Fev 22, 2018 | Artigo, Notícias
Este livro é um amplo conjunto de pequenas sementes, raízes e plantas da cultura cristã na Europa.
A Europa é um livro aberto, imenso. O autor leu algumas das suas páginas e, durante sessenta anos, escreveu relatos de algumas cenas impressivas. No fundo, compôs um mosaico cultural.
A opinião, o testemunho e os dados históricos marcam aqui presença, numa visão global do mundo, uma quase mundovisão, que nem sempre alinha com a modernidade líquida corrente. «Uma itinerância fixada na palavra descritiva (lugares), evocativa (história) e narrativa (pessoas) que denota os três olhares do autor: o olhar do homem estremenho e curioso, do turista culto e humanista, que ama conhecer para se situar na história e na cultura; o olhar do profissional (psicólogo) que se consagrou aos doentes e que sensibiliza, denuncia e provoca respostas de saúde mental e social.
E, por fim, o religioso e sacerdote (teólogo) que procura sinais de Deus na Europa, apontando remédios hodiernos para as feridas sociais e traumas culturais dos homens e mulheres, das famílias e das comunidades.» Rui M. da Silva Pedro – Excerto do Prefácio
Fev 20, 2018 | Artigo, Missões
Suiça sem fronteiras
Cheguei a Zurich onde me esperava o P. Aloísio Araújo, de Braga, o responsável pela pastoral dos lusófonos na Suiça. A conversa até Lucerna permitiu perceber como a rica Suiça olha com respeito o papel das Igrejas na construção da vida social. Por isso, de forma diferente de cantão para cantão, todos os padres e outros responsáveis de pastoral são pagos como se fossem uma espécie de funcionários públicos, tal o papel social que desempenham. Esta situação pode criar algumas ambiguidades e dependências, mas faz com que as missões não tenham que se preocupar muito com arranjar dinheiro. Apenas têm que o gerir bem e dar contas. A preocupação das autoridades suíças pelas questões religiosas é tão grande e actual que ainda agora estão a nascer missões: polacas, ucranianas, filipinas…
As comunidades lusófonas acompanham imigrantes vindos de Portugal, Brasil e PALOPs. Os portugueses na Suiça são, regra geral, jovens, pois a imigração é bastante recente. E há sempre pessoas a chegar, muitas delas com formação académica superior. O fim de semana passado foi de celebrações, em Igrejas a 30 e a 70 kms de Lucerna, com 30, 120, 200 e 300 pessoas nas quatro Eucaristias que presidi. Impressionam os rostos jovens e a quantidade de crianças, muito mais do que se vê em boa parte das Igrejas de Portugal.
A Suiça é um puzzle de povos, culturas e línguas. Tem 26 cantões, com três grandes línguas: o francês, o alemão e o italiano. A riqueza da diversidade vê-se também nas paisagens de sonho, tão plurais, agora muito marcadas pelas montanhas e pela neve.
Percorremos muitos quilómetros de carro, indo de Lucerna (cantão alemão) até Lugano (capital da Suiça italiana). Passamos por túneis e mais túneis, com especial admiração pelo de S. Gottardo que tem 16,4kms. Foi uma enorme felicidade encontrar, no Retiro Espiritual, a vintena de padres que acompanham as comunidades lusófonas, originários de Portugal, Brasil e Angola.
Em tempo de Quaresma, partilho mais uma marca que a Suiça imprimiu em mim. As Igrejas que visitei, católicas e protestantes, têm quase todas uma belíssima pintura com dois rostos africanos, em silhueta. Apesar da enorme diversidade confessional, linguística e cultural, as Igrejas conseguem unir-se na Quaresma e fazem uma Campanha comum. Este ano, vão apoiar pescadores do Senegal, vítimas dos barcos arrastões que quase dizimam as pescarias na costa senegalesa. E termino com um desabafo: Portugal é tão pequenino, falamos todos a mesma língua e não somos capazes de fazer uma Campanha Quaresmal comum, destinando a renúncia da Quaresma para um projeto único, de comunhão…
Como pede o Papa Francisco, tomemos três remédios doces: a oração, o jejum e a partilha. E a cura espiritual vai acontecer nas nossas vidas.
Tony Neves

Jan 16, 2018 | Artigo, Documentos
Para assinalar o Dia Mundial do Migrante e do Refugiado, que hoje se celebra, decorreu, nos dias 12 a 14 de janeiro de 2018, no Seminário de Nossa Senhora de Fátima, em
Alfragide, sob organização conjunta da Agência Ecclesia, da Cáritas Portuguesa e da Obra Católica Portuguesa de Migrações, o XVIII Encontro de animadores sócio pastorais
das migrações subordinado ao tema “Partilhar a viagem: Acolher, proteger, promover e integrar migrantes e refugiados”.
Tendo em conta a temática e os objetivos deste Encontro, os participantes, num ambiente marcado por uma rica partilha de boas práticas relacionadas com os migrantes e
refugiados, assumem as seguintes conclusões:
– Reforçar a implementação da Campanha “Partilhar a Viagem”, promovida pela Caritas Internationalis, que decorrerá nos próximos dois anos, procurando incentivar
a população portuguesa a estreitar relações entre migrantes, refugiados e as comunidades locais;
– Suscitar iniciativas que ajudem o Papa Francisco a promover um dos seus maiores desígnios: a “cultura do encontro”;
– Contribuir para a construção dos dois Pactos Globais das Nações Unidas sobre Migrantes e Refugiados, esperando que venham a ser aprovados até ao final de 2018, responsabilizando toda a comunidade internacional na proteção dos direitos dos migrantes e refugiados;
– Conhecer a atuação das organizações da Igreja católica no âmbito das migrações, no seguimento do estudo iniciado pela Cáritas Portuguesa a nível da sua rede, pois, só assim se conseguirão potenciar sinergias para, de forma conjunta e concertada, responder às necessidades no terreno;
– Concretizar os apelos do Papa Francisco contidos nas Mensagens para o Dia Mundial da Paz e para o Dia do Migrante e do Refugiado, no sentido de: Acolher, Proteger, Promover e Integrar as pessoas em contexto de mobilidade, tal como foi demonstrado por doze experiências ao longo do encontro, nas relações familiares, no ambiente escolar, nas vivências das comunidades cristãs, no desenvolvimento integral da criança, no acesso ao trabalho em igualdade de oportunidades e na prática ativa da cidadania, incluindo a dimensão política; e
– Intensificar, junto das entidades competentes, os esforços que se têm vindo a fazer para que nada falte à proteção que é devida aos nossos compatriotas que se encontram a sofrer as consequências da situação atual na Venezuela.
Este Encontro deixou em todos a plena convicção de que, em qualquer circunstância da existência humana, também nós gostamos de ser acolhidos, protegidos, promovidos e
integrados. Será mais fácil isso acontecer se nos decidirmos a “Partilhar a Viagem”!
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Nov 24, 2017 | Artigo, Recortes
Santa Sé associa-se a iniciativa das Nações Unida

Santa Sé associa-se a iniciativa das Nações Unidas
Cidade do Vaticano, 24 nov 2017 (Ecclesia) – O Papa manifestou o seu apoio aos “pactos globais” para migrações seguras e os refugiados que a ONU quer aprovar em 2018, tema que está no centro da mensagem para o próximo Dia Mundial da Paz, divulgada hoje.
“Enquanto acordos partilhados a nível global, estes pactos representarão um quadro de referência para propostas políticas e medidas práticas”, escreve Francisco, no texto intitulado ‘Migrantes e refugiados: homens e mulheres em busca de paz’.
No decorrer de 2018, as Nações Unidas vão definir e aprovar pactos para “migrações seguras, ordenadas e regulares” e para os refugiados.
O Papa recorda o trabalho que tem vindo a ser desenvolvido pela secção ‘Migrantes e Refugiados’ do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral (Santa Sé), em particular a sugestão de “20 pontos de ação” para as políticas públicas (ver anexo), e outras iniciativas que manifestam o interesse da Igreja Católica pelo processo que levará à adoção dos referidos pactos globais.
“Tal interesse confirma uma vez mais a solicitude pastoral que nasceu com a Igreja e tem continuado em muitas das suas obras até aos nossos dias”, precisa.
A mensagem para o 51.º Dia Mundial da Paz considera “importante” que estes tratados internacionais “sejam inspirados por sentimentos de compaixão, clarividência e coragem, de modo a aproveitar todas as ocasiões para fazer avançar a construção da paz”.
“Só assim o necessário realismo da política internacional não se tornará uma capitulação ao cinismo e à globalização da indiferença”, sustenta Francisco.
O Papa elogia a importância do diálogo e da coordenação, a nível das decisões internacionais, em particular no campo das migrações forçadas.
“É possível também que países menos ricos possam acolher um número maior de refugiados ou acolhê-los melhor, se a cooperação internacional lhes disponibilizar os fundos necessários”, sustenta.
O Dia Mundial da Paz foi instituído pelo Papa Paulo VI (1897-1978) e é celebrado no primeiro dia do novo ano.
OC
Nov 24, 2017 | Artigo, Recortes
Papa Francisco quer Igreja comprometida na defesa de quem arrisca a vida em busca de segurança e estabilidade
Cidade do Vaticano, 24 nov 2017 (Ecclesia) – O Papa decidiu colocar os milhões de migrantes e refugiados da atualidade no centro do próximo Dia Mundial da Paz, com que os católicos vão começar o ano de 2018.
“Muitos deles estão prontos a arriscar a vida numa viagem que se revela, em grande parte dos casos, longa e perigosa, a sujeitar-se a fadigas e sofrimentos, a enfrentar arames farpados e muros erguidos para os manter longe da meta”, assinala Francisco na mensagem para o 51.º Dia Mundial da Paz, divulgada hoje pelo Vaticano.
No texto intitulado ‘Migrantes e refugiados: homens e mulheres em busca de paz’, o Papa convida as comunidades católicas a acolher “com espírito de misericórdia” todos aqueles que fogem da guerra e da fome, deixando a sua terra “por causa de discriminações, perseguições, pobreza e degradação ambiental”.
“Estamos cientes de que não basta abrir os nossos corações ao sofrimento dos outros. Há muito que fazer antes de os nossos irmãos e irmãs poderem voltar a viver em paz numa casa segura”, assinala o documento.
O Papa recorda o trabalho realizado por Santa Francisca Xavier Cabrini, padroeira dos migrantes, falecida há 100 anos.
“Esta pequena grande mulher, que consagrou a sua vida ao serviço dos migrantes tornando-se depois a sua padroeira celeste, ensinou-nos como podemos acolher, proteger, promover e integrar estes nossos irmãos e irmãs”, refere.
O Dia Mundial da Paz foi instituído pelo Papa Paulo VI (1897-1978) e é celebrado no primeiro dia do novo ano.
OC
Nov 24, 2017 | Artigo, Recortes
Mensagem convida a alargar possibilidades de entrada legal
Cidade do Vaticano, 24 nov 2017 (Ecclesia) – O Papa Francisco apresenta na sua mensagem para o próximo Dia Mundial da Paz, divulgada hoje pelo Vaticano, quatro verbos centrais, “acolher, proteger, promover e integrar” para a ação política no campo das migrações.
“Oferecer a requerentes de asilo, refugiados, migrantes e vítimas de tráfico humano uma possibilidade de encontrar a paz de que andam à procura exige uma estratégia que combine quatro ações: acolher, proteger, promover e integrar”, escreve Francisco, no texto intitulado ‘Migrantes e refugiados: homens e mulheres em busca de paz’.
A mensagem para o 51.º Dia Mundial da Paz pede mais possibilidades de entrada legal, evitando “repelir refugiados e migrantes para lugares onde os aguardam perseguições e violências”.
O Papa convida os responsáveis políticos a “equilibrar a preocupação pela segurança nacional com a tutela dos direitos humanos fundamentais”.
Em relação ao verbo “proteger”, Francisco recorda que muitos “fogem dum perigo real em busca de asilo e segurança, de impedir a sua exploração”.
“Penso de modo particular nas mulheres e nas crianças que se encontram em situações onde estão mais expostas aos riscos e aos abusos que chegam até ao ponto de as tornar escravas”, alerta.
O Papa recorda a necessidade de trabalhar para “assegurar às crianças e aos jovens o acesso a todos os níveis de instrução”, bem como de “permitir que refugiados e migrantes participem plenamente na vida da sociedade que os acolhe”.
O Dia Mundial da Paz foi instituído pelo Papa Paulo VI (1897-1978) e é celebrado no primeiro dia do novo ano.
OC