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Mianmar: «Ajudar as pessoas a abrirem-se ao Transcendente»

Mianmar: «Ajudar as pessoas a abrirem-se ao Transcendente»

Leia, na íntegra, todo o dicurso do Papa Francisco.

Sinto grande alegria por estar convosco. Agradeço ao Ven. Bhaddanta Kumarabhivamsa, Presidente da Comissão Estatal Sangha Maha Nayaka, as suas palavras de boas-vindas e os seus esforços na organização da minha visita aqui hoje. Ao saudar-vos a todos, permiti-me manifestar particular apreço pela presença de Sua Excelência Thura Aung Ko, Ministro dos Assuntos Religiosos e da Cultura.

O nosso encontro é uma ocasião importante para renovar e fortalecer os laços de amizade e respeito entre budistas e católicos. É também uma oportunidade para afirmar o nosso empenho pela paz, o respeito da dignidade humana e a justiça para todo o homem e mulher. E não é só no Myanmar, mas em todo o mundo, que as pessoas precisam deste testemunho comum dos líderes religiosos. Com efeito, quando falamos a uma só voz afirmando o valor perene da justiça, da paz e da dignidade fundamental de todo o ser humano, oferecemos uma palavra de esperança. Ajudamos os budistas, os católicos e todas as pessoas a lutarem por uma maior harmonia nas suas comunidades.

Em cada idade, a humanidade experimenta injustiças, momentos de conflito e desigualdade entre as pessoas. No nosso tempo, porém, estas dificuldades parecem ser particularmente graves. Embora a sociedade tenha conseguido um grande progresso tecnológico e, em todo o mundo, as pessoas estejam cada vez mais conscientes da sua humanidade e destino comuns, as feridas dos conflitos, da pobreza e da opressão persistem e criam novas divisões. A estes desafios, não devemos jamais resignar-nos. Pois sabemos, com base nas nossas respetivas tradições espirituais, que existe realmente um caminho para avançar, há um caminho que leva à cura, à mútua compreensão e respeito; um caminho baseado na compaixão e no amor.

Quero expressar a minha estima a todos aqueles que vivem, no Myanmar, segundo as tradições religiosas do Budismo. Através dos ensinamentos de Buda e do testemunho zeloso de tantos monges e monjas, o povo desta terra foi formado nos valores da paciência, tolerância e respeito pela vida, bem como numa espiritualidade solícita e profundamente respeitadora do meio ambiente. Como sabemos, estes valores são essenciais para um desenvolvimento integral da sociedade, a começar pela unidade mais pequena e mais essencial que é a família para depois se estender à rede de relações que nos põem em estreita conexão – relações essas radicadas na cultura, na pertença étnica e nacional, e, em última análise, na pertença à humanidade comum. Numa verdadeira cultura do encontro, estes valores podem fortalecer as nossas comunidades e ajudar o conjunto da sociedade a irradiar a tão necessária luz.

O grande desafio dos nossos dias é ajudar as pessoas a abrir-se ao transcendente; ser capazes de olhar-se dentro em profundidade, conhecendo-se de tal modo a si mesmas que sintam a sua interconexão com todas as pessoas; dar-se conta de que não podemos permanecer isolados uns dos outros. Se devemos estar unidos, como é nosso propósito, ocorre superar todas as formas de incompreensão, intolerância, preconceito e ódio. Como podemos consegui-lo? As palavras de Buda oferecem a cada um de nós uma guia: «Vence o rancor com o não-rancor, vence o malvado com a bondade, vence o avarento com a generosidade, vence o mentiroso com a verdade» (Dhammapada, XVII, 223). Sentimentos semelhantes se expressam nesta oração atribuída a São Francisco de Assis: «Senhor, fazei-me instrumento da vossa paz. Onde houver ódio fazei que eu leve o amor, onde houver ofensa que eu leve o perdão, (…) onde houver trevas que eu leve a luz, e onde houver tristeza que eu leve a alegria».

Que esta Sabedoria continue a inspirar todos os esforços para promover a paciência e a compreensão e curar as feridas dos conflitos que, ao longo dos anos, dividiram pessoas de diferentes culturas, etnias e convicções religiosas. Tais esforços não são em caso algum prerrogativa apenas de líderes religiosos, nem são de competência exclusiva do Estado. Mas é a sociedade inteira, são todos aqueles que estão presentes na comunidade que devem partilhar o trabalho de superar o conflito e a injustiça. No entanto, é responsabilidade particular dos líderes civis e religiosos garantir que cada voz seja ouvida, de tal modo que os desafios e as necessidades deste momento possam ser claramente compreendidos e confrontados num espírito de imparcialidade e mútua solidariedade. A propósito, congratulo-me com o trabalho que a Panglong Peace Conference está a fazer, e rezo por aqueles que guiam este esforço para que possam promover uma participação cada vez maior de todos os que vivem no Myanmar. Isto contribuirá certamente para o compromisso de promover a paz, a segurança e uma prosperidade que seja inclusiva de todos.

Para que estes esforços produzam frutos duradouros, tornar-se-á necessária, sem dúvida, uma maior cooperação entre líderes religiosos. A este respeito, quero que saibais que a Igreja Católica é um parceiro disponível. As oportunidades de encontro e diálogo entre os líderes religiosos revelam-se um fator importante na promoção da justiça e da paz no Myanmar. Bem sei que, no passado mês de abril, a Conferência dos Bispos Católicos organizou um encontro de dois dias sobre a paz, em que participaram os chefes das diferentes comunidades religiosas, juntamente com embaixadores e representantes de agências não-governamentais. Devendo aprofundar o nosso conhecimento mútuo e afirmar a nossa interligação e destino comum, são essenciais tais encontros. A verdadeira justiça e a paz duradoura só podem ser alcançadas, quando forem garantidas a todos.

Queridos amigos, possam os budistas e os católicos caminhar juntos por esta senda de cura e trabalhar lado a lado pelo bem de cada habitante desta terra. Nas Escrituras cristãs, o apóstolo Paulo desafia os seus ouvintes a alegrar-se com os que estão alegres, a chorar com os que choram (cf. Rm 12, 15), carregando humildemente os pesos uns dos outros (cf. Gal 6, 2). Em nome dos meus irmãos e irmãs católicos, expresso a nossa disponibilidade para continuar a caminhar convosco e a espalhar sementes de paz e de cura, de compaixão e de esperança nesta terra.

De novo vos agradeço por me terdes convidado para estar hoje aqui convosco. Sobre todos vós, invoco a bênção divina da alegria e da paz.

Tradução Educris a partir do original em italiano

Imagem: ACI Stampa

http://www.educris.com/v3/noticias/7485-mianmar-ajudar-as-pessoas-a-abrirem-se-ao-transcendente

 

 

Dia Mundial da Paz 2018: Papa apoia «pactos globais» para migrações seguras e refugiados

Santa Sé associa-se a iniciativa das Nações Unida

Santa Sé associa-se a iniciativa das Nações Unidas

Cidade do Vaticano, 24 nov 2017 (Ecclesia) – O Papa manifestou o seu apoio aos “pactos globais” para migrações seguras e os refugiados que a ONU quer aprovar em 2018, tema que está no centro da mensagem para o próximo Dia Mundial da Paz, divulgada hoje.

“Enquanto acordos partilhados a nível global, estes pactos representarão um quadro de referência para propostas políticas e medidas práticas”, escreve Francisco, no texto intitulado ‘Migrantes e refugiados: homens e mulheres em busca de paz’.

No decorrer de 2018, as Nações Unidas vão definir e aprovar pactos para “migrações seguras, ordenadas e regulares” e para os refugiados.

O Papa recorda o trabalho que tem vindo a ser desenvolvido pela secção ‘Migrantes e Refugiados’ do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral (Santa Sé), em particular a sugestão de “20 pontos de ação” para as políticas públicas (ver anexo), e outras iniciativas que manifestam o interesse da Igreja Católica pelo processo que levará à adoção dos referidos pactos globais.

“Tal interesse confirma uma vez mais a solicitude pastoral que nasceu com a Igreja e tem continuado em muitas das suas obras até aos nossos dias”, precisa.

A mensagem para o 51.º Dia Mundial da Paz considera “importante” que estes tratados internacionais “sejam inspirados por sentimentos de compaixão, clarividência e coragem, de modo a aproveitar todas as ocasiões para fazer avançar a construção da paz”.

“Só assim o necessário realismo da política internacional não se tornará uma capitulação ao cinismo e à globalização da indiferença”, sustenta Francisco.

O Papa elogia a importância do diálogo e da coordenação, a nível das decisões internacionais, em particular no campo das migrações forçadas.

“É possível também que países menos ricos possam acolher um número maior de refugiados ou acolhê-los melhor, se a cooperação internacional lhes disponibilizar os fundos necessários”, sustenta.

O Dia Mundial da Paz foi instituído pelo Papa Paulo VI (1897-1978) e é celebrado no primeiro dia do novo ano.

OC

Dia Mundial da Paz: 2018 começa com atenção a milhões de migrantes e refugiados

Papa Francisco quer Igreja comprometida na defesa de quem arrisca a vida em busca de segurança e estabilidade

Cidade do Vaticano, 24 nov 2017 (Ecclesia) – O Papa decidiu colocar os milhões de migrantes e refugiados da atualidade no centro do próximo Dia Mundial da Paz, com que os católicos vão começar o ano de 2018.

“Muitos deles estão prontos a arriscar a vida numa viagem que se revela, em grande parte dos casos, longa e perigosa, a sujeitar-se a fadigas e sofrimentos, a enfrentar arames farpados e muros erguidos para os manter longe da meta”, assinala Francisco na mensagem para o 51.º Dia Mundial da Paz, divulgada hoje pelo Vaticano.

No texto intitulado ‘Migrantes e refugiados: homens e mulheres em busca de paz’, o Papa convida as comunidades católicas a acolher “com espírito de misericórdia” todos aqueles que fogem da guerra e da fome, deixando a sua terra “por causa de discriminações, perseguições, pobreza e degradação ambiental”.

“Estamos cientes de que não basta abrir os nossos corações ao sofrimento dos outros. Há muito que fazer antes de os nossos irmãos e irmãs poderem voltar a viver em paz numa casa segura”, assinala o documento.

O Papa recorda o trabalho realizado por Santa Francisca Xavier Cabrini, padroeira dos migrantes, falecida há 100 anos.

“Esta pequena grande mulher, que consagrou a sua vida ao serviço dos migrantes tornando-se depois a sua padroeira celeste, ensinou-nos como podemos acolher, proteger, promover e integrar estes nossos irmãos e irmãs”, refere.

O Dia Mundial da Paz foi instituído pelo Papa Paulo VI (1897-1978) e é celebrado no primeiro dia do novo ano.

OC

Dia Mundial da Paz 2018: «Acolher, proteger, promover e integrar» – a receita do Papa Francisco para as migrações

Mensagem convida a alargar possibilidades de entrada legal

Foto: Osservatore Romano

Cidade do Vaticano, 24 nov 2017 (Ecclesia) – O Papa Francisco apresenta na sua mensagem para o próximo Dia Mundial da Paz, divulgada hoje pelo Vaticano, quatro verbos centrais, “acolher, proteger, promover e integrar” para a ação política no campo das migrações.

“Oferecer a requerentes de asilo, refugiados, migrantes e vítimas de tráfico humano uma possibilidade de encontrar a paz de que andam à procura exige uma estratégia que combine quatro ações: acolher, proteger, promover e integrar”, escreve Francisco, no texto intitulado ‘Migrantes e refugiados: homens e mulheres em busca de paz’.

A mensagem para o 51.º Dia Mundial da Paz pede mais possibilidades de entrada legal, evitando “repelir refugiados e migrantes para lugares onde os aguardam perseguições e violências”.

O Papa convida os responsáveis políticos a “equilibrar a preocupação pela segurança nacional com a tutela dos direitos humanos fundamentais”.

Em relação ao verbo “proteger”, Francisco recorda que muitos “fogem dum perigo real em busca de asilo e segurança, de impedir a sua exploração”.

“Penso de modo particular nas mulheres e nas crianças que se encontram em situações onde estão mais expostas aos riscos e aos abusos que chegam até ao ponto de as tornar escravas”, alerta.

O Papa recorda a necessidade de trabalhar para “assegurar às crianças e aos jovens o acesso a todos os níveis de instrução”, bem como de “permitir que refugiados e migrantes participem plenamente na vida da sociedade que os acolhe”.

O Dia Mundial da Paz foi instituído pelo Papa Paulo VI (1897-1978) e é celebrado no primeiro dia do novo ano.

OC

Vaticano: Papa contesta «retórica» do medo e da xenofobia perante refugiados

Mensagem para o próximo Dia Mundial da Paz propõe visão positiva sobre migrações

Foto: Lusa

Cidade do Vaticano, 24 nov 2017 (Ecclesia) – O Papa Francisco contesta o que denomina como “retórica” de medo e xenofobia perante migrantes e refugiados, na sua mensagem para o próximo Dia Mundial da Paz, divulgada hoje pelo Vaticano.

“Quem fomenta o medo contra os migrantes, talvez com fins políticos, em vez de construir a paz, semeia violência, discriminação racial e xenofobia”, escreve Francisco, no texto intitulado ‘Migrantes e refugiados: homens e mulheres em busca de paz’.

O Papa lamenta que em muitos países de destino se tenha generalizado a “retórica que enfatiza os riscos para a segurança nacional ou o peso do acolhimento dos recém-chegados, desprezando assim a dignidade humana que se deve reconhecer a todos, enquanto filhos e filhas de Deus”.

“Todos os elementos à disposição da comunidade internacional indicam que as migrações globais continuarão a marcar o nosso futuro. Alguns consideram-nas uma ameaça. Eu, pelo contrário, convido-vos a vê-las com um olhar repleto de confiança, como oportunidade para construir um futuro de paz”, acrescenta.

A mensagem analisa as várias causas das migrações, desde conflitos armados e outras formas de violência organizada à busca de uma vida melhor, além da fuga da “miséria agravada pela degradação ambiental”.

“A maioria migra seguindo um percurso legal, mas há quem tome outros caminhos, sobretudo por causa do desespero, quando a pátria não lhes oferece segurança nem oportunidades, e todas as vias legais parecem impraticáveis, bloqueadas ou demasiado lentas”, realça Francisco.

O Papa convida a um olhar “contemplativo” sobre esta realidade, a fim de descobrir nos migrantes e refugiados pessoas que “trazem uma bagagem feita de coragem, capacidades, energias e aspirações, para além dos tesouros das suas culturas nativas”.

“Este olhar contemplativo saberá, enfim, guiar o discernimento dos responsáveis governamentais, de modo a impelir as políticas de acolhimento até ao máximo dos limites consentidos pelo bem da própria comunidade retamente entendido, isto é, tomando em consideração as exigências de todos os membros da única família humana e o bem de cada um deles”, prossegue.

mensagem para o 51.º Dia Mundial da Paz deixa votos de que os conflitos relativos à presença de migrantes e refugiados deem lugar a “canteiros de paz”.

O Dia Mundial da Paz foi instituído pelo Papa Paulo VI (1897-1978) e é celebrado no primeiro dia do novo ano.

OC

Incêndios: Responsáveis católicos saúdam mobilização dos emigrantes em favor das vítimas

Diretora da OCPM espera que ajuda chegue ao terreno sem demoras

Fátima, 24 out 2017 (Ecclesia) – A diretor da Obra Católica Portuguesa de Migrações (OCPM) elogiou hoje em Fátima a “mobilização” dos emigrantes portugueses em favor das vítimas dos incêndios que atingiram o país nos últimos meses.

Eugénia Quaresma sublinha a Agência ECCLESIA o “sentido de urgência” e a “ligação muito forte” destas populações que vivem no estrangeiro a várias das terras mais afetadas pelos fogos florestais.

A responsável falava durante o encontro de missionários que no continente europeu acompanham a diáspora de língua portuguesa, que decorre até sexta-feira, na Casa Beato Nuno, Fátima.

“Queremos que esta ajuda se veja”, acrescentou a diretora da OCPM.

Muitos emigrantes foram “fustigados” pessoalmente, como constatou o padre Victor Cecílio a trabalhar junto da comunidade portuguesa em Friburgo, Alemanha.

“Sentimo-nos impotentes por estarmos longe e isso resulta numa grande recetividade às ações que propomos”, realça.

No último domingo os jovens do coro de Hamburgo começaram uma recolha em dinheiro que continua no próximo domingo; as comunidades de Glinde, Harburgo e Hamburgo também se vão unir para peditórios, adianta a Missão Católica de Língua Portuguesa desta última cidade.

A Missão Católica de Língua Portuguesa do Luxemburgo empenhou-se na recolha de fundos e apoios, em sintonia com a Cáritas Portuguesa, tendo já enviado 6900 euros para o país.

O coordenador da Pastoral de Língua Portuguesa neste país referiu à ECCLESIA que se vive um momento de “muita dor”, lamentando a “polémica” que se tem vivido em volta deste tema.

O padre Rui Pedro anuncia que, a 2 de novembro, vai decorrer no sul do Luxemburgo “um momento de oração e recolhimento”, em memória das vítimas e dos que “foram despojados de tudo”.

Os fogos do dia 15 de outubro causaram pelo menos 45 mortos e 70 feridos, além de elevados danos materiais e ambientais; outras 64 pessoas tinham morrido na sequência dos incêndios que deflagraram em Pedrógão Grande, a 17 de junho.

LFS/OC

http://www.agencia.ecclesia.pt/noticias/nacional/incendios-responsaveis-catolicos-saudam-mobilizacao-dos-emigrantes-em-favor-das-vitimas/