Nov 24, 2017 | Artigo, Recortes
Mensagem para o próximo Dia Mundial da Paz propõe visão positiva sobre migrações
Cidade do Vaticano, 24 nov 2017 (Ecclesia) – O Papa Francisco contesta o que denomina como “retórica” de medo e xenofobia perante migrantes e refugiados, na sua mensagem para o próximo Dia Mundial da Paz, divulgada hoje pelo Vaticano.
“Quem fomenta o medo contra os migrantes, talvez com fins políticos, em vez de construir a paz, semeia violência, discriminação racial e xenofobia”, escreve Francisco, no texto intitulado ‘Migrantes e refugiados: homens e mulheres em busca de paz’.
O Papa lamenta que em muitos países de destino se tenha generalizado a “retórica que enfatiza os riscos para a segurança nacional ou o peso do acolhimento dos recém-chegados, desprezando assim a dignidade humana que se deve reconhecer a todos, enquanto filhos e filhas de Deus”.
“Todos os elementos à disposição da comunidade internacional indicam que as migrações globais continuarão a marcar o nosso futuro. Alguns consideram-nas uma ameaça. Eu, pelo contrário, convido-vos a vê-las com um olhar repleto de confiança, como oportunidade para construir um futuro de paz”, acrescenta.
A mensagem analisa as várias causas das migrações, desde conflitos armados e outras formas de violência organizada à busca de uma vida melhor, além da fuga da “miséria agravada pela degradação ambiental”.
“A maioria migra seguindo um percurso legal, mas há quem tome outros caminhos, sobretudo por causa do desespero, quando a pátria não lhes oferece segurança nem oportunidades, e todas as vias legais parecem impraticáveis, bloqueadas ou demasiado lentas”, realça Francisco.
O Papa convida a um olhar “contemplativo” sobre esta realidade, a fim de descobrir nos migrantes e refugiados pessoas que “trazem uma bagagem feita de coragem, capacidades, energias e aspirações, para além dos tesouros das suas culturas nativas”.
“Este olhar contemplativo saberá, enfim, guiar o discernimento dos responsáveis governamentais, de modo a impelir as políticas de acolhimento até ao máximo dos limites consentidos pelo bem da própria comunidade retamente entendido, isto é, tomando em consideração as exigências de todos os membros da única família humana e o bem de cada um deles”, prossegue.
A mensagem para o 51.º Dia Mundial da Paz deixa votos de que os conflitos relativos à presença de migrantes e refugiados deem lugar a “canteiros de paz”.
O Dia Mundial da Paz foi instituído pelo Papa Paulo VI (1897-1978) e é celebrado no primeiro dia do novo ano.
OC
Out 9, 2017 | Artigo, Documentos, Notícias, Recortes
As irmãs servas de Nossa Senhora de Fátima estão em festa. Há 25 anos a Congregação chegava ao Luxemburgo. Três irmãs, duas vindas de Portugal e uma de Bruxelas, desembarcaram no Grão-Ducado, a pedido do padre Belmiro.
“O Padre Belmiro pediu ao bispo da altura, Mons. Fernand Franck, que a nossa Congregação viesse para cá trabalhar, com os imigrantes”, conta a irmã Perpétua Coelho, a superiora da comunidade no Luxemburgo. “A congregação estava na Casa de Retiros do Bom Pastor, na Buraca, nos arredores de Lisboa, e o padre Belmiro conhecia-nos porque passava lá férias. Nós já tínhamos uma comunidade em Bruxelas, junto dos imigrantes portugueses, e por isso, há 25 anos, uma irmã que estava em Bruxelas, a irmã Ilda Filipe, veio para cá, e as outras duas vieram de Portugal”, acrescenta a irmã Perpétua.
O bairro de Rollingergrund na capital foi sempre a morada da Congregação no Luxemburgo. Uma casa do número 294 da rua com o mesmo nome acolheu as três irmãs, até ao Verão de 2007. Depois mudaram de casa, mas não de bairro.
“Quando as três irmãs chegaram ao Luxemburgo, apesar da casa do número 294 já nos estar destinada, tiveram que ir viver um ano para Gasperich, enquanto a comuna fazia obras de conservação e restauro na casa. Depois, e até 2007, vivemos na mesma casa, mas a verdade é que a casa já estava muito velha e tivemos que procurar outra solução. A Congregação comprou esta casa, onde vivemos actualmente, também em Rollingergrund, mas agora na rua Montée des Tilleuls. Eu ainda vi a casa a ser demolida, em 2014. Estava muito degradada e a Comuna garantiu-nos que não havia possibilidade de fazer mais obras”, recorda a irmã Perpétua.
A comunidade das Irmãs Servas de Nossa Senhora de Fátima, foi sempre constituída por três irmãs, e a sua missão ficou bem definida logo no ano em que chegaram ao Luxemburgo: organizar a catequese dos portugueses no Grão-Ducado.
“A catequese na então Missão Católica Portuguesa do Luxemburgo Centro, só ia até ao 6° ano e era preciso estruturá-la. O padre Belmiro tinha consciência disso. Era o senhor Barbosa que organizava a catequese, mas era preciso mais, e a irmã Maria Emília, uma das primeiras a vir para cá, tinha formação nessa área. Depois da catequese começamos a formar as pessoas no sector da Liturgia, no canto, a sensibilizar as pessoas para a Liturgia e para a forma de preparar a Liturgia, de acordo com a Palavra de Deus. Cedo as irmãs começaram a preparar pequenos grupos bíblicos, grupos de liturgia, grupos de visita às famílias, festas com os pais, festas com as crianças, festas populares…tudo porque do nosso carisma faz parte a inserção no meio, temos que nos inserir no meio onde estamos. Se lermos os registos da altura vemos com as irmãs dizem que o trabalho era muito intenso”, garante a irmã Perpétua.
Desde há 25 anos que as três irmãs da Congregação trabalham com as comunidades portuguesas de Bonnevoie, Santo Afonso, Sandweiler, Steinfort, Steinsel, Grevenmacher e Remich. Onde há portugueses ai estão as Servas da Congregação.
“Há cerca de dez anos começámos a ser chamadas para trabalhar a nível diocesano, e a procurar que a comunidade portuguesa não se feche, mas que se integre. Queremos que os portugueses participem na “Octave”, no Terço…queremos criar pontes e não muros. Isto tem que ver com o aspecto sacerdotal da nossa Congregação: o sacerdote é aquele que faz a ligação entre o povo de Deus”, diz a irmã Perpétua.
No próximo fim-de-semana, as Servas de Nossa Senhora de Fátima vão celebrar as Bodas de Prata no Luxemburgo. O ponto alto é a celebração da Eucaristia presidida pelo arcebispo do Luxemburgo,na Igreja do Sacré-Coeur, no domingo, às 17 horas.
“Eu sinto que as pessoas confiam em nós, não só os portugueses, mas também a Igreja local que sempre manifestou confiança em nós. Nesta altura há duas palavras que eu quero recordar: dar e receber. Ao longo destes anos temo-nos dado às pessoas, à Igreja, mas sobretudo a Deus, através destas pessoas. Depois receber: nós recebemos muito das pessoas, a aceitação, a amizade, a partilha.Temos um sentimento de agradecimento enorme”, confessa a irmã Perpétua.
As servas de Nossa Senhora de Fátima são uma Congregação Religiosa fundada por Luiza Andaluz, em 1923, na cidade de Santarém, Portugal. Actualmente são 170 religiosas espalhadas por Portugal, Brasil, Angola, Moçambique, Guiné, Bélgica e Luxemburgo.
Desde que chegaram ao Luxemburgo já por aqui passaram 17 irmãs. Aqui ficam os seus nomes:
Ilda Filipe
Maria Emília Carlos
Maria de Oliveira
Lurdes Gaspar
Maria do Carmo Alves
Suzete Ferreira
Maria Isabel Rodrigues
Isabel Duarte
Donzília Ferreira
Joaquina Ribeiro
Perpétua Coelho
Catarina Cândido
Joaquina Gonçalves
Vitoria Alves
Sandra Fernandes
Maria José Nicolau
A irmã Maria José, a irmã Vitória e a irmã Perpétua formam actualmente a Comunidade das Irmãs Servas de Nossa Senhora de Fátima, no Luxemburgo (na foto em baixo).

Jul 7, 2017 | Artigo, Informações, Missões
A Imagem Peregrina visitou o país de 22 de Maio a 25 de Junho 2017. Foram visitadas 40 paróquias, centros de Oração (Abadia beneditina de Clervaux e outras comunidades religiosas), lugares de Misericórdia (Prisão de Schrassig, Lares de Idosos…) e igrejas onde se reúnem as comunidades migrantes: portugueses, caboverdianos, italianos, polacos, franceses, latinoamericanos, ingleses e vietnamitas.
Em todas as paróquias o acolhimento foi surpreendente e inesperado, sobretudo por parte dos migrantes, para as expectativas dos párocos luxemburgueses pouco habituados a este tipo de manifestações religiosas. As cerimónias de “Acolhimento”, como do “Adeus” foram muito participadas e sobejamente marcadas pelo sentimento e religiosidade portuguesas. Apesar de, não terem atingido os níveis altos da primeira visita da Imagem ao Luxemburgo em 1947. Uma senhora luxemburguesa revelou que, nessa altura, há 70 anos, até as lojas fecharam para que todos pudessem acolher a Imagem da Paz naqueles tempos sofridos do pós II Guerra Mundial.
No geral, em todas as paróquias, o tempo de permanência da Imagem Peregrina foi ocupado com momentos de oração comunitária, oração silenciosa, recitação do rosário, procissões de rua, sessões de formação bíblica para jovens e adultos, catequeses para crianças sobre a Mensagem de Fátima e Filme sobre vida dos santos pastorinhos: Francisco e Jacinta, celebrações com doentes e idosos, noite de oração, vêsperas, Eucaristias e Adoração, Consagração e Concertos Musicais, Teatro e actividades lúdicas para crianças. Foi uma maratona de oração, como disse um pároco feliz pela nova experiência pastoral na sua paróquia.
Foram muitos os cristãos que vieram da França, da vizinha Bélgica e Alemanha. Sobretudo, quando a Imagem viistou as paróquias fronteiriças do Grão-Ducado. Uniu margens, em Schengen, quando viajou de barco no rio Moselle.
O programa pôs em relação Fé e Cultura alternando tempos de liturgia e oração, com tempos de arte e canto. Durante a visita a catedral Notre-dame do Luxemburgo acolheu a exposição de uma coração vermelho gigante pendurado no tecto do templo, obra pl’astica da artista Joana de Vasconcelos. No encerramento a catedral repleta de gente pode assistir a um magnífico Concerto de Fado, cantado com beleza e interioridade pela fadista Kátia Guerreiro.
A Visita facilitou o encontro e a colaboração entre as várias comunidades aumentando o sentido de pertença à paróquia e amor à oração.
A celebração do “Adeus” repleta de sentimento, emoção, lágrimas, corações cantantes, lenços brancos permaneceu para os luxemburgueses um sinal religioso a interpretar e um rito cultural a descodificar paulatinamente no diálogo intercultural. Revela, de forma simples, intensa e teologal, um elemento constitutivo da identidade cultural e da religiosidade popular da comunidade portuguesa/lusófona, a maior comunidade estrangeira e católica do Grão-Ducado.
Rui Pedro
Jun 22, 2017 | Artigo, Informações, Notícias
A Solidariedade com os Incêndios não tem fronteiras
As Comunidades Católicas de Língua Portuguesa, dispersas pela Europa e Mundo unem-se com pesar e solidariedade, a esta hora de tragédia, dor e desejo de mudança.
Têm chegado à OCPM palavras de pesar, orações, testemunhos de pessoas que combateram os fogos e de familiares que perderam seus entes queridos.
Foram-nos comunicadas iniciativas de recolha de fundos juntos das Missões Católicas de Língua Portuguesa e Associações de Emigrantes. Há comunidades portuguesas da Diáspora que já nos informaram que irão unir-se ao peditório nacional decretado pelos bispos portugueses para o próximo dia 2 de julho de 2017.
Eis para onde devem conjugar os esforços e envio de donativos. Os canais da Igreja em Portugal para o apoio financeiro, segundo a CEP, são:
Conta solidária ‘Cáritas com Portugal abraça vítimas dos incêndios’
BIC/SWIFT: CGDIPTPL (para as transferências internacionais)
IBAN PT50 0035 0001 00200000 730 54,
Conta da Caixa Geral de Depósitos.
Esta ajuda será canalizada para as populações mais afectadas e corporações de bombeiros, através da Conta solidária da Caritas. Nomeadamente a Caritas da Diocese de Coimbra região, até agora, mais afetada pelos incêndios: casas devoradas e vidas humanas ceifadas pelo fogo.
Gostaríamos de solicitar que nos informassem sobre as iniciativas realizadas para angariação de fundos e bens essenciais, como também a quantia angariada/depositada na conta solidária.
Obra Católica Portuguesa de Migrações
Telefone: 00351 218855470
Correio electrónico: ocpm@ecclesia.pt
Jun 9, 2017 | Artigo, Centenário das Aparições, Missões

Imagem Peregrina proporciona Maratona de Oração
As comunidades de língua portuguesa do Sul do Luxemburgo começaram a sua preparação espiritual para acolhimento da Visita da Imagem Peregrina de Fátima, a partir da carta do nosso bispo (Natal 2016) onde ele anunciava o evento diocesano e lançava propostas às paróquias. As comunidades optaram pela recitação comunitária do rosário, valorizando o mês de Maio e têm vindo a assinalar os dias 13 de cada mês.
A Equipa portuguesa de Animação pastoral põs mãos à obra e teceu uma série de reuniões e colóquios com os párocos e equipas pastorais, com vista a desenhar um programa adaptado a cada paróquia e aos dias atribuídos pela Comissão diocesana no calendário geral do mês de Visita.
A Imagem Peregrina visitou o sul do país de sexta-feira, dia 2 de Junho a terça-feira, 6 de Junho. É no Sul que se situam as cidades mais povoadas do Grão-Ducado e as maiores comunidades lusófonas. Durante cinco dias – com um programa comum – a Imagem peregrinou pelas comunidades paroquiais de Petange, Differdange, Esch-sur-Alzette, Dudelange e Bettembourg.
Em todas as paróquias o acolhimento foi surpreendente e inesperado para as expectativas dos párocos luxemburgueses pouco habituados a este tipo de manifestações religiosas. As cerimónias de “Acolhimento”, como do “Adeus” foram muito participadas e sobejamente marcadas pelo sentimento e religiosidade portuguesas, apesar de, não terem atingido os níveis da primeira visita da Imagem ao Luxemburgo em 1947. Uma senhora luxemburguesa revelou que, nessa altura, até as lojas fecharam para que todos pudessem acolher a Imagem naqueles tempos sofridos do pós I Guerra Mundial.
Cada paróquia organizou o seu programa apoiando-se, sobretudo, no dinamismo e nas “forças vivas” das comunidades de língua portuguesa. Foram respeitados os aspectos culturais e devocionais característicos da espiritualidade e liturgia ligadas a Fátima. A coincidência com o tempo de Pentecostes foi extraordinária proporcionando assim a catequese sobre Maria, Mãe de Jesus e o Espírito Santo, alma da Igreja.
No geral, em todas as paróquias, o tempo de permanência da Imagem Peregrina foi ocupado com momentos de oração comunitária, oração silenciosa, recitação do rosário, procissões de rua, sessões de formação bíblica para jovens e adultos, catequeses para crianças sobre a Mensagem de Fátima e Filme sobre vida dos santos pastorinhos, celebrações com doentes e idosos, noite de oração, vêsperas, Eucaristias e Adoração, Consagração e Concertos Musicais, Teatro e actividades lúdicas para crianças. Foi uma maratona de oração, como disse um pároco feliz pela nova experiência pastoral na sua paróquia.
No Sul, terra de multiculturalidade e das três fronteiras, todas as comunidades linguísticas organizadas foram convidadas a integrar o programa intercomunitário para dar visibilidade à universalidade que marca a devoção à Senhora de Fátima, como também a vida e missão da igreja que peregrina nesta região do Luxemburgo. Participaram as comunidades: luxemburguesa, italiana, polaca, vietnamita, caboverdiana, francesa, belga e portuguesa. Foram muitos os cristãos que vieram da França e da vizinha Bélgica. Só para citar um exemplo: a comunidade portuguesa de Mont Saint-Martin (Longwy) juntou-se fraternalmente à paròquia luxemburguesa de Petange. A Visita facilitou o encontro e a colaboração entre as várias comunidades aumentando o sentido de pertença à paróquia e amor à oração.
A celebração do “Adeus” repleta de sentimento, emoção, lágrimas, corações cantantes, lenços brancos permanece para os luxemburgueses um sinal religioso a interpretar e um rito cultural a descodificar paulatinamente no diálogo intercultural. Revela, de forma simples, intensa e teologal, um elemento constitutivo da identidade cultural e da religiosidade popular da comunidade portuguesa, a maior comunidade estrangeira e católica do Grão-Ducado.
R.P.

Jun 8, 2017 | Artigo, Missões
DIA DE PORTUGAL
10.06.2017
O que celebra Portugal e os portugueses no dia 10 de Junho? Mais um feriado? Um acontecimento que envolve todos os portugueses, uma festa, que necessita de um dia livre de trabalho, para que as pessoas se possam encontrar e festejar? Mas os portugueses espalhados pelo mundo, os emigrantes, que têm de trabalhar, estarão impedidos de celebrar o Dia de Portugal? Como poderão todos os portugueses, quer trabalhem ou estejam livres, celebrar este dia?
Ainda bem que a designação oficial deste feriado é Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, em que todos os que são e se sentem portugueses poderão comemorar, quer residam em território português ou no estrangeiro. Não com um sentimento nacionalista, exclusivista de todos os outros povos, mas com a alegria de sermos portugueses. Portugal, um jardim à beira mar plantado, é o país mais antigo da Europa nas atuais fronteiras. Temos um grande poeta que cantou e contou a história de Portugal na epopeia os Lusíadas, até ao século XVI, Luís de Camões e temos comunidades de língua portuguesa espalhadas pelo mundo, que não apenas se entendem pela língua, que, segundo Fernando Pessoa, define a pátria de cada um, mas também pela cultura. Sendo esta evolutiva, há no entanto algumas caraterísticas que permanecem ao longo dos séculos. Quais serão elas?
No breve espaço desta mensagem não poderei refletir em profundidade sobre os aspetos que permanecem na cultura portuguesa através dos tempos. Vou apenas mencionar um, pedindo aos leitores a benevolência para a minha ousadia.
Somos um povo da saudade, de sentimentos ternos e maternos, quase como as mães em relação aos seus filhos e à sua família. Não é por acaso que desde a nossa independência como país somos conhecidos por terra de Santa Maria nem, há cem anos, nas aparições de Fátima, segundo as Memórias da Irmã Lúcia, Nossa Senhora disse que a fé em Portugal se manteria até ao fim dos tempos. Nem é por acaso que a colonização portuguesa criou a mestiçagem e que hoje em dia os portugueses são bem vistos pelos diversos povos para onde emigramos. Tenho tido a graça de participar em muitas festas das comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo e sempre ouvi falar bem dos emigrantes portugueses e percebi a veracidade disso.
Neste ano temos muitos acontecimentos que devem alimentar a nossa autoestima, não para nos julgarmos mais que os outros povos, mas para continuar a apreciar as nossas diferenças e as partilharmos com todos. A seleção portuguesa de futebol ganhou em França, em 2016, o campeonato da Europa, Portugal ganhou o festival da canção na Eurovisão e o Papa veio a Fátima juntar-se à multidão de peregrinos para agradecer a Nossa Senhora os seus desvelos de Mãe e os pastorinhos terem sabido acolher a sua mensagem e a transmitirem ao mundo: oração do rosário, sacrifícios pela conversão dos pecadores e amor ao Papa, o homem vestido de branco, para que haja paz no mundo. Ao mesmo tempo o Papa canonizou os pastorinhos Francisco e Jacinta Marto, os primeiros santos não mártires mais jovens da história da Igreja, de 8 e 10 anos, mostrando ao mundo a verdade do Evangelho: Se não voltardes a ser como as criancinhas, não podereis entrar no Reino do Céu (Mt 18, 3).
† António Vitalino OCarm, bispo emérito de Beja