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Migrações: Bragança-Miranda apoia família refugiada da Venezuela

Migrações: Bragança-Miranda apoia família refugiada da Venezuela

Bragança, 14 set 2018 (Ecclesia) – O Serviço Diocesano das Migrações e Minorias Étnicas de Bragança-Miranda está a acompanhar migrantes venezuelanos que escolhem a capital nordestina para viver e destaca-se em especial uma jovem família, com um filho que já nasceu em Portugal.

“Foi acarinhado pela Cáritas Diocesana e pela Associação Entre-Famílias que conseguiram, a tempo, providenciar o essencial para o enxoval do bebé”, disse a diretora Serviço Diocesano das Migrações e Minorias Étnicas.

Na nota enviada hoje à Agência ECCLESIA, pelo Secretariado das Comunicações Sociais
da Diocese de Bragança-Miranda, Fátima Castanheira conta que Diego, filho do jovem casal, nasceu nos primeiros dias de setembro.

“A equipa deste serviço diocesano apoiou e organizou a casinha que foi preciso pintar, compor, recuperar mobílias, tudo de forma rápida porque o pequeno venezuelano estava para chegar”, explicou.

Fátima Castanheira contextualizou ainda que a pequena casa que a jovem família alugou “precisava de quase tudo, desde mobílias, loiças, roupas entre outros bens essenciais”.

Segundo a diocese transmontana têm chegado ao seu território “venezuelanos à procura de um futuro melhor” e esperam, “para breve”, que cheguem outros elementos desta família que também escolheram Bragança para recomeçar as suas vidas depois de saírem da Venezuela, país que acolhe a segunda maior comunidade estrangeira de portugueses e vive uma crise económica e política.

Recentemente, na sua passagem por Portugal, a irmã Maria José Gonzalez, representante da Cáritas da Venezuela, alertou para o impacto da crise alimentar, da pobreza e da imigração, “um sofrimento de partir o coração”.

“Atinge os mais vulneráveis, os que vão sofrer danos irreversíveis, as crianças até aos 5 anos. Pedimos que a comunidade internacional torne esta crise visível”, destacou em declarações à Agência ECCLESIA e Rádio Renascença.

De assinalar que na Ilha da Madeira, de onde são provenientes muitos dos emigrantes portugueses atualmente radicados na Venezuela, a Paróquia da Sagrada Família também está a ajudar a integração de lusodescendentes.

CB

Migrações: Bragança-Miranda apoia família refugiada da Venezuela

 

Albuquerque salienta “humanismo” do padre Alexandre Mendonça, sacerdote na Venezuela; assegura que GR continuará a apoiar emigrantes

Albuquerque salienta “humanismo” do padre Alexandre Mendonça, sacerdote na Venezuela; assegura que GR continuará a apoiar emigrantes

O presidente do Governo Regional, Miguel Albuquerque, exaltou hoje a personalidade do padre Alexandre Mendonça, à margem de uma cerimónia realizada esta tarde na igreja do Piquinho, em Machico, assinalando os 30 anos de ministério do sacerdote madeirense na Venezuela.

O chefe do Executivo madeirense frisou a “admiração extraordinária pelo trabalho” do padre Alexandre Mendonça, personalidade que caracterizou como “humanista”, e que disse conhecer há muitos anos. “Lembro-me perfeitamente dum papel determinante, importantíssimo, que ele teve aquando da tragédia de Vargas. Eu fui o primeiro político português a lá ir e sou testemunha do esforço colossal e do empenho dele, em ajudar as famílias que tinham sido devastadas por aquelas tragédias”.

 

 

 

 

O sacerdote católico, referiu, continua a ser um “bastião da fé” junto da comunidade portuguesa, e madeirense em particular, na Venezuela, postura que considerou importante, dadas as dificuldades que as famílias de emigrantes lá estão actualmente a atravessar. 

A eucaristia foi co-celebrada pelo padre Alexandre Mendonça, capelão da Missão Católica Portuguesa em Caracas, juntamente com António Silva, pároco da igreja do Piquinho.

Miguel Albuquerque garantiu que o Governo Regional continuará a manter contactos e a apoiar a comunidade madeirense na Venezuela. Também se manifestou empenhado em auxiliar aqueles que regressam de todas as maneiras possíveis, pese embora o problema colocado por certas equivalências de habilitação junto dos mais jovens.

Já foram prometidas verbas do governo central para apoiar esta comunidade emigrante que agora regressa às origens, mas tarda em chegar. Algo de estranho nisso? Albuquerque acha que não, é “comme d’habitude”, como se costuma dizer em Francês, ironizou. De qualquer modo, referiu os contactos e as garantias dadas pelo secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Luís Carneiro, pessoa que “costuma cumprir a sua palavra” e da qual “tem a melhor impressão”.

“Entretanto, enquanto vem e não vem [a verba], nós vamos adiantando e ajudando, porque é isso que temos de fazer”, acrescentou, esclarecendo que se trata mais de um apoio na área da saúde e educação. Podem futuramente existir alguns problemas de alojamento, mas até agora não tem havido muitos; a maior parte dos emigrantes tem ficado em casa de familiares, afiançou.

Albuquerque salienta “humanismo” do padre Alexandre Mendonça, sacerdote na Venezuela; assegura que GR continuará a apoiar emigrantes

 

Entrevista: P. Alexandre Mendonça fala da Venezuela: “Convivemos com uma realidade de grande sofrimento”

Entrevista: P. Alexandre Mendonça fala da Venezuela: “Convivemos com uma realidade de grande sofrimento”

O Pe. Alexandre Mendonça, Capelão da Missão Católica Portuguesa em Caracas, presidiu à Novena dos Emigrantes na Igreja de Nossa Senhora do Monte na passada quinta-feira. Por  essa ocasião o Jornal da Madeira dialogou com este padre nascido na Madeira radicado na Venezuela há mais de 50 anos.

Jornal da Madeira – Pe. Alexandre Mendonça, como carateriza a atual situação da nossa comunidade na Venezuela?

Pe. Alexandre Mendonça – Em primeiro lugar, queria agradecer o acolhimento, a vossa oração e acompanhamento, pelo que está a acontecer, agradeço esta oportunidade. Como padre da missão há 27 anos, agradeço todo o carinho e apoio; estou na Venezuela há 50 anos, emigrei para lá aos 12 anos de idade; e em vários momentos, vim aqui agradecer a Nossa Senhora do Monte, por exemplo, aquando da tragédia de Vargas, em que recebemos uma grande ajuda dos madeirenses, em especial a presença de D. Teodoro de Faria e o seu acompanhamento espiritual.

Neste momento, convivemos com uma realidade de grande sofrimento que os meus amigos conhecem bem, têm mais informação do que nós próprios, os meios de comunicação social não podem transmitir e, pessoalmente, sei mais através da RTP internacional, que aproveito para pedir que continuem a nos acompanhar com as notícias, as festas, o futebol, porque neste momento ninguém pode dizer que está bem ou tapar o sol com a dedo…

“…MAS HÁ FOME, NÃO HÁ MEDICAMENTOS, HÁ INSEGURANÇA, A VIOLÊNCIA É CADA DIA MAIOR E ESTAMOS A VIVER DIAS DIFÍCEIS”

Jornal da Madeira – Há fome, muitas necessidades ?

Pe. Alexandre Mendonça – Sim, sofremos como sofre toda a gente, há fome na Venezuela e também na saúde muitas necessidades. Quem tem melhores condições enfrenta de maneira diferente e a nossa comunidade busca ter no seu próprio meio instituições que ajudam, como o Lar Pe. Joaquim Ferreira, a Academia do Bacalhau, a Academia da Espetada, e pessoas de boa vontade que se aproximam da Missão Católica e do Centro Português de Caracas. Mas há fome, não há medicamentos, há insegurança, a violência é cada dia maior e estamos a viver dias difíceis

Jornal da Madeira – O que é que as pessoas procuram mais na Igreja?

Pe. Alexandre Mendonça – A nível da Igreja não há farinha para fazer pão, mas estes momentos de crise aproximam muito mais as pessoas de Deus e de Nossa Senhora. Neste momento, temos a visita da Imagem Peregrina de Fátima, está no interior do país, ainda não chegou a Caracas, onde a situação é mais difícil, mas as pessoas têm fome de tudo, também fome espiritual, pois ‘não só de pão vive o homem’. Sou um amigo, um irmão e partilho tudo, recebo muito mais e dou tudo pela minha querida comunidade.

“AS PESSOAS NÃO EMIGRARAM COM AS MALAS VAZIAS, PORQUE LEVAVAM NO SEU CORAÇÃO A NOSSA SENHORA”.

Jornal da Madeira – Esta ligação com Fátima é especial, como vivem esta espiritualidade de Nossa Senhora?

Pe. Alexandre Mendonça – Onde está um português estão presentes a devoção e o amor a Nossa Senhora de Fátima. O amor é tão grande que Fátima já não é propriedade da comunidade portuguesa; bem dizia o Papa Paulo VI que Fátima é o Altar do Mundo; a devoção é tão querida e amada por tudo o mundo; e na Venezuela não há rincão que não tenha celebrado com muito amor, devoção e dignidade, este centenário (100 anos das aparições de Nossa Senhora em Fátima). Assim, no dia 12 (de maio), na sede da Missão Católica, o novo cardeal da Venezuela, Baltazar Porras, presidiu às cerimónias; no dia 13, foi o cardeal-arcebispo de Caracas, Jorge Urosa; e no domingo seguinte, um bispo auxiliar; também celebrei em distintas paróquias, para devotos de todas as nacionalidades, dado que já é uma celebração com várias línguas, em que toda a Venezuela vibra.

A propósito, tenho uma experiência muito linda, numa paróquia, onde estive 15 anos, uma paróquia em que tinha muitos afilhados, muitos deles pretinhos, e muitas chamadas Fátima, sem que tivessem familiares portugueses. Quer dizer, soubemos semear esse amor a Nossa Senhora, construindo capelas e pedindo que nos levassem uma imagem de cá; lográmos também, com a ajuda de todos, construir uma igreja consagrada a Nossa Senhora de Coromoto, a padroeira da Venezuela. As pessoas não emigraram com as malas vazias, porque levavam no seu coração a Nossa Senhora.

Jornal da Madeira – Em relação aos apelos do Papa Francisco, a sua preocupação e a sua imagem são bem acolhidos, têm relevância até ao nível político?

Pe. Alexandre Mendonça – No meio do povo, esses apelos e preocupações do Santo Padre provocam muita gratidão e fazem chegar às pessoas esperança, fé, para que a situação melhore. Agora, penso que no mundo político não produz muito efeito, está a vista de todos, não vale a pena explicar mais.

Jornal da Madeira – Padre Alexandre, acha necessário haver um “plano de emergência” para os emigrantes que queiram sair da Venezuela, caso a situação possa agravar-se?

Pe. Alexandre Mendonça – Sempre é melhor prevenir do que lamentar, diz um ditado venezuelano. Tudo o que se possa fazer para evitar maior sofrimento, é bem-vindo e, neste aspeto, tenho agradecido aos governos central e regional a sua presença, preocupação e empenho. Ainda há pouco estiveram lá os secretários de Estado e da Região, e graças a eles também participei no recente “Fórum Madeira Global”. Agradeço essa proximidade que a todos nos anima neste momento tão difícil que estamos a viver. Cada caso que se resolve lá é menos um problema que vem para cá, e aqui já há suficientes.

“NO MEIO DO POVO, ESSES APELOS E PREOCUPAÇÕES DO SANTO PADRE PROVOCAM MUITA GRATIDÃO E FAZEM CHEGAR ÀS PESSOAS ESPERANÇA, FÉ, PARA QUE A SITUAÇÃO MELHORE”.

Jornal da Madeira – A nível das pessoas que queiram regressar para cá, ou outro lugar, é fácil ou há obstáculos?

Pe. Alexandre Mendonça – Pelo aquilo que tenho ouvido ultimamente, parecer haver obstáculos para sair e entrar. Agora, honestamente, não conheço bem o assunto e quando não conheço prefiro não opinar.

Jornal da Madeira – Pessoalmente, como vive o seu ministério nesta situação, num país com estas dificuldades?

Pe. Alexandre Mendonça – Essa pergunta é curiosa porque as pessoas que souberam que vinha para cá perguntavam se ainda pensava voltar à Venezuela. Mas, moral e espiritualmente falando, uma pessoa que vive há 50 anos naquele país, com muitos anos de sacerdócio na comunidade tão querida, penso que deveria ser o último a abandonar o barco. Não tenho vocação de mártir, mas só quero uma Venezuela melhor, como grande nação que é e será, com fé em Deus e em Nossa Senhora.

Jornal da Madeira – A fé e o compromisso com o Evangelho de Cristo dão-lhe uma força especial para continuar…

Pe. Alexandre Mendonça – Se somos sacerdotes, temos a obrigação de ter esse sentimento, e ser os primeiros a transmitir com verdadeira confiança em Deus de que as coisas vão melhorar, porque o Senhor nunca nos abandona, somos nós que lamentavelmente nos distanciamos, como diz a Bíblia, tendo olhos que não veem, tendo ouvidos que não ouvem, mas o Senhor que tudo pode, cura a nossa cegueira e pode clarear melhor o que vemos e ouvimos.

“OXALÁ QUE OS QUE VENHAM PARA CÁ ENCONTREM UMA MÃO AMIGA E QUE NÃO SUCEDA QUE, COMO ACONTECE COM FREQUÊNCIA, AO CHEGAREM CÁ SEREM TRATADOS COMO VENEZUELANOS”

Jornal da Madeira – O que precisa neste momento com maior urgência, qual a ajuda que a nossa comunidade pode dar, o que podemos fazer?

Pe. Alexandre Mendonça – Aproveito para pedir a todos os leitores desta entrevista, que nos acompanhem com a sua oração, tenham muita fé em Deus, a Ele nada é impossível, quem a Deus tem nada lhe falta. Outra ajuda é para todos aqueles que venham para cá ou vão para outros países, porque não se pode tapar o sol com o dedo, há muito sofrimento na tomada de uma decisão… Oxalá que os que venham para cá encontrem uma mão amiga e que não suceda que, como acontece com frequência, ao chegarem cá serem tratados como venezuelanos. Como eu dizia no “Fórum Madeira Global”, lá somos tratados como portugueses, e isso muito nos honra, mas ao chegar à nossa terra não é agradável ser venezuelano. Oxalá encontrem na sua terra verdadeiro apoio e solidariedade, porque não se pode amar a Deus sem amar os irmãos mais necessitados.

Todos vivemos um momento propício para elevarmos a nossa fé e amor a Deus e a Nossa Senhora, na caridade que é a única que nos pode salvar e colocar em prática o que o Senhor nos pede, o amor uns pelos outros.

https://www.google.pt/search?q=Venzuela+-+Pe.+Alexandre+Mendon%C3%A7a&rlz=1C1PRFI_enPT730PT730&oq=Venzuela++-+Pe.+Alexandre+Mendon%C3%A7a&aqs=chrome..69i57.8287j1j8&sourceid=chrome&ie=UTF-8

 

Igreja: D. António Vitalino celebra 50 anos de sacerdócio (c/vídeo)

Igreja: D. António Vitalino celebra 50 anos de sacerdócio (c/vídeo)

D. António Vitalino, bispo emérito de Beja e religioso da Ordem do Carmo, celebra hoje as bodas de ouro da ordenação sacerdotal, destacando o ministério dedicado aos emigrantes.

“Os emigrantes foram sempre a minha paixão”, disse o prelado, em entrevista à Agência ECCLESIA, referindo o trabalho feito para ajudar estas pessoas, “conseguir contratos para os familiares, as mulheres, defendê-los junto da polícia, dos tribunais, nas fábricas”.

A ordenação sacerdotal aconteceu a 3 de agosto de 1968, no Santuário do Sameiro (Braga), e D. António Vitalino lembra que pediu “uma máquina fotográfica” com a qual “se fotografou a ordenação, a Missa Nova” e começou “a fazer fotografias” e depois slides; hoje, pede orações por si.

“Desejo que rezem por mim para que tenha juízo, e até à hora da morte. É realmente importante. Tenho tudo o que preciso, já tenho muita maquineta antiga”, pede.

O bispo emérito de Beja nasceu a 3 de novembro de 1941 em Barros, Vila Verde, na Arquidiocese de Braga, e lembra que na redação do exame da Quarta-classe escreveu que “queria ser missionário”.

As primeiras experiências foram as Ordens Franciscanas – os Frades Menores e os Capuchinhos -, seguindo-se o seminário Carmelita da Falperra, em Braga; depois do noviciado, D. António Vitalino pediu para ir para a Alemanha, explicando que “no Concílio Vaticano II os teólogos alemães se tinham distinguido muito”.

Enquanto estudava Teologia, descobriu os emigrantes, assistiu “às primeiras grandes levas” de portugueses para as “grandes fábricas alemãs”, e isso foi “providencial” para descobrir que a sua vocação “era mais entre o povo, era pastoral”.

“As autoridades precisavam de alguém que percebesse alemão e a língua dos portugueses”, assinala o entrevistado, que começou também “a traduzir documentos”.

Foi na emigração que D. António Vitalino encontrou “mais homens alentejanos numa celebração” – 220 trabalhadores que, depois de ouvirem os “seus direitos”, participaram “todos” na Eucaristia, quando o interlocutor “disse que era padre” e podia celebrar.

Um trabalho “muito interessante” que ajudou o entrevistado a “ser missionário na Europa”; a Pastoral das Migrações é um serviço que ainda hoje conta com o seu empenho.

»O padre carmelita regressou a Portugal em 1976 e foi para a Paróquia de Santo António dos Cavaleiros, em Loures; passados 20 anos foi nomeado bispo auxiliar de Lisboa, a 3 de julho de 1996, tendo sido ordenado bispo aos 54 anos, a 29 de setembro de 1996, na igreja do Mosteiro dos Jerónimos.

A 25 de janeiro de 1999, o então Papa João Paulo II nomeou-o bispo de Beja; a entrada solene realizou-se dia 11 de abril, uma região onde a Ordem Carmelita está desde o século XIII.

O 16.º bispo da Diocese de Beja ordenou 19 presbíteros e dinamizou o primeiro Sínodo diocesano para “consultar o povo de Deus”.

Neste âmbito, lembra que realizou um pré-sínodo e com “mais de 1000 respostas” de leigos colaboradores mostrou aos padres “céticos que era altura de convocar o sínodo”.

Uma das conclusões do Sínodo da Diocese de Beja foi a necessidade de formação e “o saber trabalhar com o povo”.

“Não existimos para nós mesmos, existimos para o povo de Deus. Se não escutamos os leigos estamos a trabalhar em vão. Podemos estar só a repetir coisas do nosso ministério, mas não é a resposta adequada”, desenvolve o bispo emérito.

Em 17 anos de serviço episcopal em Beja, D. António Vitalino “nunca” sentiu resistências ideológicas: “Entendia-me bem com todos”.

A 10 de outubro de 2014, o Papa Francisco nomeou D. João Marcos como bispo coadjutor da Diocese de Beja, a pedido de D. António Vitalino que manifestou necessidade de um bispo coadjutor a quem confiar essa missão quando atingisse os 75 anos, que o entrevistado completou a 3 de novembro de 2016.

Atualmente, D. António Vitalino vive na casa dos Carmelitas em Fátima e revela que “faz o que pedem”.

O prelado é membro da Comissão Episcopal da Pastoral Social e Mobilidade Humana e dedica-se, por exemplo, às migrações e ao Apostolado do Mar.

As tecnologias continuam a fazer parte das suas ocupações, dedicando-se “a digitalizar os slides”, e fazer “filmes nos tempos livres”, muitos deles para oferecer.

PR/CB/OC

Igreja: D. António Vitalino celebra 50 anos de sacerdócio (c/vídeo)

Igreja: D. António Vitalino celebra 50 anos de sacerdócio (c/vídeo)

“Preocupo-me com você”: o trabalho dos Salesianos com os migrantes menores

“Preocupo-me com você”: o trabalho dos Salesianos com os migrantes menores

Cidade do Vaticano

“Durante um mês fiquei fechado em uma casa outras 120 pessoas, tínhamos pouca água e comida. Não era permitido sair. Podíamos ir ao banheiro apenas uma vez por dia, e durante a noite piolhos e carrapatos que não nos deixavam dormir e todo tempo com homens armados nos vigiando. Na madrugada de 23 de junho, às 2h30 nos levaram para a praia obrigando-nos a entrar em um barco inflável”. A.S., nigeriano maior de idade, chegou à Itália com 15 anos, e assim recorda a sua última etapa da viagem, na Líbia, do outro lado do Mediterrâneo em 2015. Depois dos primeiros meses passados na comunidade, hoje vive nas ruas em Catânia sendo acompanhado pelo serviço na condição de “baixa vigilância” encaminhado pelos Salesianos dentro do projeto “Preocupo-me com você”, que cuida dos migrantes menores que chegam à Itália desacompanhados.

O projeto dos Salesianos para “os últimos”

Há dois anos, primeiro em Roma, depois Turim, Nápoles e Catânia, a Associação dos Salesianos para o Social, Federação SCS/CNOS (Serviços Civis e Sociais – Centro Nacional Obras Salesianas), um instrumento de apoio à pastoral para a educação dos necessitados, que se inspira em Dom Bosco, está engajada ao lado dos menores migrantes presentes na Itália que estão fora dos programas de acolhida do Governo.

“Os jovens que contatamos – conta padre Giovanni D’Andrea, presidente da Associação salesiana – definimos como ‘os últimos’: são os que estão fora do programa casa-família, e que andam pelas ruas, dormem fora e vivem inúmeras aventuras, muitas vezes dramáticas e trágicas. Porque o mundo das ruas é cruel e violento: dormem em lugares inseguros não só do ponto de vista ambiental mas pelas pessoas que podem encontrar nestes lugares. Entre os moradores de rua há particulares códigos de comportamento…”.

O primeiro passo: estabelecer relação de confiança

Desde o início do ano, 387 jovens “invisíveis” já se aproximaram do projeto: “São jovens muito simples – nos diz padre D’Andrea. Infelizmente a vida. E por tudo o que foram submetidos, faz com que sejam muito desconfiados, portanto não confiam facilmente nas pessoas. Um dos nossos jovens, Mario, certa vez me disse: ‘Recebo muitos sorrisos de muitas pessoas, mas por trás de cada sorriso há sempre uma punhalada’. Por isso no início é normal que sejam assim, é preciso muita paciência, conversar muito com eles mesmo de coisas banais”.

Há sempre o risco da exploração

Segundo o “Save the Childen”, em 2017 chegaram na Itália 17.337 menores, destes 15.779 não acompanhados. Cerca de 5.000 vivem ao redor de estações de trem nas grandes cidades e todos os dias correm o risco de se envolverem em atividades criminosas ou caírem nos circuitos de exploração sexual. Uma situação bem diferente da que imaginavam antes de chegar. “Isso porque – explica o Presidente dos salesianos da ação social – muitos destes jovens chegam com a convicção de devem logo trabalhar, ganhar dinheiro, enviar para casa, porque pagaram muito para fazer esta viagem à Itália. Depois, quando chegam, veem que não é fácil encontrar logo trabalho porque são menores, devem ficar nas comunidades e fazer todo o percurso, por isso muitos preferem não fazê-lo e fogem acabando nas ruas”.

Nunca perder a esperança

A rede que apoia as intervenções do projeto “Preocupo-me com você” é formada por educadores de ruas, psicólogos e voluntários que garantem logo a cada jovem contatado apoio e proteção. Em uma segunda fase, oferecem-lhe a possibilidade de fazer um curso de italiano, e receber assistência legal para a documentação de reconhecimento como refugiados, aprender uma profissão e entrar no mundo do trabalho.

Apenas um entre 10 jovens contatados cumpre até o fim este percurso, mas padre D’Andrea não perde a esperança de que também para os outros, com o tempo, possam amadurecer alguma coisa boa.

“ Dom Bosco dizia que em cada jovem há um ponto acessível ao bem, mesmo no mais miserável ”

E a nossa tarefa, como educadores, é encontrar este ponto sensível e animá-lo. E isso só acontece se cada dia se recomeça de novo: cada dia é um novo dia, portanto a esperança de que a graça de Deus possa tocar seus corações”.

 

https://www.vaticannews.va/pt/mundo/news/2018-08/salesianos-jovens-menores-migrantes-desacompanhados.html

 

 

Na casa do Pai: D. António José Rafael

Na casa do Pai: D. António José Rafael

Para a casa do pai, partiu D. António José Rafael, Bispo emérito da Diocese de Bragança-Miranda.
A OCPM recorda, em memória agradecida, a sua dedicação à diáspora portuguesa, durante o tempo em que integrou, como vogal a Comissão Episcopal de Migrações e Turismo/Mobilidade Humana, de 2002 a 2011.
Além do trabalho na Comissão Episcopal, foi um bispo disponível para visitar as Comunidades Portuguesas. Sobretudo, no mês de Maio, mês de evocação da devoção filial dos portugueses da Diáspora à Mãe de Deus. Gostava de visitar as famílias portuguesas do Principado de Andorra. Que descanse em paz do seu migrar entre nós!

«A Missa Exequial será celebrada esta segunda-feira, às 16h00, com sepultação no átrio dos Bispos na Catedral, informou a Diocese de Bragança-Miranda, em comunicado enviado à Agência ECCLESIA.

Natural de Lamego, onde nasceu em 1925, D. António José Rafael foi auxiliar de Bragança-Miranda, entre 1977 e 1979, e depois bispo residencial da diocese até 2001, sucedendo-lhe nessa ocasião D. António Montes Moreira e, em 2011, D. José Cordeiro.

No dia 13 de fevereiro de 2017, a Diocese de Bragança-Miranda assinalou os 40 anos de ordenação episcopal de D. António José Rafael.

Nessa ocasião, o atual bispo de Bragança-Miranda. D. José Cordeiro, homenageou um prelado que transformou “as dificuldades em oportunidades”.

“Diante do seu estilo frontal, lutador e corajoso ninguém ficou indiferente. Pensava a Europa como um lugar de Paz e de solidariedade olhando ao seu patrono – S. Bento – com o mote ‘ora et labora’”.

 

Ao longo do seu ministério, o falecido bispo foi responsável pela projeção da nova Catedral de Bragança, que começou a ser construída em 1981.

Uma memória imortalizada em livro, através da obra ‘Na nossa Catedral, para sempre nos encontraremos: D. António José Rafael e Mário Ferreira da Silva’, da autoria de Henrique Manuel Pereira, doutor em Cultura e professor da Escola de Artes (Porto) da Universidade Católica Portuguesa.

A Sé de Bragança foi dedicada a 7 de outubro de 2001, no último ano de D. António José Rafael à frente da diocese transmontana.

Em 2013, D. António Rafael teve um princípio de AVC, tendo sido internado no Hospital de Vila Real e no Hospital da Prelada, da Santa Casa da Misericórdia do Porto.

No ano seguinte regressou à diocese transmontana e foi acolhido pelo Instituto Diocesano do Clero, na Fundação Betânia.»

 

PR/OC