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Imagem Peregrina de Fátima foi feita a pedido de uma família luxemburguesa

Entrevista ao Bispo do Porto, D. António Francisco dos Santos

Cathol.lu – É verdade que a Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Fátima, que para o ano vem ao Luxemburgo, foi feita a pedido de uma família luxemburguesa?

D. António – Sim, é verdade. Agora não lhe posso dizer o nome da família, porque não me lembro, mas o pedido nasceu aqui, por causa da última Grande Guerra.

Cathol.lu – Em 2017, vai ser a segunda vez que essa Imagem Peregrina vem ao Luxemburgo?

D. António – A primeira viagem da Imagem Peregrina partiu de Fátima para Évora, depois Badajoz, Espanha, em direcção a Berlim, que era a cidade que naquele tempo era o símbolo da destruição e do sofrimento causados pela guerra. Uma cidade, capital de um grande império, dividida ao meio e dilacerada pela Guerra. Depois de Berlim, a Imagem passou por vários países da Europa, como a Holanda e a Bélgica, e chegou ao Luxemburgo, o último país a receber a Imagem durante essa digressão. Daqui do Luxemburgo a Imagem de Fátima embarcou para Portugal, num porto francês, no navio Ribeira Grande, até ao porto de Leixões. Foi no dia 29 de Fevereiro de 1948.
A viagem do Porto de Leixões até à Sé do Porto demorou dez horas. O percurso estava cheio de gente que ovacionava a Virgem de Fátima.

Cathol.lu – Mas a Imagem Peregrina não é a que está na Capelinha das Aparições, na Cova da Iria, em Fátima?

D. António – A Imagem Peregrina é um sinal da presença da Mensagem de Fátima junto das pessoas que não podem ir a Fátima. Foi com essa intenção que foi esculpida. E não, não é a imagem que está na Capelinha das Aparições. A Imagem Peregrina é uma réplica da que está em Fátima, e foi feita segundo as instruções de Lúcia, isto é de acordo com as Aparicões, com as suas normas e conselhos. A Imagem Peregrina foi esculpida em 1947 e foi benzida pelo arcebispo de Évora, na altura era o D. Manuel da Conceição Santos.

Cathol.lu – A Imagem Peregrina de Fátima acaba agora a 13 de Maio um périplo por todas as dioceses de Portugal…

D. António – Ao preparar o Centenário das Apariçoes de Fátima, os bispos portugueses prepararam um programa para a visita da Nossa Senhora de Fátima. Numa primeira fase, entre 2014 e 2015, a Imagem Peregrina visitou todos os mosteiros de vida contemplativa, os conventos de clausura, que não podem ir a Fátima, uma visita que acabou por ser uma homenagem às Carmelitas e à irmã Lúcia. Depois, numa segunda fase, que começou no dia 13 de Maio do ano passado, e que vai acabar agora, no dia 13 de Maio deste ano, a Imagem Peregrina visitou todas as dioceses de Portugal.

Cathol.lu – A sua diocese, o Porto, já recebeu a visita de Nossa Senhora de Fátima?

D. António – Sim, a visita acabou agora no início de Maio. Para o Porto foi uma bênção de Deus. A Mensagem de Fátima é a tradução para os nossos dias da alegria do evangelho, da mensagem do evangelho, e que Nossa Senhora veio apontar aos Pastorinhos o caminho para o encontro com Jesus, e no rosto de Jesus vermos o rosto de misericórdia do Pai. Estamos assim inseridos no Ano Santo da Misericórdia, e ao mesmo tempo na centralidade que Maria tem para nos conduzir a Jesus. “Maria não é o caminho, mas é a vereda para esse caminho, que é Jesus. Jesus é o caminho; ela não é a verdade, mas é a mensageira do evangelho da verdade; ela não é a vida, ela não nos dá a vida, mas é a mãe de onde nós recebemos a vida, que é Jesus. Depois, em segundo lugar, Maria foi apresentada por Paulo VI como a Mãe da Igreja. Recebermos a visita da Imagem Peregrina é um convite a valorizarmos esta maternidade divina de Maria, mãe de Deus e mãe da Igreja, e que é ao mesmo tempo ícone e modelo do crente, nesta Igreja Mãe, tal como o Papa Francisco tem dito.

Cathol.lu – E que balanço faz da visita da Virgem de Fátima à sua diocese?

D. António – A visita da Virgem de Fátima é uma oportunidade para que a gente descubra o segredo e o valor eterno das lágrimas. A Nossa Senhora quando chega, vem com o coração aberto, e quando parte, vai com o coração pesado, com as nossas preces, as nossas dores, e com as nossas esperanças…mas deixa-nos uma passagem de alegria, de serenidade, de paz, e de incentivo à vida como só as mães sabem fazer. Era impressionante ver como os reclusos recebiam a Nossa Senhora nos estabelecimentos prisionais! Nunca houve um problema. As fábricas fechavam as portas durante umas horas para que os trabalhadores pudessem vir para a beira da estrada acenar a Nossa Senhora; as escolas também paravam à passagem da Imagem Peregrina. E era fantástico ver as famílias com os filhos pequenos à espera da Mãe de Jesus. Nossa Senhora passava e não perguntava qual era situação daquela família, se eram casados ou não pela Igreja…

Cathol.lu – E o que é que o Luxemburgo pode vir a ganhar com a visita da Imagem de Fátima?

D. António- É sempre uma bênção. A visita da Imagem Peregrina de Fátima pode ajudar a valorizar as famílias que temos. A mãe no concreto da vida de família é o elo forte e muito próximo da Mãe de Deus. Ao povo do Luxemburgo que tem como padroeira a Nossa Senhora dos Aflitos, eu gostava de dizer que há um reencontro entre a Mensagem de Fátima, que não esqueçamos foi no final da Primeira Grande Guerra, e que era um convite à paz no mundo, e as aflições diárias por que passa o mundo, nestas incertezas que todos nós vivemos, em situações concretas e bem recentes. O olhar do povo luxemburguês com as suas tradições e a sua língua para a Nossa Senhora dos Aflitos é o mesmo olhar com que os portugueses e os imigrantes portugueses olham para Nossa Senhora de Fátima, que é Altar do Mundo. Actualmente, Fátima não é um património exclusivo de Leiria ou de Portugal, mas é um património espiritual de todo o mundo.

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Frei Eugénio Boléo um padre português no meio dos portugueses na Bélgica

Frei Eugénio Boléo um padre português no meio dos portugueses na Bélgica

“Nos nossos dias não venham para a Bélgica só com promessas para tentar a sorte”

A experiência ensinou ao frei Eugénio Boléo que “as nossas vidas são feitas de ciclos”, como referiu na carta de despedida que escreveu aos membros da Comunidade Católica Portuguesa de Ixelles (C.C.P.I.), em Bruxelas, por ocasião da sua passagem à reforma, depois de quatorze anos como seu Responsável Pastoral. Antes de ser ordenado padre, foi oficial da Marinha Portuguesa (fuzileiro especial) e esteve na guerra no Ultramar.
Uma experiência tão forte, que o fez repensar a sua carreira e que o levou a tomar um rumo diferente na vida. É o único padre português no meio dos portugueses na Bélgica e durante estes anos tem convivido de perto com os seus compatriotas naquele país.

Frade dominicano, Eugénio Boléo chegou à Bélgica em vésperas do Natal de 2001 e começou juntamente com treze dominicanos de sete diferentes países europeus uma nova comunidade: a Comunidade Dominicana Internacional de São Domingos, em Bruxelas. Nesta entrevista ao ‘Mundo Português’, recorda o seu percurso de vida, que o levou a entrar para a Ordem dos Pregadores (Ordem Dominicana), e da “sucessão de acontecimentos” que o fizeram descobrir que valia a pena dedicar-se à evangelização durante toda a sua vida. Fala também sobre questões de Fé e sobre os portugueses na Bélgica.

A fé esteve sempre presente na sua vida? Houve um ‘chamamento’ para se tornar padre?
Nasci e cresci numa família profundamente católica que, poderia dizer, não era do estilo tradicional da altura. Os meus pais educaram-nos, éramos nove irmãos, a querer aprender e perguntar as razões das coisas. Desde novo que me habituei a ter de enfrentar opiniões diferentes, incluindo acerca da religião.
Não considero que tenha tido um chamamento especial para me tornar padre. Penso que “Deus escreve direito por linhas tortas” e que me foi levando a pouco e pouco a ir tomando decisões, até chegar a entrar nos Dominicanos. Foram os acontecimentos que me fizeram ir evoluindo até mudar o meu objetivo de vida – de oficial da Marinha de Guerra – para religioso e padre numa Ordem de Pregadores.

Esteve na guerra onde e em que altura?
A viragem mais decisiva na minha vida deu-se durante a guerra em Angola, em 1964. Sendo imediato, tive de ficar a comandar um Destacamento de Fuzileiros Especiais (75 homens) em zonas nevrálgicas, no norte de Angola (na zona do rio Zaire) e em Cabinda (Lagoa do Massabi). Essa experiência foi tão forte que me fez repensar a vida. Uma constatação que me impressionou foi ver como a esmagadora maioria dos jovens com a minha idade, entre fuzileiros e civis, tinham tanto receio de Deus. Viam-nO como um castigador, que incute medo. Comecei então a pensar que valia a pena que me dedicasse a ajudar as pessoas a descobrirem que o que elas pensavam sobre Deus, era completamente diferente do que Jesus tinha ensinado e no qual eu acreditava.
Estava em zonas fronteiriças com países que eram hostis a Portugal e que davam apoio aos grupos de guerrilheiros angolanos que nós combatíamos. Tínhamos assim de ter muito contato com os serviços de informações e de contra-informações. Também acontecia fazermos prisioneiros durante as operações e patrulhas. Outra questão era a colaboração com os serviços especializados em “tirar informações” aos prisioneiros, usando, muitas vezes a tortura. Como comandante do Destacamento passei, apenas com 26 anos, a ter acesso ao “lado invisível” da guerra. Eu recebia informações e tinha de tomar decisões a que normalmente só se tem acesso quando se é muito mais velho.
Quem é confrontado com atrocidades em ambientes de guerra, é mais normal que ponha em questão a existência e a bondade de Deus.
Mas, de facto, não sei por quê, a mim aconteceu-me o contrário. Foi nessa altura que comecei a acreditar, com muita força interior, que Deus era mesmo um Pai para toda a gente. Se não fosse Pai e não quisesse que tivéssemos nascido para nos realizarmos e sermos felizes, as vidas de milhões e milhões de pessoas não teriam sentido, de tal modo vivem sem dignidade e numa constante luta pela sobrevivência.
Foi acontecendo algo de inexplicável: quanto mais as circunstâncias poderiam ter denegrido a imagem de Deus em mim, mais ia crescendo a forte convicção de que para Deus cada pessoa tinha um valor inestimável.
Fazer com que as pessoas descobrissem isso, poderia mudar as suas vidas e dar-lhes muita esperança.
Ter estado na guerra deu-lhe uma perspectiva diferente da importância da paz?
Completamente diferente. Passados cinquenta anos do início da guerra em Angola, em 2011, escrevi um pequeno artigo onde dizia que “a guerra é onde os contra-valores se apresentam como valores”. Fomo-nos habituando a ver as guerras como um espetáculo com os seus combates, bombardeamentos, destruições, mortos, …
Mas pior do que isso é a nossa maneira de avaliar esses acontecimentos, a ponto de justificarmos todas as acções destruidoras de pessoas como sendo um combate justo com um inimigo, que se torna uma entidade impessoal ameaçadora e sem rosto. Convencemo-nos, ou deixamo-nos convencer que estamos a lutar para salvar grandes valores: os direitos históricos, a defesa duma civilização, a democracia, o dever de combater o terrorismo, até mesmo poupar muitas vidas com informações obtidas por torturas, etc.
Todas as violências e destruições passam a ser feitas com a consciência em paz. Os contra-valores mais destruidores ficam transformados em grande valores. E isto, estou convencido, tem acontecido em todas as guerras. A meu ver é uma profunda degradação humana. O que vivi intensamente fez-me descobrir como a Paz entre as pessoas é fundamental para vivermos bem neste planeta. Vi que a Paz ainda é mais necessária do que a saúde. Um doente em paz vive melhor do que uma pessoa saudável sempre em conflito.
Acreditando que Deus é Criador e Pai, reconhecemos que somos o produto de um Amor imenso e que somos criados com uma grande capacidade para amar e para viver em comunhão com os outros; mas que na maioria das pessoas essa capacidade anda adormecida ou é mal utilizada. Não podemos ficar satisfeitos com um desejo instintivo de paz. Este desejo deve ser transformado numa firme convicção pessoal e desenvolver um profundo sentido de responsabilidade pela construção da Paz.
E se acreditamos que ao longo da caminhada da vida não estamos sós, mas que Jesus está vivo conosco, experimentamos que com Ele somos capazes de fazer coisas maravilhosas muito além do que sonhávamos.
É bom descobrir que a Paz nunca está sozinha. Tem muitas amigas e amigos que a acompanham: a esperança num mundo mais humano, o bem comum, a confiança mútua, a procura da beleza, a procura do amor duradouro, a procura da justiça, o sentido da responsabilidade, a capacidade de fazer boas escolhas, a partilha, a humildade, o valor de cada pessoa e muitos outros…

A mudança de vida da Marinha para a de padre, foi rápida?
Em plena guerra no Ultramar sair da Marinha, sendo oficial de carreira – e não do serviço militar obrigatório -, só poderia acontecer por doença muito grave ou por deserção. Estavam fora dos meus planos procurar obter atestados médicos falsos ou desertar. Estava convencido que se Deus queria que fosse padre, havia de fazer com que o Ministro da Marinha me deixasse sair.
Depois dum processo difícil, tendo chegado até ao diálogo com o Ministro recebi um claro “Não, nem pensar!“ Só umas semanas mais tarde, para grande surpresa e alegria minha, ele me veio a conceder a tão desejada licença que me permitiu entrar na ordem dos Dominicanos e dar inicio ao meu noviciado. Já lá vão 50 anos.

Por quê a Ordem Dominicana?
Também não encontro nenhuma razão especial. Nessa altura não conhecia nenhum dominicano e apenas conhecia as numerosas referências a eles na História de Portugal e da Igreja. Quem me sugeriu que fosse “bater à porta” dos Dominicanos foi um bom amigo meu que tinha sido noviço dominicano no convento de Fátima e que continuava amigo dos frades pregadores. Foi assim que os conheci.
Mudei de ramo, mas por coincidência pude manter a cor branca da farda da Marinha, pois o hábito dos dominicanos também é branco.
Apesar de conhecer alguns padres seculares que muito contribuíram para a minha formação cristã desde criança – Manuel de Almeida Trindade, Manuel Vieira Pinto e Alberto Neto, entre outros – tinha o desejo de entrar numa Ordem religiosa onde a oração e a evangelização tivessem um lugar importante.

O que define a Ordem Dominicana?
O nome oficial é Ordem dos Pregadores, que deu origem a uma grande Família com variados ramos: monjas de clausura, frades, leigos (adultos e jovens) e religiosas de vida ativa. Espalhados pelos cinco Continentes, reúnem-se em mosteiros, conventos, fraternidades, congregações, famílias, equipas e movimentos. Na origem desta Ordem e da Família que dela nasceu está um homem cuja vida teve uma extraordinária fecundidade evangélica: Domingos de Gusmão (1170-1221). A Ordem foi fundada em 1215, estando a festejar-se presentemente os seus 800 anos. Os dominicanos chegaram a Portugal em 1217.
Na carta que o Papa de então escreveu a Domingos diz-se: “para que vos entregueis à proclamação da Palavra de Deus, evangelizando pelo mundo inteiro o nome de Nosso Senhor Jesus Cristo”. A Ordem foi instituída especialmente pela necessidade que havia da pregação. Até então, na Igreja Católica apenas os bispos pregavam, como no tempo dos Apóstolos, e por isso, como os padres não podiam pregar, a grande maioria dos cristãos durante gerações seguidas, tinham as devoções, as procissões, ouviam contar as vidas dos santos e praticavam os sacramentos, mas não conheciam o Evangelho. A fundação da Ordem Dominicana, juntamente com a Ordem Franciscana, criada na mesma altura, abriu um nova etapa na História da Igreja.

Portugal e Bélgica são países com relações seculares?
Sim, remontam ao primeiro rei de Portugal. D. Teresa, filha de D. Afonso Henriques casou-se em 1184 com Filipe da Alsácia, Conde da Flandres. Mas foi sobretudo em 1430, com o casamento de D. Isabel, filha de D. João I, com Filipe, o Bom, Duque de Borgonha, que se deu a primeira grande entrada de emigrantes portugueses, porque ela foi para Bélgica (então chamada Flandres) acompanhada por muitos portugueses e portuguesas.
No século XX a imigração portuguesa na Bélgica começou por volta dos anos 50 com a vinda, organizada entre os governos, de trabalhadores para as minas de carvão, e depois nos anos 60 e 70, para fugirem da pobreza e da guerra colonial. A vinda mais numerosa deu-se a partir de 1986, com a entrada de Portugal na União Européia.

De que forma o seu percurso o levou até à Bélgica, onde é o único padre português no meio dos portugueses?
Mais uma vez poderia dizer que “Deus escreve direito por linhas tortas”. Antes de vir para Bélgica em 2001, já tinha vivido cerca de oito anos em países de línguas francesa e inglesa. Também tinha colaborado intensamente a nível europeu com o ramo dos leigos da Ordem Dominicana. Quando começou a ser preparada a nova Comunidade Internacional Dominicana em Bruxelas, pediram voluntários e eu ofereci-me.
Uma parte muito importante do trabalho pastoral que passei a ter com os portugueses, para além do “tesouro” que era a catequese de crianças, jovens e adultos, foi criar “pontes” e relações humanas com as associações portuguesas, com as festas dos portugueses na Bélgica, com o consulado e a embaixada de Portugal, com o ensino da língua portuguesa e com os funcionários portugueses no Conselho, na Comissão e no Parlamento Europeu.
Como na Diocese de Bruxelas há mais de 40 comunidades católicas de origem estrangeira era preciso estabelecer contatos com elas. Por outro lado, dada a importância em Bruxelas da religião muçulmana, também foi importante conhecer e contatar com responsáveis e grupos muçulmanos. A minha função na Bélgica como pastor foi muito além de celebrar missas e sacramentos.
Em 2010 comecei a colaborar em dois programas semanais de rádio – ‘Raizes de Cá’ e ‘Constuir sobre a rocha’ – que têm sido uma experiência formidável de contato com todo o tipo de portugueses e de amigos dos portugueses.

Nos seus quase 15 anos na Bélgica, acompanhou os portugueses. A comunidade portuguesa mudou?
A designação de “comunidade” portuguesa que se usa constantemente na comunicação social e nos discursos políticos não me parece muito adequada. De facto, na Bélgica como noutros países não há propriamente uma “comunidade” portuguesa . Há portugueses e luso-descendentes que na prática têm muito pouco em comum, muitas vezes nem sequer o uso da língua portuguesa.
Apesar de haver, felizmente, algumas exceções, dum lado temos os chamados “imigrantes”, dos quais fazem parte sobretudo trabalhadores da construção civil e empregadas domésticas e porteiras, e do outro os chamados “expatriados” que incluem os funcionários da União Europeia e os quadros de grandes empresas. São dois grupos distintos que vivem em mundos completamente separados.
No que diz respeito aos trabalhadores portugueses nota-se que têm feito um grande evolução social e cultural desde que aqui chegaram.
As comunas de Ixelles e de Saint-Gilles continuam a ter uma concentração de cafés, restaurantes, lojas e até associações portuguesas. Até há um largo com uma estátua do Fernando Pessoa. Mas os portugueses, sobretudo na região de Bruxelas, vão estando cada vez mais espalhados. Já não se pode dizer que em Bruxelas há uma “lusotown”.
A última estatística oficial do governo belga, de 2010, refere que a população de origem portuguesa aumentou 45% na Flandres. Muitos dos portugueses que estão na Bélgica há 15, 20 anos ou mais, depois de terem casa própria em Portugal, desejam também comprar uma casa na Bélgica, pois os filhos e os netos vão continuar a viver no país. Vão então residir nas comunas flamengas à volta de Bruxelas, onde as casas são a preços mais acessíveis. A título de exemplo: as famílias das cerca de 150 crianças e jovens que estavam na catequese em Ixelles em 2015, viviam em 31 comunas diferentes, embora a cidade de Bruxelas tenha apenas 19. Para virem até à igreja muitos pais têm de fazer mais de 10 ou 15 quilómetros
Atualmente, em Bruxelas, a grande maioria dos trabalhadores e trabalhadoras portugueses são oriundos sobretudo dos distritos de Viseu e de Vila Real. Há também uma imigração dos anos 60 e 70 que veio do Alentejo. Nesta imigração, uns foram chamando os outros e por isso, quando chegavam tinham pessoas conhecidas e familiares que lhes iam dando os apoios indispensáveis.
Há agora um fenómeno novo: os que chegaram nos últimos quatro ou cinco anos que não só não têm apoios familiares na Bélgica, como também não sabem falar a língua francesa e ainda menos o flamengo. Como estavam em situações difíceis em Portugal, acreditaram em promessas e vieram para “tentar a sua sorte”. Então começam as dificuldades, por vezes intransponíveis, e os dramas pessoais e familiares vão surgindo.
A meu ver é preciso dizer-lhes: “não vão para a Bélgica apenas com promessas vagas de trabalho e de alojamento”. Grande parte não consegue trabalho declarado e vai aceitando trabalhos precários e não declarados, ficando completamente dependentes de pessoas que as vão explorar. Além disso o processo de aluguer de casa exige muita burocracia e os preços são elevados.
Para ajudá-los, há serviços de voluntários, quer portugueses, quer belgas, como o ‘SOS a quem chega’ e outros, mas que não têm mãos a medir para ajudar. Há também outro tipo de imigração recente que é composta de jovens qualificados, por exemplo enfermeiras e engenheiros entre outros, que conseguem trabalho declarado e com boas condições económicas. Ainda é cedo para ver se vão ficar pela Bélgica.
Quanto aos trabalhadores da construção civil contratados por empresas portuguesas e a trabalhar em grandes obras, uma grande parte passa aqui apenas alguns meses enquanto há trabalho. Só uma pequena parte consegue ficar pela Bélgica. Como as leis a nível europeu estão a mudar, vamos ver qual será o futuro desta imigração na Bélgica.
Desde 1986, há também uns milhares de portugueses que são funcionários na União Europeia.

Há pouco falou no “tesouro” que é a catequese. Não se referia apenas à questão dos ensinamentos religiosos…
As duas comunidades católicas portuguesas em Bruxelas têm uma catequese de oito anos. É caso único entre as Comunidades Católicas de origem estrangeira, que só em Bruxelas são mais de 40.
As catequeses portuguesas são bem organizadas. O que se verifica nestes últimos anos é que a percentagem de crianças que tem aulas de língua e cultura portuguesas vai diminuindo. Assim, sobretudo as crianças mais novas, não só têm um vocabulário muito reduzido em português, mas sobretudo não sabem ler, nem escrever na nossa língua.
Ora, os catecismos utilizados são em língua portuguesa, o que torna a comunicação entre catequistas e crianças muito mais difícil, obrigando a tradução constante. Além disso, se pensam e falam todo o dia em francês, como é que vão conseguir rezar na língua dos pais, que já não é a deles? Podem decorar fórmulas, mas sem terem uma comunicação pessoal com Jesus. Na vida quotidiana das famílias não há práticas cristãs como seja: oração, ler a Bíblia, discutir questões de fé ligadas à vida do dia-a-dia. É para mim um grande desafio ajudar as pessoas a viverem a sua fé também em família.

Este é o Ano Santo da Misericórdia, decidido pelo Papa Francisco e que se prolonga até 20 de novembro de 2016. Mas o que é ser misericordioso?
Se é difícil de explicar o significado de “ser misericordioso”, felizmente os gestos e as atitudes de verdadeira misericórdia são bem entendidos pelas pessoas que os recebem.
Um gesto vale bem mil palavras. Apenas duas situações de que fui testemunha.
Um jovem casal português vive num apartamento em Bruxelas. Tem uma vizinha que foi fazer várias queixas contra eles ao administrador do prédio. O casal começou a detestar essa vizinha, que só lhes estava a levantar problemas. Um dia a mulher disse ao marido que no fim-de-semana ia convidar a vizinha irritante par almoçar em casa deles. A vizinha ficou muitíssimo espantada. Foi, conversaram, e no final já o ambiente entre eles era diferente. Uns dias depois a vizinha foi levar-lhes um vaso com flores e agradecer-lhes.
Outra situação: Um casal português batizou um filho na igreja portuguesa e a seguir foram para um restaurante perto da igreja. À saída da igreja, um velho pedinte, pede uma moedinha para comer. O pai da criança disse-lhe simplesmente: ”Venha almoçar connosco”. Ele foi e eu fiquei ao lado dele e senti bem o cheiro de quem não costuma lavar-se. Os convidados estavam muito espantados, mas não disseram nada. O homem almoçou bem e foi-se embora. O pai da criança fez exatamente o que Jesus fazia.
Sem dizer palavra deu-me a mim e aos convidados uma grande lição de Evangelho, que valeu por muitos sermões. Um gesto de misericórdia é mais eloquente que muitas palavras.

Mundo Português – Ana Grácio Pinto

 

Refugiados e migrantes: a força das imagens

Refugiados e migrantes: a força das imagens

Há fotografias que, de alguma forma, contribuíram para mudar a história porque foram capazes de inquietar as consciências, de suscitar a indignação da opinião pública e, por isso, de influir sobre a política.

Não sabemos se as novas imagens de refugiados e imigrantes premiadas com o Pulitzer e que narram a história destes dias difíceis – demasiadas vezes marcados por tragédias, com carcaças marítimas que se afundam, levando atrás dezenas, por vezes centenas de vidas – servirão para convencer os governos do Velho Continente a reabrir as fronteiras, a trabalhar para disponibilizar canais humanitários seguros, oferecendo acolhimento sem fazer muitos cálculos.

Certo é que testemunham até agora diante da história a hipocrisia de uma Europa débil e tudo menos unida. Mas testemunham também como o drama dos refugiados e migrantes permanece central na narrativa do hoje. Não é um acaso que precisamente alguns destes instantâneos – devastadores e todavia capazes de exprimir beleza até na tragédia – se tenham tornado símbolos. Porque nada mais do que uma fotografia consegue expressar a dramaticidade da realidade de crianças, idosos, homens, mulheres em fuga da guerra e da pobreza, situações tão desesperadas que não hesitam em arriscar a sua própria vida.

 

Lesbos, Grécia | Sergey Ponomarev | The New York Times | 16.11.2015 | D.R.pulitzer_20160421_pc_2

A Europa e o mundo inteiro tinham-se comovido diante da fotografia do pequeno Aylan, do seu corpinho sem vida – parecia dormir -, lambido pelas ondas no areal de Bodrum, na Turquia. E dali partiu a primeira tomada de consciência da parte da comunidade internacional do drama que, na quase total indiferença, se estava a consumar no Mediterrâneo. Mas nacionalismos e interesses particulares quase travaram aquele extemporâneo, ainda que importante, movimento de acolhimento.

A Europa, que não tinha brilhado quanto à solidariedade com os países na primeira linha na frente da emergência, deu um posterior passo atrás, chegando a levantar muros aqui e ali, fechando e blindando as fronteiras. Mas que coisa pode parar quem não tem mais nada a perder? Nada. Contam-no outras fotografias tiradas ao longo das fronteiras da rota balcânica. E uma em particular, disparada por Warren Richardson Hope, premiada há alguns meses com o World Press Photo, resgata a força do desespero de quem foge à procura de futuro: de noite, um homem passa a outra pessoa um recém-nascido sob o arame farpado na fronteira entre a Sérvia e a Hungria. Também esta é uma das imagens símbolo daquela que o papa Francisco definiu como a maior catástrofe humanitária desde o fim da II Guerra Mundial.

 

Croácia | Sergey Ponomarev | The New York Times | 18.9.2015 | D.R.pulitzer_20160421_pc_3

 

Imagens a que se vão juntar as de um outro prestigiado reconhecimento jornalístico, o Pulitzer, que premiou as fotografias dos fotojornalistas do “New York Times” e da agência Reuters sobre o drama que se está a consumar no Mediterrâneo e nos Balcãs. O que fez o diário vencer o prémio foram sobretudo as fotografias de Tyler Hicks, Daniel Etter, Mauricio Lima e Sergey Ponomarev. Em particular aquelas sobre uma família síria, os Majid, em fuga da guerra. Lima e Ponomarev acompanharam os Majid durante 40 dias, viajando com eles de comboio, autocarro e barco, e sobretudo a pé.

A equipa fotográfica da Reuters, por seu lado, foi premiada pelas imagens tocantes de embarcações de migrantes em ilhas da Grécia. Fotografias que narram o medo e o sofrimento de uma viagem perigosa e extenuante, a angústia diante de uma cerca de arame farpado controlada pela polícia, mas também as lágrimas de alegria ao chegar a uma praia, a gratidão por uma mão que te salva, a ternura de um abraço a um filho amedrontado. É preciso desejar que no futuro não hajam mais fotografias de refugiados e migrantes a premiar. Porque significaria que se teria encontrado uma solução para o problema. Mas é inútil ter demasiadas ilusões, pelo menos para o futuro imediato. A realidade, infelizmente, continua dramática. Como confirmam as dezenas de fotografias que as agências continuam a enviar diariamente das costas do Mediterrâneo e das fronteiras balcânicas. E que constituem outros tantos atos de acusação à fortaleza Europa.

 

Mauricio Lima | The New York Times | 5.9.2015 | D.R.pulitzer_20160421_pc_4

 

Eslovénia | Sergey Ponomarev | The New York Times | 22.10.2015 | D.R.pulitzer_20160421_pc_5

 

Croácia | Sergey Ponomarev | The New York Times | 18.9.2015 | D.R.pulitzer_20160421_pc_6

 

Budapeste, Hungria | Mauricio Lima |The New York Times | 1.9.2015 | D.R.pulitzer_20160421_pc_7

 

Idomeni, Grécia | Mauricio Lima | The New York Times | 28.11.2015 | D.R.pulitzer_20160421_pc_8

 

Fronteira Macedónia-Grécia | Mauricio Lima | The New York Times | 28.11. 2015 | D.R.pulitzer_20160421_pc_9

 

Sérvia | Mauricio Lima | The New York Times | 30.8.2015 | D.R.pulitzer_20160421_pc_10

 

Macedónia | Mauricio Lima | The New York Times | 21.11.2015 | D.R.pulitzer_20160421_pc_11

 

Lesbos, Grécia | Mauricio Lima | The New York Times | 1.11.2015 | D.R.pulitzer_20160421_pc_12

 

Kos, Grécia | Daniel Etter | The New York Times | 15.8.2015 | D.R.pulitzer_20160421_pc_13

 

Yannis Behrakis | Thomson Reuters | 11.8.2015 | D.R.pulitzer_20160421_pc_14

 

Lesbos, Grécia | Alkis Konstantinidis | Thomson Reuters | 13.9.2015 | D.R.pulitzer_20160421_pc_15

 

Lesbos, Grécia | Yannis Behrakis | Thomson Reuters | 19.10.2015 | D.R.pulitzer_20160421_pc_16

 

Lesbos, Grécia | Yannis Behrakis | Thomson Reuters | 24.9.2015 | D.R.pulitzer_20160421_pc_17

 

Kos, Grécia | Yannis Behrakis | Thomson Reuters | 12.8.2015 | D.R.pulitzer_20160421_pc_18

 

Fronteira Sérvia-Hungria | Bernadett Szabo | Thomson Reuters | 27.8.2015 | D.R.pulitzer_20160421_pc_19

 

Idomeni, Grécia | Yannis Behrakis | Thomson Reuters | 10.9.2015 | D.R.pulitzer_20160421_pc_20

 

Bicske, Hungria | Laszlo Balogh | Thomson Reuters | 3.9.2015 | D.R.pulitzer_20160421_pc_21

 

Fronteira Áustria-Alemanha | Michael Dalder | Thomson Reuters | 20.10.2015 | D.R.pulitzer_20160421_pc_22

 

Lesbos, Grécia | Tyler Hicks | The New York Times | 1.10.2015 | D.R.pulitzer_20160421_pc_30

 

Idomeni, Grécia | Yannis Behrakis | Thomson Reuters | 10.9.2015 | D.R.pulitzer_20160421_23

Gaetano Vallini
In L’Osservatore Romano”, 21.4.2016
Trad.: Rui Jorge Martins
Publicado em 21.04.2016

Jihadismo radical: “A ameaça chegou ao nosso quintal”

Jihadismo radical: “A ameaça chegou ao nosso quintal”

Ana Rodrigues, rádio renascença

Depois de 20 anos a estudar o fenómeno, o coronel de Infantaria Nuno Lemos Pires escreveu um livro onde apresenta estratégias para vencer grupos como a Al-Qaeda, o Boko Haram ou o Estado Islâmico.

Nuno Lemos Pires é um coronel do Exército que se dedica há mais de 20 anos a estudar o fenómeno do jihadismo. O resultado é o livro “Resposta ao jihadismo radical” lançado esta quinta-feira, em Lisboa.

Nesta obra, o militar e historiador apresenta políticas e estratégias para vencer grupos como a Al-Qaeda, o Boko Haram ou o Estado Islâmico.

Porque “a ameaça chegou ao nosso quintal”, já não é possível virar a cara e fingir que não se passa nada, alerta em entrevista à Renascença. A urgência de apresentar uma resposta ou várias respostas levou-o a escrever este livro, que começa por mostrar como aqui chegámos.

“Há três factores potenciadores que estão na origem daquilo que estamos a viver: alterações climáticas, pressão demográfica e uma enorme crise de valores, sistema de valores”, elenca Lemos Pires, sublinhando que o jihadismo ganha contornos cada vez mais dramáticos e chegou ao coração da Europa.

Mas qual o trunfo dos grupos radicais? Os recrutadores fornecem um sentido de vida aos jovens que vivem completamente desapegados, não têm emprego, sem esperança de integração social, que são mal tratados pelo sistema. “De repente aparece-lhe alguém que lhes dá uma ideia de pertença, poder, família, dá-lhes a organização e dá-lhes explicações muito simples”.

Resta saber, refere o autor, “se os europeus vão ser capazes de estar à altura e trabalhar em conjunto. Já que uns estão mais preocupados e empenhados que outros”.

Para este coronel de Infantaria é preciso entender “que não há uma resposta só politica, só militar ou só económica. O problema só se resolverá com muita persistência ao longo dos próximos anos”.

Uma estratégia em três palavras

Neste livro propõe uma estratégia imediata que pode ser resumida em três palavras: “drones, lones and fones”.

“O uso de drones (elementos não tripulados) num combate indirecto para se ter a certeza que quem está a fazer este tipo de acção não se pode sentir à vontade para o fazer. Lones está relacionado com o fluxo de dinheiro, que tem de ser controlado. A última é Fones – expressão que quer dizer telefones, comunicações – porque como é óbvio é preciso um grande controlo sobre as comunicações destes grupos de e para fora na propaganda e na contra propaganda, na informação e nos media e na comunicação entre os próprios grupos terroristas”, explica.

Nuno Lemos Pires lembra que o “problema do jihadismo radical tem tanto tempo como o Islão”. Uma resposta só pode ser abrangente e direcionada no tempo. Uma tarefa “ para as duas próximas gerações”.

http://rr.sapo.pt/noticia/51753/jihadismo_radical_a_ameaca_chegou_ao_nosso_quintal

 

Papa vai a Lesbos para voltar a pôr os refugiados nos radares do mundo

Papa vai a Lesbos para voltar a pôr os refugiados nos radares do mundo

O presidente do Conselho Pontifício da Justiça e Paz não compreende porque é que os países não se juntam para impedir o Estado Islâmico de conseguir armas e dinheiro.

O Papa viaja no próximo sábado para a ilha grega de Lesbos com o objetivo de abanar a consciência do mundo pela situação dos refugiados, diz o cardeal ganês Peter Turkson, que é presidente do Conselho Pontifício da Justiça e Paz.

“A visita será uma nova tentativa para colocar sob o olhar mundial a situação dos refugiados e, ao mesmo tempo, as suas causas. E vai interpelar o mundo e a consciência global para se fazer alguma coisa para evitar isto”, afirmou, em Roma, à margem de um encontro da Pax Christi Internacional, uma organização que faz campanha pela não-violência.

O cardeal africano diz não compreender como é que o mundo não se une para estrangular o acesso a armas e financiamento a grupos terroristas como o Estado Islâmico.

“O Estado Islâmico parece poderoso mas, na realidade, está a ser apoiado pelo dinheiro e pelas armas”, afirma. “Estas coisas são sempre importadas e compradas em grandes negócios de armamento. Porque não acabamos com isto? Porque não acabamos com o interesse em comprar o petróleo a baixo preço? É preciso mais empenhamento e sacrifício. Por isso, a visita do Papa vai ajudar a pensar qual poderá ser a solução válida a longo prazo para acabar com esta situação”, esclarece.

Turkson critica a forma como a Europa tem olhado para a crise dos migrantes e refugiados. “Porquê esta indiferença? A Grécia não pode ficar indiferente, porque é o país onde estão estas pessoas, mas as actuais medidas da Europa, que dá uma grande quantia de dinheiro à Turquia para que esta impeça a chegada destas pessoas, servem os interesses de quem? Talvez a Europa fique um pouco mais tranquila agora, mas por quanto tempo?”, afirma Turkson.

Igreja encara o mundo como “família de nações”

O Papa Francisco não marcou presença no encontro da Pax Christi Internacional, mas enviou uma mensagem em que voltou a descrever a realidade internacional atual como uma “guerra mundial às parcelas”.

“Como cristãos sabemos que é só considerando os nossos pares como irmãos e irmãs que seremos capazes de ultrapassar as guerras e os conflitos. A Igreja repete incansavelmente que isto é verdade não só ao nível individual, mas também ao nível dos povos e das nações, porque encara verdadeiramente a Comunidade Internacional como uma ‘Família de Nações’”.

http://rr.sapo.pt/noticia/51519/papa_vai_a_lesbos_para_voltar_a_por_os_refugiados_nos_radares_do_mundo

 

Vigília Pascal – Baptismo de Adultos Emigrantes

Vigília Pascal – Baptismo de Adultos Emigrantes

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Este ano, na Vigília Pascal, baptizaram-se 21 adultos da nossa comunidade de língua portuguesa de Esch/Alzette (sul do Luxemburgo). Em toda a diocese acontecerem 40 baptismos de adultos.

A maioria são emigrantes. Sinal do potencial evangelizador das comunidades, cada vez mais rosto de uma Igreja plural. Que alegria testemunhar que a comunidade Lusófona é o reflexo de uma Igreja sonhada por Deus: Ide por todo o mundo e fazei discípulos de todas as nações!

Como podeis ver nas fotos que se vão seguir os neófitos são oriundos de Portugal, Cabo Verde e Guiné-Bissau.

Dentro de duas semanas 120 adultos vão receber o sacramento do crisma na nossa comunidade lusófona. 

Os 21 neófitos concluem assim o seu caminho da iniciação cristã. Que não se fiquem por aqui desejamos que aprofundem e testemunhem a fé, na família, no trabalho e na Missão Católica de Língua Portuguesa, na certeza de que todo o serviço prestado contribua para a construção de uma só família humana!