(00 351) 218 855 470 ocpm@ecclesia.pt
Homenagem a D. António Francisco dos Santos – Nota da CEP

Homenagem a D. António Francisco dos Santos – Nota da CEP

Em homenagem a D. António Francisco

Foi com enorme tristeza e sentida consternação que recebemos a notícia do falecimento de D. António Francisco dos Santos, Bispo do Porto. Rezamos para que Deus Pai o acolha eternamente no seu Coração de Bom Pastor.
Como nos recorda D. Manuel Clemente, Presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, em profunda homenagem a D. António Francisco, «ele foi entre todos nós, em Portugal, entre todos nós que o conhecemos e que tanto ganhamos com a sua convivência e com a sua ação, uma belíssima imagem do que é Cristo Bom Pastor que continua presente na Igreja e na sociedade em geral».
Na certeza da esperança, acreditamos que continua bem vivo entre nós o seu grande testemunho de Homem e Pastor simples e humilde, cheio de sabedoria e próximo das pessoas, intensamente dedicado aos seus diocesanos e sempre disponível para servir a Igreja em Portugal.
As Exéquias Solenes celebram-se no próximo dia 13, quarta-feira, às 15 horas, na Sé Catedral do Porto. O corpo de D. António estará em Câmara ardente a partir das 17h00 de hoje. A Catedral estará aberta das 9h00 às 24h00.

Lisboa, 11 de setembro de 2017 P. Manuel Barbosa, Secretário e Porta-voz da CEP

Secretariado Diocesano de Migrações do Porto

Neste dia, em que, daqui a pouco celebraremos na Catedral o 7º dia da sua partida, com a serenidade possível, aqui vai.
O nosso conhecimento não veio apenas de ser meu Bispo durante os últimos três anos, mas de bastantes anos antes, pelo trabalho nas Migrações e outros relacionados, durante os quais me habituei a admirá-lo e amá-lo, pelos seus traços marcantes. O Senhor D. António Francisco tinha uma Pedagogia muito própria e eficaz, uma inteligência e uma memória invulgares e uma grande serenidade; mas tinha, sobretudo, uma enorme simplicidade, uma atenção e um cuidar de todos, que impressionavam. Os gestos e as palavras cheios de ternura, marcavam profundamente. Atento a todos e a cada um, não nos tratava como se fossemos “mais um” no meio da multidão; chamava-nos pelo nome e o seu olhar carinhoso e profundo, chegava ao interior do nosso coração.
Tinha atitudes que me deixavam (e a outros também) perplexa. A tal bondade de que muito se tem falado nestes dias, não era uma bondade vulgar; era uma bondade traduzida em gestos e palavras especiais, de forma de tal modo sublime, que espantava. O Senhor D. António Francisco agradecia tudo. Agradecia também aos que lhe faziam mal, àqueles que se lhe opunham rudemente ou o desrespeitavam; também aí havia sempre, de alguma forma, um agradecimento pelo acolhimento, etc… Fazia-o de uma forma absolutamente incompreensível para mim, simples mortal em caminhada de constante aperfeiçoamento. Era como se agradecesse por mais uma provação! Não entendemos… Por isso digo, sem dúvida ou receio de faltar à verdade, que o Senhor D. António Francisco é um santo! Essa sua bondade e capacidade de aceitação, não eram apenas “naturais”. Sim, o Senhor D. António Francisco era genuíno, as suas palavras significavam exactamente aquilo que dizia, mas toda a sua forma de actuar, nas mais diversas circunstâncias, tinha bem vincada, a marca da santidade.
Não tenho dúvidas de que, nesta nova dimensão, estará sempre connosco, ajudando e orientando, intercedendo por nós!
Particularmente, guardo boas lembranças, de momentos de partilha: de um simples cálice de vinho do Porto na Casa Episcopal de Aveiro, às brincadeiras entre Sacristias improvisadas e “telemóveis enfiados no bolso do casaco”, passando pelas nossas várias conversas mais particulares e sérias no piso -2 da Casa Diocesana do Porto e pelo seu interesse e preocupação pelo meu estado de saúde, tantas vezes manifestados.
Com muita satisfação e carinho, guardo, do nosso último encontro, antes de férias, um sentido abraço e os repetidos pedidos de desculpa por não ter conseguido ir ver-me ao Hospital.
Muito grata, querido D. António Francisco! Até breve!
Maria Viterbo – Secretariado Diocesano das Migrações e Turismo – Porto – 18 de Setembro de 2017

Morreu D. António Francisco dos Santos

Acordamos hoje, com a triste notícia do falecimento do António Francisco dos Santos, presidente da Comissão Episcopal da Pastoral Social Mobilidade Humana.

Agradecemos as condolências até agora enviadas e gostaria de solicitar  que  nos auxiliassem na homenagem merecida que lhe queremos prestar.

No fundo pedia-vos a memória do impacto do Serviço que prestou no campo das migrações, a menina dos seus olhos.

Nesta hora de pesar que memórias de gratidão? Após a recolha colocaremos na nossa página.

Em comunhão e unidos em oração

Obra Católica Portuguesa de Migrações

LUTO NA IGREJA EM PORTUGAL
Oremos pelo eterno descanso do senhor bispo do Porto que a nossa Comunidade de Língua Portuguesa do Luxemburgo teve a alegria de acolher em Maio de 2016 na sua visita pastoral à Diáspora.
O saudoso D. António Francisco dos Santos era o actual presidente da Comissão Episcopal da Pastoral Social e Mobilidade Humana (Migrações).
Enquanto esteve no meio de nós visitou Esch-sur-Alzette, Cidade do Luxemburgo, Schieren, a Comunidade da Prisão de Schrassig e presidiu à 49ª Peregrinação nacional ao Santuário de Wiltz.
Recordemos o bom pastor do Porto na esperança e na gratidão a Deus.
Oremos em silêncio.

Apresentamos à Diocese do Porto, Conferência Episcopal Portuguesa, Comissão Episcopal da Mobilidade Humana e à Obra Católica Portuguesa de Migrações as nossas sinceras condolências.
Contai com a oração na esperança da Comunidade Portuguesa e Lusófona do Luxemburgo.

P. Rui M. da Silva Pedro cs.

Partiu um amigo da nossa família
Hoje morreu um Homem Santo!
Um Homem Santo, que antes de ser Bispo era Padre, e antes de ser Padre era um Homem, e era um Homem bom.
Um Homem Santo, que transbordava alegria no olhar, e a todos deixava alegres.
Um Homem Santo, capaz de deixar tudo e todos para vir abraçar uma criança do outro lado da multidão, e que se baixava para lhe apertar os atacadores dos sapatos “para que não tropeces”.
Um Homem Santo, que deixava a cadeira do poder para ir jantar com os pobres, mesmo sem se saber e sem necessidade que se soubesse.
Um Homem Santo, sempre preocupado com todos mais do que consigo mesmo.
Um Homem Santo, muitas vezes só como muitos estão sós em cidades grandes cheias de gente.
Um Homem Santo, simples humilde sincero, que aproveitava a visita dos amigos para “fugir” dar uma volta a pé e acabar Feliz no Santini a comer um gelado…
Hoje morreu um Homem Santo, partiu para a “Casa do Pai”, como tantas vezes dizia, que lá tenha o descanso merecido. Para esta família simples este Santo permanecerá.
Que interceda por nós Dom António Francisco, querido amigo.
Zé Cupido Ventura e Sónia Cunha Neves

Um homem bom. uma perda imensa

“É preciso que a Igreja ouça quem dela fala e leia quem sobre ela escreve”. O apelo de D. António ecoou na Igreja dos Clérigos, naquele apressado final de tarde. Já maio se fazia junho. A hora e o dia não ajudavam. A assistência ficou aquém. Mas, amigo dos autores do livro* sobre o qual fora convidado a falar, António Francisco não hesitou e foi o primeiro a ter uma palavra de motivação. Explicaria que era impossível ficar indiferente àquela leitura. Que entendia o que o autores queriam dizer à Igreja, aos crentes e não crentes, sobre o Papa Francisco.
Na sua simplicidade e abertura, António Francisco dos Santos era exemplo. Formado na École Pratique de Hautes Études Sociales, em Paris, homem da filosofia e da sociologia, vivera na primeira pessoa a experiência da laicidade francesa, a pastoral dos migrantes, as exigências de um cosmopolitismo em mudança, o desafio de uma Igreja sem amarras para ir ao encontro de cada homem e mulher. Era reconhecido o seu esforço de abrangência. Ainda bispo de Aveiro, impulsionou e apadrinhou encontros e iniciativas que levavam a debate visões díspares sobre assuntos nem sempre fáceis para a Igreja. Era disso que ele gostava. De um diálogo difícil, em ambientes sem alarido mediático, que, na diferença e pela diferença, elucida e aproxima as pessoas do essencial.
Raramente deixava alguém sem resposta. Era um homem de proximidades. Cândido na conversa e suave nas palavras. E de ação discreta. A gestão de uma diocese como a do Porto causava-lhe por isso algum desgaste emocional. Mas nunca o víamos publicamente sem um sorriso.
António era Francisco de nome, mas também de convicção. Um braço do Papa argentino. No estilo, na sintonia das ideias, no discernimento. Foi natural e óbvia a sua posição quando a Conferência Episcopal Portuguesa decidiu levar a votos a sensibilidade dos bispos quanto à possibilidade de os divorciados recasados poderem comungar. Sendo um homem do pensamento, colocava a lei e as normas no seu devido lugar. A pessoa concreta está primeiro.
Ainda agora nos deixou. E já está a fazer muita falta ao país, ao pensamento, em primeiro lugar aos amigos e a todos os que viam nele uma âncora. “Há que fazer sempre o discernimento com os sinais do tempo, assumir os desafios da cultura e estar sempre atento ao sopro imparável do Espírito”, disse naquela tarde na Torre dos Clérigos. Sendo António Francisco isto tudo e tudo o que isto implica, vai ser difícil substituí-lo na Igreja em Portugal. A ala do diálogo, dos que estão com Francisco, o Papa, perdeu um protagonista. Fica a esperança do bispo: “a revolução é mesmo imparável, mas vai precisar de muito tempo para se fazer”.
* Papa Francisco – A Revolução Imparável (Manuscrito), de António Marujo e Joaquim Franco
http://sicnoticias.sapo.pt/opiniao/2017-09-11-Um-homem-bom.-Uma-perda-imensa-1

 

Conclusões do Encontro Socio-pastorais das Migrações

Conclusões do Encontro Socio-pastorais das Migrações

Conclusões

XVII ENCONTRO NACIONAL DOS AGENTES SOCIOPASTORAIS DAS MIGRAÇÕES
Fátima, 15 de janeiro de 2017

Terminou, hoje, Dia Mundial do Refugiado e do Migrante, o 17º Encontro dos Agentes Sociopastorais das Migrações. Nos últimos três dias, em Leiria, reuniram cerca de 70 participantes, em torno da interrogação: “Refugiados: euros ou pessoas?”. Este é um encontro anual, promovido pela Obra Católica Portuguesa das Migrações, a Cáritas Portuguesa, o Departamento Nacional da Pastoral Juvenil e a Agência Ecclesia.

Face a uma Europa que teima em ignorar os valores que impulsionaram a sua união, não assumindo a solidariedade como um dos seus pilares mais fortes, deste encontro saiu reforçada a convicção do papel da Igreja e da sociedade civil como promotores de mudança de consciências e intervenientes no acolhimento e na integração de pessoas e famílias refugiadas. A necessidade deste reforço resulta da consciência da obrigação que têm em promover e defende a dignidade humana, sempre, mas sobretudo quando esta está ameaçada e também, neste caso, porque a Europa não está a ser capaz de assumir as suas responsabilidades, tendo vindo a mostrar-se, escandalosamente, “tímida” na resolução da crise da mobilidade humana que o mundo atravessa, em especial o Extremo Oriente. Na sequência dos trabalhos resultou ainda a confirmação de que os fluxos migratórios, e, de forma mais gravosa, o recente drama dos refugiados estão a esbarrar com uma Europa a ceder espaço a ideologias anti-humanas, pondo cada vez mais em perigo a paz no mundo.

O potencial da Europa para acolher refugiados é muito superior aquilo que surge vinculado nos discursos políticos. No início desta crise humanitária, disponibilizou-se a acolher um milhão de pessoas que estão a fugir da morte e, até agora, somente recebeu sete mil. A invocação de impossibilidades de ordem económica não é mais que um cínico subterfúgio, pois está provado que uma correta integração contribui até para o crescimento económico do país de acolhimento. Afirmar o contrário é não estar a ajudar a uma correta informação dos cidadãos europeus, gerando medos infundados que estão na origem de alguns comportamentos xenófobos e de rejeição ao acolhimento de refugiados. A defesa dos direitos humanos é uma garantia de segurança aos olhos de quem procura a Europa como local de destino e a não arbitrariedade nos critérios para o acolhimento é uma exigência ética. A defesa do fraco, que neste encontro se leu “refugiado”, é uma questão de justiça, que nunca existirá se não for dada preferência ao fraco. É necessário criar condições de um apoio humanitário imediato, defendendo a abertura de vias de acesso para que as pessoas se desloquem de forma segura e legal, para os países de acolhimento.

As novas relações inter-religiosas que têm sido suscitadas, no nosso país, estão a revelar-se num contributo fundamental para a integração das famílias refugiadas acolhidas por nós. Portugal está, assim, a dar um exemplo positivo, nesta matéria, à União Europeia, nomeadamente, com a resposta consensual ao nível politico. No entanto, revela-se uma resposta ainda curta para as expetativas e necessidades das famílias retidas, desumanamente, em campos de refugiados. É urgente que os portugueses deixem de lado uma “indignação de sofá”, estimulada pelos picos de informação e a exploração de casos dramáticos, para agirem numa indignação plena que leve ao verdadeiro compromisso. Para uma resposta pronta ao atual desafio de acolhimento às famílias que estão para chegar a Portugal, a PAR – Linha da Frente e as Organizações a ela associadas vão promover um reforço de sensibilização e consciencialização sobre o que é ser-se uma instituição de acolhimento. O objetivo é alcançar o desafio que foi lançado pelo Papa Francisco para que “cada paróquia, cada comunidade religiosa, cada santuário da Europa” possa receber, pelo menos, uma família de refugiados.

Deste Encontro saiu o apelo a todos os portugueses que é o de, constantemente, se perguntarem: qual a minha responsabilidade e que o que deverei fazer?

 

  ATENTADO CONTRA A VIDA, A LIBERDADE E A RELIGIÃO

COMUNICADO DO OBSERVATÓRIO PARA A LIBERDADE RELIGIOSA

O ataque a uma igreja no norte de França, enquadrável no que está a ser considerado como onda oportunista e difusa de brutal violência, acentua um tempo de perplexidade na Europa. “Já não se encontram mais palavras dizíveis” (1).

O Observatório para a Liberdade Religiosa (OLR) pronunciou-se noutras ocasiões sobre atos terroristas e vê-se na contingência de voltar a fazê-lo, relevando o carácter simbólico do sequestro desta manhã, na sequência do qual morreu um padre católico de 86 anos.

As autoridades francesas adiantam que os autores reivindicaram ligações ao Daesh. O ataque a uma igreja, a uma comunidade religiosa reunida pacificamente em culto, revela desprezo pela vida humana e pela liberdade religiosa. É evidente que se trata de mais um atentado contra a Liberdade e as liberdades, contra o mundo livre.

Estes atentados são da responsabilidade de criminosos que, na verdade, “procuram limitar as liberdades – também a religiosa -, agindo em nome de ideais que, pretendendo instaurar o medo e a instabilidade, servem apenas a barbárie” (1), visam destruir a civilização da Liberdade e dos Direitos Humanos.

“Entre os equívocos do presente está a interpretação do fenómeno religioso, que grupos marginais, armados, atuando isoladamente ou em grande escala, procuram fazer impor, confundindo e abusando da essência da religião e da religiosidade. Não nos cabe fazer uma avaliação exegética ou hermenêutica dos (con)textos religiosos, mas a forma como a religião e o fenómeno religioso se manifestam ou podem manifestar na construção de uma sociedade integradora, plural e pacífica. Reclamando uma matriz religiosa, esses intérpretes da religião revelam ser assassinos e delinquentes, agindo de forma cobarde, atacando os mais desprotegidos e (…) a própria cidadania que nos estrutura e explica enquanto sociedade. (…) Assumem-se como representantes de uma religião que também lhes tem asco. Querem que o mundo acredite que atuam com um sentido religioso, quando as evidências revelam que professam, isso sim, a desumanidade” (2).

O OLR insiste: “Perante a ameaça permanente da imprevisibilidade do terrorismo; perante as mutações do modo de viver na Europa, casa de acolhimento de gente que procura a Paz fora da sua terra natal; perante a escalada da xenofobia e da intolerância, cada vez mais respaldadas à dimensão político-partidária; perante um pensamento desintegrador e hostil, difundido também por centros imanentes de ideologias construídas para o confronto e para a violência; perante tudo isto, é necessário, é urgente, alargar o espectro de uma reflexão pragmática” (1).

Palco ao longo da história das maiores atrocidades, também com o argumento da pertença a um grupo religioso, a Europa soube cruzar a razão com a fé naquele que será um dos seus maiores legados para a humanidade, e precisa de uma importante reflexão política e cultural, abrangente e inclusiva, sobre a sua realidade social e religiosa, sob risco de – até por força da ampliação mediática – acontecimentos violentos desencadearem intolerância e segregação, comprometendo as liberdades. “O cenário extremo do “terror” deve ter como resposta a firmeza da cultura europeia da Liberdade e da Justiça” (1).

Pela experiência histórica, sabemos que a religião, capaz de construir relações de solidariedade e compaixão, contribuindo para o edifício ético, é usada também como combustível de guerra. “Se é um desafio para todos os que sustentam e se guiam pelos ideais da Liberdade baseados nos Direitos Humanos, é também, e sobretudo, um desafio individual e coletivo para quem se diz islâmico” (3).

Em nome da liberdade religiosa, o OLR manter-se-á fiel aos seus valores: “respeito pelo princípio das liberdades associativa, individual e de consciência; facilitar processos de diálogo cultural, especificamente o diálogo entre estruturas de crença, promovendo o respeito pelas diferenças e a responsabilidade social, para uma cidadania plena e ativa; sinalização e análise do Fenómeno Religioso; estímulo às práticas de cidadania a partir da observação dos direitos e deveres inerentes à Liberdade Religiosa, como a importância do estudo e produção de conhecimento isento relativo ao Fenómeno Religioso” (4).

O OLR sublinha que estes atentados têm a visibilidade mediática que outros, um pouco por todo o mundo e das mais variadas formas, não têm. E solidariza-se “com todas as vítimas daqueles que procuram com a violência e o terror, o que a razão não lhes confere” (1).

Observatório para a Liberdade Religiosa, 26 de julho de 2016

(1) Comunicado NICE: A LIBERDADE DE LUTO, 15/07/2016

(2) Comunicado A URGÊNCIA DE OBSERVAR O FENÓMENO RELIGIOSO, 21/12/2015

(3) Comunicado O TERRORISMO À PROCURA DO TERROR, 22/03/2016

(4) Carta de Princípios do OLR, 22/12/2014

 

Obrigado pela vossa presença… A Igreja de Cristo que se reúne em Luxemburgo precisa de vós.

Obrigado pela vossa presença… A Igreja de Cristo que se reúne em Luxemburgo precisa de vós.

Queridos irmãos e irmãs

Que alegria poder celebrar esta Missa que assinala o encerramento das festividades dos cinquenta (50) anos da Missão Católica Portuguesa.

As vossas manifestações de Fé, a vossa presença e as vossas tradições enriquecem o Luxemburgo.

E até o futebol…Eu fiquei muito satisfeito com a passagem de Portugal às meias-finais do Europeu de Futebol. E sabem porquê? Porque nós vivemos juntos, comemoramos juntos, temos a mesma Fé e pertencemos à Igreja de Cristo que se reúne no Luxemburgo.

Obrigado pela vossa presença no Luxemburgo.

Queridos irmãos e irmãs

No Evangelho de hoje, Jesus envia os seus discípulos, dois a dois, para anunciarem a alegria do Reino de Deus.

Muitos de vós tomaram a decisão de vir para o Luxemburgo à procura de um trabalho que garantisse um futuro melhor aos vossos filhos. Outros, talvez, vieram enviados por Deus, em missão, para poderem anunciar o seu Reino.

Quero dizer-vos que o mais importante é manter viva a Fé que sempre caracterizou o povo português. E o maior sinal da fé é o amor.

É muito simples: dar prioridade ao amor, em vez de a darmos ao dinheiro.

Manifestar a nossa Fé, como nos lembra o Papa Francisco, é simples: é viver o amor de Deus nas pequenas coisas, no seio da nossa família, viver juntos, em solidariedade com aqueles que têm menos do que nós.

Eu sei o quanto trabalham os portugueses, pai e mãe, para dar um futuro melhor aos filhos. Muito! Trabalham muito! E isso é bom, mas encerra um perigo muito grande…

Porque não é o dinheiro que vai dar sentido à vida dos vossos filhos, mas antes o amor…

O amor que todos põem nos sacrifícios. O amor é o mais importante.

Peço-vos que transmitam aos vosso filhos o sentido dos vossos sacrifícios, não para que caiam no materialismo, mas para que possam conservar o sentido da família que vós já herdastes dos vossos pais.

O amor à família que nos pequenos gestos da vida cristã não precisa de grandes palavras românticas.

O amor à família e aos filhos implica também o dever de dar uma formação religiosa às crianças. Sabem, com certeza, que as aulas de Religião, nas escolas, têm os dias contados. A catequese vai passar a ser feita exclusivamente nas nossas paróquias, e por isso peço-vos, de todo o coração: mandem os vossos filhos e netos à catequese.

Queridos irmãos e irmãs

A vossa vida vai estar sempre dividida entre o vosso país de origem, a vossa pátria, e o Luxemburgo, o país que vos acolheu. Há também os casos de filhos que optaram por escolher o Luxemburgo como pátria e que vão ser sempre portugueses no Luxemburgo e luxemburgueses em Portugal. (Isto, naturalmente, também se aplica às outras nações aqui presentes e que partilham a língua portuguesa). Peço-vos que aceiteis a decisão dos vossos filhos, ainda que algumas vezes vós tenhais sido vítimas de discriminação.

A Igreja não conhece a palavra “estrangeiros”. Estamos todos ao mesmo nível: somos irmãos e irmãs provenientes de muitos países, e com línguas diferentes.
No Luxemburgo, a Igreja e a vida cristã nem sempre são bem vistas, mas não tenham medo e dêem testemunho da vossa Fé. Partilhai a vossa Fé.

A Igreja de Cristo que se reúne em Luxemburgo precisa de vós.

Queridos amigos,

Hoje encerramos os festejos dos cinquenta anos da Missão Portuguesa, mas já estamos a preparar um grande acontecimento para a vida da nossa Igreja: a vinda da Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Fátima ao Luxemburgo.

No próximo ano, como penso que já sabem, a Virgem de Fátima vem visitar as nossas paróquias e as nossas famílias.

Como tive a ocasião de dizer em Wiltz, na peregrinação de Maio, a presença da Imagem de Nossa Senhora de Fátima no Luxemburgo vai ajudar a valorizar as famílias que temos.

Comecemos desde já a preparar a visita da Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Fátima, que será uma oportunidade para viver e experimentar a misericórdia de Deus através de Nossa Senhora.

Que ela possa ser acolhida com calor humano, alegria e grandes manifestações de fé.

Obrigado a todos, e que Deus vos abençoe.

D. Jean-Claude Hollerich

Arcebispo de Luxemburgo

Homilia 3 de Julho, Missa de encerramento do cinquentenário da Missão Católica Lusófona do Luxemburgo

50 ans de la Mission Portugaise – Voir les Photos :