transformado, na Eucaristia, em Pão da Vida e Corpo de Cristo para a vida do Mundo. Rezamos por vós, irmãos e irmãs, e agradecemo-vos este gesto tão magnânimo e tão eloquente da vossa generosidade!
5. E agora com o olhar do coração voltado para a Mãe de Jesus, Senhora de Fátima, rezai comigo, irmãos e irmãs: Senhora de Fátima, sentimos a vossa presença na viagem diária da nossa vida, como peregrinos e emigrantes que somos. Sempre estivestes e estais connosco, a inspirar a nossa oração, a alimentar a nossa esperança e a vencer os nossos medos. Hoje, vimos a este Santuário, para Vos agradecer e para levar daqui ânimo novo, vontade firme, serenidade confiante e bênção necessária para continuarmos o caminho rumo a um mundo melhor. Senhora do Rosário de Fátima, abençoai Portugal! Protegei os peregrinos e os emigrantes, reunidos neste Santuário! Iluminai os caminhos de todos os que procuram Deus! Aliviai as dores dos que sofrem! Acolhei as lágrimas dos que choram! Dai a paz ao Mundo! Beatos Francisco e Jacinta, intercedei por nós! Ámen!
Santuário de Fátima, 13 de agosto de 2014
António Francisco dos Santos, bispo do Porto
Set 12, 2014 | Documentos
Irmãos e Irmãs Peregrinos
Irmãos e Irmãs Emigrantes
1.Vós, irmãos peregrinos e emigrantes, trazeis convosco a recordação de longos caminhos, feitos de sonho e de aventura na procura de uma vida digna e de um trabalho honesto.
Vós, irmãos peregrinos e emigrantes, sabeis valorizar os lugares de serenidade e de tranquilidade e os momentos de silêncio e de oração, necessários para a vida!
Quem caminha precisa de lugares de pausa no caminho.
Quem mais longe quer chegar, necessita de descansar para avançar. Quem deseja atingir a meta, agradece sempre os momentos de repouso que lhe dão forças novas para o caminho.
Quem já vê, no horizonte o Santuário, sente antecipadamente a bênção de aí chegar.
Venho aqui, também eu, como peregrino com alma de emigrante para rezar convosco e por vós!
Estamos no Santuário da Cova da Iria, neste chão sagrado onde Nossa Senhora se manifestou aos três pastorinhos: Lúcia, Jacinta e Francisco. Viemos de longe no tempo e percorremos demoradas distâncias desde as nossas terras de origem, donde partimos, e desde os países de emigração, onde viveis. Este Santuário é Casa que nos acolhe, independentemente da nossa origem, idade, cultura ou língua. Aqui está erguida a Mesa comum de família, transformada em altar do mundo. Por aqui passa todos os anos o caminho dos emigrantes que de Portugal partiram e dos imigrantes que a Portugal chegaram.
2.A primeira leitura do livro do Deuteronómio oferece-nos conselhos oportunos e dá-nos ordens imperativas da parte do Senhor, Deus de Israel. O autor deste texto recorda ao povo de Israel as leis que devem guiar a sua vida de povo com coração e de nação com memória. Israel foi povo emigrante no Egito. Foi estrangeiro e foi escravo, a quem Deus libertou. Nunca deve esquecer esta condição de vida que decidiu o seu caminho ao longo da história!
Não pode ignorar o dever de cuidar dos estrangeiros com justiça e de os acolher com largueza de coração (Dt 24, 17-22). S. Paulo na carta aos Romanos, que ouvimos na segunda leitura, concretiza esta forma de acolher o estrangeiro e convida os cristãos a uma hospitalidade fundada na caridade fraterna (Rom 12, 9-16).
À luz da fé e por mandato de Cristo não pode haver estrangeiros entre nós. Somos irmãos, à luz do mandamento novo do Evangelho, que nos manda “amar o Senhor, nosso Deus sobre todas as coisas, com todo o nosso coração, com toda a alma, com todas as forças e com todo o entendimento e ao próximo como a nós mesmos” (Lc 10, 25-37).
A exemplo do samaritano do Evangelho, devemos, também nós, ser acolhedores, hospitaleiros e cuidadores dos que vivem perto e dos que vêm de longe. Atentos aos vizinhos e aos de fora. O Evangelho de hoje convida-nos a olhar com o olhar de Deus o íntimo das pessoas e a ir ao encontro das novas periferias existenciais e sociais, habitadas por novos surtos de emigrantes que batem às portas, tantas vezes fechadas, da Europa e do Mundo.
O Evangelho diz-nos que a força do samaritano não está no conhecimento humano, não lhe vem da identidade pátria, não nasce do interesse momentâneo nem surge da expectativa de gratidão. A decisão do samaritano brota da inspiração divina e nasce da alma humana que se compadece diante de um irmão que sofre as agruras do caminho, porque foi vítima dos malfeitores. Esta é também a força da missão de cada um de nós. A força do cristão nasce de Jesus, que nos diz: “Vai e faz, tu também, o mesmo” ( Lc 10, 25-37).
3. Este desejo de viver assim motiva-nos e mobiliza-nos para a missão da Igreja. Foi assim que os pastorinhos entenderam a mensagem que Nossa Senhora lhes trouxe neste lugar. O Santuário de Fátima tem sido, ao longo destes 97 anos, escola do Evangelho, onde se aprende a hospitalidade, onde se vive a fraternidade, onde se experimenta a proximidade da fé, onde se afirma a força de Deus que anima tantas vidas, ajuda tantas famílias, alivia tantas dores e acalenta tantos sonhos.
Há horas na vida de emigração, em que só Deus nos pode ajudar e em que só Deus nos basta!
Há momentos na vida dos pobres em que mesmo aqueles que pensam estar a ajudar ofendem!
Compreendemos, por isso, que sejam os pobres aqueles que mais recorrem a Deus e mais precisam de encontrar verdadeiros irmãos.
Conheço, por experiência, o que é ser emigrante com os emigrantes. Sei o que significa ser filho e neto de emigrantes e perder o pai lá longe no Brasil, de onde nunca regressara, mas que nunca nos faltara à minha mãe e a mim com o carinho do seu amor, com a palavra escrita dos seus conselhos e com a ajuda imprescindível do fruto do seu trabalho, realizado em prolongadas horas de todos os dias, por amor da esposa e do filho. Hoje estamos aqui e trazemos connosco a história da nossa vida, para a colocarmos no Coração da Mãe, a Senhora vestida de branco, que inundou de luz o coração dos Pastorinhos.
Nesta noite santa, a chama das nossas velas transformou este Santuário num oceano imenso de luz, de bênção e de paz. Encontramos neste Santuário a graça da alegria e da paz e a bênção da hospitalidade e da fraternidade. Abrir-se-ão, a partir daqui, caminhos novos rumo a um mundo melhor, como nos propõe o lema desta 42.ª Semana Nacional das Migrações. A história do mundo nunca se fará à margem da emigração e sem os emigrantes, nem o futuro da Humanidade se poderá pensar contra os emigrantes. A Igreja tem, também, esta missão: lembrar ao mundo e a cada povo que trazemos em nós as marcas de povos estrangeiros e transportamos connosco as dores e os valores, as lágrimas e os êxitos, os testemunhos de vida e de trabalho e a memória da coragem e da fé dos emigrantes.
4. Rezemos todos juntos por esta missão da Igreja, para que seja sempre missão vivida e realizada a favor dos pobres, dos estrangeiros, dos exilados, dos refugiados, das vítimas de tráfico humano.
Rezemos pelos que vivem longe da paz e da pátria, pelos que procuram o bem e a justiça e pelos que anseiam pela liberdade e pela fraternidade. Pertence-nos fazer nossa, esta urgente missão da Igreja!
Estamos nestes dias particularmente unidos ao Papa Francisco, que amanhã vai iniciar a viagem apostólica à Coreia, noutro horizonte da mesma missão, para aí levar também a alegria do Evangelho.
Queremos e devemos rezar, aqui, pelos cristãos perseguidos do Iraque, da Nigéria e da Índia.
Queremos e devemos rezar com acrescida comunhão pela Palestina, pela Síria, pela Ucrânia e Israel e por todos os países e povos onde a paz demora tanto a chegar!
5. Que Nossa Senhora de Fátima e os Beatos Francisco e Jacinta nos ajudem nesta missão de fraternidade e de paz e nos acompanhem neste caminho de serviço aos emigrantes e neste sonho rumo a um mundo melhor! Ámen!
Santuário de Fátima, 12 de agosto de 2014 António Francisco dos Santos, bispo do Porto
Jul 22, 2014 | Documentos
Sugestões :
Convidam-se as Paróquias, as Comunidades Cristãs e as Comunidades de Vida Consagrada a celebrar a Eucaristia pelos Migrantes e pelo trabalho pastoral que a Igreja Portuguesa desenvolve a favor dos mesmos.
↘ Promover uma participação ativa dos imigrantes e emigrantes na Eucaristia.
↘ Sugere-se a utilização das orações da “Missa pelos Emigrantes” e da Oração Eucarística V/A
↘ Motive-se os fiéis para a generosidade nos ofertórios que, neste dia, revertem a favor da Pastoral da Mobilidade Humana: Migrantes, Povo Cigano, Marítimos e Refugiados.
↘ A Liturgia da Palavra é a própria do Domingo:
1ª Leitura – Is 56, 1.6-7
Salmo Responsorial – Sal 66 (67), 2-3.5.6.8
2ª Leitura – Rom 11, 13-15.29-32 Evangelho – Mt 15, 21-28
Oração Universal:
Pres. Irmãos e irmãs, a Deus que quer fazer da humanidade um só povo consagrado ao seu Nome, roguemos para que os migrantes encontrem na Igreja a solicitude pastoral do acolhimento e um verdadeiro testemunho da fé. Digamos com confiança: ACOLHEI, SENHOR, A NOSSA ORAÇÃO
1 – Pela Igreja, peregrina e estrangeira neste mundo, para que acolha, com amor maternal, todos os migrantes, deixando-se enriquecer pela diversidade litúrgica e espiritual dos diversos povos. Oremos ao Senhor.
2 – Pelos emigrantes portugueses espalhados pelo mundo, em particular aqueles que foram obrigados a emigrar neste tempo de crise que o País atravessa, para que encontrem trabalho que lhes garanta o pão da dignidade, e verdadeira solicitude pastoral nas Igrejas de acolhimento. Oremos ao Senhor.
3 – Pelos imigrantes que escolheram Portugal como lugar de construção das suas vidas, para que se sintam acolhidos e amados na Igreja e encontrem na sociedade os meios necessários que lhes permitam uma vida digna. Oremos ao Senhor.
4 – Pelos que constituem a Obra Católica Portuguesa de Migrações: Comissão Episcopal, Equipa Nacional, Secretariados Diocesanos, Missões de Língua Portuguesa, Capelanias de Imigrantes, Sacerdotes e Agentes Pastorais, para que, no contexto migratório atual, promovam uma renovada pastoral em favor do crescente número de migrantes. Oremos Senhor.
5 – Por todos os que dedicaram a sua vida à causa dos migrantes, e que o Senhor já chamou a si, para que recebam na eternidade a recompensa pelo seu empenho pastoral em favor dos mais pobres. Oremos ao Senhor. Pres. Acolhei, Senhor, as preces que vos dirigimos com fé e concedei aos migrantes a graça de sentirem sempre a vossa presença protetora em todas as situações de vida. Por Nosso Senhor…
Jul 10, 2014 | Documentos
Mensagem para a Semana de Migrações
Ao olhar para o enorme movimento migratório que caracteriza o nosso tempo tomamos consciência que o que anima os homens e mulheres que optam, ou são forçados, a emigrar, é o profundo desejo de um futuro melhor, não apenas para si próprios, mas também para as suas famílias e para aqueles que amam.
Diz-nos o Papa Francisco, na sua Mensagem para a Jornada Mundial do Migrante de 2014 (MJMM 2014), que “se por um lado as migrações muitas vezes denunciam carências e lacunas dos Estados e da Comunidade internacional, por outro, revelam a aspiração da humanidade em viver a unidade, no respeito pelas diferenças, o acolhimento e a hospitalidade, que permitem a partilha equitativa dos bens da terra, a proteção e a promoção da dignidade humana e da centralidade de cada ser humano.
Na verdade, parece que as aspirações do coração humano, de construção de um mundo mais justo e fraterno, onde a vida humana seja respeitada como o valor supremo, onde sejam promovidas a justiça e a equidade, são verdadeiramente difíceis de atingir. Enquanto uns poucos continuarem a apoderar-se dos bens criados por Deus para todos, e a maioria a recolher as migalhas que sobejam da mesa dos ricos e poderosos, continuaremos a assistir à injustiça e a ver muitos a emigrar na busca do pão da dignidade.
Apesar dessa injustiça, tão presente no nosso mundo, obrigando tantas pessoas a deixar as suas terras, as suas famílias e as suas raízes culturais, o crente, como exorta o Papa Francisco, não deve perder a esperança de que lhe está reservado um futuro mais seguro e que nos seus caminhos de migração encontrará sempre uma mão estendida que lhe fará experimentar a solidariedade fraterna e o calor da amizade (cf. MJMM 2014).
É com esta esperança e certeza de fé, que vamos celebrar mais uma Semana Nacional de Migrações, onde, no ponto mais alto da celebração, a Peregrinação dos Migrantes ao Santuário de Fátima, por mediação de Maria, vamos colocar no coração de Deus, todos os migrantes, em particular os imigrantes residentes em Portugal e os milhões de portugueses espalhados pelas cinco partidas do mundo, rezando para que as migrações sejam, na verdade um caminho que proporcione a construção de um mundo melhor.
Portugal, nos últimos anos, tem assistido ao êxodo de muitos milhares dos seus filhos. Neste ano de 2014 queremos centrar a nossa atenção em todos os que deixaram o País, na busca do sonho de construção de uma vida melhor. Queremos manifestar-lhes, como Igreja, a nossa solidariedade e preocupação pastoral. Por isso, em nome de todos os Bispos portugueses, presidirá à Peregrinação o Exmo Senhor D. António Francisco dos Santos, Bispo da Diocese do Porto, como sinal de solicitude pastoral da Igreja.
Promovemos também, como nos anos anteriores, uma Jornada das Migrações, no Domingo, 17 de Agosto. As nossas Paróquias e Comunidades Cristãs são convidadas a celebrar, nesse dia, a Eucaristia em acção de graças pelos Migrantes e pelo trabalho pastoral que a Igreja desenvolve em favor dos mesmos, devendo-se convidar os fiéis a manifestarem a sua solidariedade com todos os que foram ou são obrigados a emigrar, através do ofertório consignado que reverte em favor do trabalho pastoral da mobilidade humana da Igreja Portuguesa.
veja o cartaz aqui