Fev 27, 2020 | Notícias

Mensagem do XV Conselho Ordinário da Secretaria-Geral do Sínodo dos Bispos sobre as graves consequências do movimento de pessoas que ocorre no mundo
Cidade do Vaticano, 15/02/2020
O XV Conselho Ordinário da Secretaria-Geral do Sínodo dos Bispos, presidido pelo Papa Francisco, reunido em Roma nos dias 6 e 7 de fevereiro de 2020, refletiu, entre outras coisas, acerca das consequências do fenómeno migratório que ocorre em diferentes regiões do planeta.
Por causa de guerras, desigualdades económicas, procura de trabalho e de terras mais férteis, perseguição religiosa, terrorismo, crise ecológica, etc., muitíssimas pessoas são forçadas a deslocar-se de um país para outro. Os efeitos são frequentemente devastadores. As pessoas ficam desorientadas, as famílias destruídas, os jovens traumatizados e os que ficaram na sua terra mergulhados no desespero. Às vezes, essas pessoas sofrem em campos de refugiados e algumas até acabam na prisão. Mulheres e jovens são forçados à prostituição; são abusados física, social e sexualmente. Os filhos são separados dos pais e privados do direito de crescer na segurança de uma família unida.
Diante desta realidade, o Conselho do Sínodo deseja recordar que a Igreja, enquanto lamenta as razões que provocam um movimento tão vasto de pessoas, é chamada a oferecer conforto, consolo e acolhimento a todos quantos sofrem de uma maneira ou de outra. Ela identifica-se com os pobres, os pequenos e os estrangeiros, considerando como parte da sua missão profética o compromisso de elevar a voz contra a injustiça, a exploração e o sofrimento.
Ao mesmo tempo, a Igreja aprecia os governos e as organizações não-governamentais que demonstram interesse e estão comprometidos em ajudar as pessoas forçadas a deslocar-se. A Igreja apoia quantos estão a procurar implementar políticas que sejam favoráveis ao acolhimento dessas pessoas nas suas comunidades. Ela espera que os governos locais enfrentem as situações que forçam as pessoas a deixar a sua terra. Pede vigilância contra o tráfico de pessoas e um compromisso pela promoção do fim dos conflitos que provocam tanto sofrimento.
Confiamos os nossos irmãos e irmãs que sofrem a Maria, Mãe da humanidade, ela que também sentiu a dor de ter que deixar a sua casa e o seu país juntamente com a sua própria família em busca de segurança e paz.
Out 9, 2019 | Migrantes, Notícias, Recortes
A exposição itinerante (patente na escola sede até ao dia 16 do corrente mês de outubro) foi disponibilizada pela Cáritas Portuguesa e a palestra foi feita pela Dr.ª Eugénia Quaresma, diretora da Obra Católica Portuguesa de Migrações, no passado dia 4 de outubro. A sessão de sensibilização e esclarecimento complementou e enquadrou a exposição itinerante “Migrações e Desenvolvimento”.
Estas iniciativas inserem-se no conjunto de atividades previstas no âmbito do projeto MIND (Migrações. Interligação. Desenvolvimento), promovidas no nosso país pela Cáritas Portuguesa, e têm como principais objetivos:
– Desafiar o público mais JOVEM a conhecer melhor e a refletir sobre a realidade do fenómeno das Migrações e a sua íntima relação com o Desenvolvimento Humano;
– E promover o debate sobre: Migrações e Desenvolvimento; Factos e mitos sobre migrações; Emigração e imigração em Portugal; Migrações forçadas; A Agenda 2030 e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável; A contribuição dos migrantes para o Desenvolvimento; Os Pactos Globais sobre Migrações e Refugiados e os 20 Pontos de Ação.
Na sua apresentação, a Dr.ª Eugénia Quaresma centrou o trabalho das várias instituições de apoio a (e/i)migrantes e os serviços disponíveis em torno de quatro palavras-chave: ACOLHER, PROTEGER, PROMOVER e INCLUIR/INTEGRAR para assegurar o sucesso da integração dos migrantes e garantir histórias com um final feliz. Como disse numa entrevista à Rádio Renascença (e se pode ler no Roteiro de apoio à exploração da exposição a que os alunos têm tido acesso): “É muito importante trabalhar nas causas da emigração forçada e fazer cumprir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável que passam pela erradicação da pobreza, por mais e melhores condições de saúde, pela educação e pela justiça. O combate à corrupção e ao tráfico humano, por exemplo, dependem da justiça funcionar efetivamente.”
Vivemos tempos em que urge a reflexão sobre o fenómeno migratório: as suas causas, as medidas de apoio a quem chega e parte e a aliança entre a razão e os afetos para minimizar os dramas pessoais e potenciar a partilha das experiências de vida e das heranças culturais que todos trazem consigo.
Embora estas iniciativas tenham como público-alvo privilegiado os jovens, é certamente do interesse de toda a comunidade compreender melhor este tema da atualidade.
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Jul 9, 2019 | Artigo, espiritualidade, Migrantes, Notícias, Recortes, Refugiados, Santa Sé

Homilia 8.7.2019 – Tradução Portuguesa Mário Almeida, Secção Migrantes e Refugiados
Hoje, a Palavra de Deus fala-nos de salvação e libertação.
Salvação. Durante a sua viagem de Bersabé para Harã, Jacob decide parar e descansar num lugar solitário. Em sonho, vê uma escada cujo pé assenta na terra e o topo toca o céu (cf. Gn 28, 10-22a). A escada, pela qual sobem e descem os anjos de Deus, representa a ligação entre o divino e o humano, que se realiza historicamente na encarnação de Cristo (cf. Jo 1, 51), amorosa oferta de revelação e salvação por parte do Pai. A escada é alegoria da iniciativa divina que antecede todo e qualquer movimento humano. É a antítese da torre de Babel, construída pelos homens que queriam, com as suas forças, chegar ao céu para se tornarem deuses. Neste caso, ao contrário, é Deus que «desce», é o Senhor que Se revela, é Deus que salva. E o Emanuel, o Deus-connosco, realiza a promessa de pertença mútua entre o Senhor e a humanidade, no sinal dum amor encarnado e misericordioso que dá a vida em abundância.
À vista desta revelação, Jacob realiza um ato de entrega ao Senhor, que se traduz num compromisso de reconhecimento e adoração que marca um momento essencial na história da salvação. Pede ao Senhor que o proteja ao longo do caminho difícil que está a fazer e diz: «O Senhor será o meu Deus» (Gn 28, 21).
Dando eco às palavras do Patriarca, repetimos no Salmo: «Meu Deus, em Vós confio». Ele é o nosso refúgio e nossa fortaleza, escudo e couraça, âncora nos momentos de prova. O Senhor é abrigo para os fiéis que O invocam na tribulação. Aliás, é precisamente nestes momentos que a nossa oração se torna mais pura, isto é, quando nos damos conta de que as certezas oferecidas pelo mundo pouco valem, e nada mais nos resta senão Deus: só Deus abre de par em par o Céu a quem vive na terra; só Deus salva.
E esta entrega total e extrema é precisamente o elemento comum entre o chefe da sinagoga e a mulher hemorroíssa, no Evangelho (cf. Mt 9, 18-26). São episódios de libertação. Ambos se aproximam de Jesus para obter d’Ele o que mais ninguém lhes pode dar: libertação da doença e da morte. Dum lado, temos a filha duma das autoridades da cidade; do outro, uma mulher atribulada por uma doença que faz dela uma excluída, uma marginalizada, uma pessoa impura. Mas Jesus não faz distinções: a libertação é concedida generosamente em ambos os casos. A necessidade coloca a ambas – a mulher e a menina – entre os «últimos» que devemos amar e levantar.
Jesus revela aos seus discípulos a necessidade duma opção preferencial pelos últimos, que hão de ocupar o primeiro lugar no exercício da caridade. São tantas as pobrezas de hoje! Como escreveu São João Paulo II, «“pobres”, nas várias aceções da pobreza, são os oprimidos, os marginalizados, os idosos, os doentes, as crianças, todos aqueles que são considerados e tratados como “últimos” na sociedade» (Exort. ap. Vita consecrata, 82).

Neste sexto aniversário da visita a Lampedusa, penso nos «últimos» que diariamente clamam ao Senhor, pedindo para ser libertados dos males que os afligem. São os últimos enganados e abandonados a morrer no deserto; são os últimos torturados, abusados e violentados nos campos de detenção; são os últimos que desafiam as ondas dum mar impiedoso; são os últimos deixados em acampamentos de acolhimento (demasiado longo, para ser chamado de temporário). Estes são apenas alguns dos últimos que Jesus nos pede para amar e levantar. Infelizmente, as periferias existenciais das nossas cidades estão densamente povoadas de pessoas que foram descartadas, marginalizadas, oprimidas, discriminadas, abusadas, exploradas, abandonadas, de pessoas pobres e sofredoras. No espírito das Bem-aventuranças, somos chamados a acudir misericordiosamente às suas aflições; saciar a sua fome e sede de justiça; fazer-lhes sentir a solícita paternidade de Deus; mostrar-lhes o caminho para o Reino dos Céus. São pessoas; não se trata apenas de questões sociais ou migratórias! «Não se trata apenas de migrantes!», no duplo sentido de que os migrantes são, antes de mais nada, pessoas humanas e que, hoje, são o símbolo de todos os descartados da sociedade globalizada.
Retorna espontaneamente à mente a imagem da escada de Jacob. Em Jesus Cristo, está assegurada e é acessível a todos a ligação entre a terra e o Céu. Mas subir os degraus desta escada requer empenho, esforço e graça. Os mais frágeis e vulneráveis devem ser ajudados. Apraz-me pensar que poderíamos ser, nós, aqueles anjos que sobem e descem, pegando ao colo os pequenos, os coxos, os doentes, os excluídos: os últimos, que caso contrário ficariam para trás e veriam apenas as misérias da terra, sem vislumbrar já desde agora algum clarão do Céu.
Trata-se, irmãos e irmãs, duma grande responsabilidade, da qual ninguém se pode eximir, se quiser levar a cabo a missão de salvação e libertação na qual fomos chamados a colaborar pelo próprio Senhor. Sei que muitos de vós, chegados apenas há alguns meses, já estais a ajudar irmãos e irmãs que chegaram depois. Quero agradecer-vos por este estupendo sinal de humanidade, gratidão e solidariedade.
—
Mário Almeida
Area Africa and Madagascar
Migrants & Refugees Section
Integral Human Development
Abr 24, 2019 | Artigo, Dioceses, Migrantes, Notícias, Recortes, Refugiados
As migrações fazem parte da nossa História enquanto Humanidade. A circulação de pessoas que ao longo dos tempos, atravessaram montanhas e vales, cruzaram mares e hoje cruzam os céus deveria ser natural, um ato verdadeiro de vontade; mas sabemos que nem sempre foi nem é assim. Infelizmente as migrações forçadas ainda hoje existem e assumem causas diversas, tais como perseguições políticas, étnicas ou religiosas, fugas de guerra, pobreza e catástrofes naturais, o sonho de uma vida melhor, o desejo de levar Deus a povos remotos; diante de cada um destes cenários, a resposta mais humana e edificante é a hospitalidade e não a hostilidade que, temos vindo a assistir em crescendo, expressa em discursos de ódio que revelam a xenofobia latente e resultados eleitorais perigosos para a democracia, em todos os cantos do globo.
O acolhimento exercido por todos aqueles que, em comunidade, em família ou a título pessoal, reconhecem as necessidades de quem passa ou chega constitui-se uma referência de estabilidade, um porto de abrigo, que a qualquer ser humano, deveria ser oferecido, principalmente quando se experimenta o imperativo de recomeçar.
Ser uma pessoa em contexto de mobilidade humana, implica escolher viver e essa opção acarreta o risco da vulnerabilidade e da incompreensão, suportar medos e discriminações, isolamentos e explorações, por vezes, mais difíceis de transpor que alguns muros físicos que ao longo do tempo e do espaço foram construídos, geraram periferias existenciais e refletem desequilíbrios urbanos.
Muito possivelmente por estarmos na era da globalização e da comunicação, assistimos todos os dias a terríveis atrocidades, que nos motivam e interpelam para uma consciência, cada vez maior, de que só trabalhando de forma articulada conseguimos obter resultados mais eficientes e duradouros.
Quem está no terreno e acompanha as pessoas em situação de mobilidade chega à conclusão de que só construindo pontes entre Comunidades, Regiões e Estados é possível fazer a diferença. Ousar a memória, aprender com a história, operacionalizar o que já está consagrado em Leis, Tratados e Convenções, honrar compromissos que colocam no centro a dignidade humana, a justiça e a coesão social, reconhecer os migrantes e refugiados como co-protagonistas do desenvolvimento é o caminho do futuro que precisamos de trilhar, hoje.
Nas Nações Unidas, os Estados têm assumido compromissos importantes que revelam a disponibilidade e vontade política para articular esforços ao nível da cooperação, segurança, hospitalidade, solidariedade, e assim enfrentar os desafios de um fenómeno que é legítimo. Contudo compete também ao cidadão comum reconhecer em quem migra uma pessoa com ou sem família, portadora de direitos, de uma bagagem cultural, valores, crenças, competências; aceitar o migrante como alguém que ajuda a construir a cidade do ponto de vista económico, cultural, social, espiritual, capaz de criar e participar em espaços de diálogo onde se aprende a afirmar que somos pessoas de saberes, hábitos, valores que na promoção do encontro vão amadurecendo. Compete a todos nós aprender a olhar e aceitar com gestos concretos o migrante como detentor de uma cidadania consagrada pela Convenção Universal dos Direitos Humanos e considerá-lo um merecido habitante deste Planeta Terra, nossa Casa Comum.
Partilhamos uma casa comum em pé de desigualdade, diariamente, somos recordados que as circunstâncias e os rostos da mobilidade também são mutáveis. Por isso importa conhecer e difundir os princípios e as leis que nos protegem, promovem a vida humana e ambicionam um desenvolvimento sustentável, como os 17 objetivos da Agenda 2030, assumidos pelos Governos de todo o mundo e Organizações Não-governamentais para o Desenvolvimento – ONGD, e que precisam ser cada vez mais conhecidos e apropriados pelo cidadão comum. Só desta forma tantos milhões de pessoas podem exercer o seu direito a não emigrar e permanecer no seu país de origem em condições dignas.
Importa também conhecer e acompanhar a implementação dos Pactos Globais para Refugiados e para as Migrações Ordenadas, Seguras e Regulares, aprovados em Dezembro do ano passado em Marraquexe, uma vez que estes visam proteger de forma global todas as pessoas que ponderem a necessidade de emigrar exercendo com liberdade esse mesmo direito.
Recentemente, em Janeiro deste ano foram publicadas pela Santa Sé as orientações pastorais sobre o tráfico de seres humanos, possíveis de serem consultados no site da Secção Migrantes e Refugiados. Um crime hediondo transnacional, que por assentar na exploração, desumanizar e transformar pessoas em mercadoria, precisa de ser conhecido e combatido.
A cada crente impõe-se o imperativo ético de não explorar, não lucrar, não usar de violência para com o seu semelhante, cuidar do valor da vida humana e proteger as potenciais vítimas da sedução e do engano.
As próximas Jornadas do Migrante e do Refugiado, irão assinalar-se no dia 29 de Setembro de 2019, em todas as paróquias e comunidades cristãs espalhadas pelo mundo e terão como tema: Não se trata apenas de Migrantes.
O Santo Padre confia a toda a Igreja, a partir da Pastoral das Migrações, a sensibilização para estas questões. Não se trata apenas de migrantes. São pessoas. Em Igreja afirmamos – São irmãos, não apenas migrantes. E ainda em Igreja recordamos que foi o próprio Cristo que se quis configurar com os mais pequeninos, isto é, os mais vulneráveis da mobilidade humana, deixando-nos como mandato o Acolhimento.
Em Cristo reafirmamos que a Hospitalidade faz parte do nosso ADN e colocamos os migrantes e refugiados no coração da Igreja, isto é, Papa, bispos, sacerdotes, religiosas e religiosos, leigos e leigas, que deixando-se conduzir por Deus se constituem em comunidades de fé.
Deus visita o seu Povo nos migrantes que chegam até nós, Deus faz-se companheiro de caminho através dos missionários e agentes pastorais que vão ao encontro de outros povos, e no fim, a missão é só uma constituir uma só família humana, apesar da diversidade cultural que constitui os povos. Através da hospitalidade Deus fala ao seu povo reunido de todas partes, unidos pela fé, pela gramática do amor que gera comunhão. Deus quer através daqueles que se apresentam como forasteiros, revelar-se como bom Samaritano, que quer curar-nos do egoísmo, da indiferença, do isolamento, da xenofobia.
Se nos deixarmos conduzir por Cristo, através dos migrantes, descobriremos terrenos novos e novas atitudes a semear. Encontrar e acompanhar a via-sacra dos migrantes e refugiados, confronta-nos com as injustiças da lei ou de quem as aplica, isso interpela-nos a uma nova cultura.
O conflito, o confronto sem violência, faz parte desta exigência de crescimento, a mudança interior é inevitável. Em Deus, nasce a fraternidade, apesar das diferenças.
Para prosseguirmos juntos temos que ousar reconciliar a memória, isso implica tratar as feridas e as mágoas do passado, para construirmos um futuro juntos como uma só família humana. Este sonho de Deus, atravessa o pessoal, o comunitário, o nacional até chegar ao global.
Cresce a consciência de que só de forma interligada podemos responder aos desafios, só contando com os migrantes e refugiados como co-protagonistas do desenvolvimento teremos sociedades mais justas e fraternas. Seremos mais Igreja, na medida em que soubermos trabalhar em conjunto, e por consequência mais eficazes.
Deus através do seu filho Jesus Cristo, que se revela nos mais vulneráveis e desprotegidos, aponta-nos o caminho, da misericórdia e da justiça. Quer gerar comunidades verdadeiramente abertas que afirmam a sua identidade, sendo porta que escuta e acolhe a diversidade daqueles que procuram Cristo; derrubando os muros que nos impedem de ser Igreja Católica, mãe de todos sem fronteiras.
EUGÉNIA QUARESMA
DIRECTORA DA OBRA CATÓLICA PORTUGUESA DE MIGRAÇÕES
Publicado in Diário do Minho, 4 de abril 2019
Abr 9, 2019 | Artigo, Dioceses, Migrantes, Notícias, Recortes, Refugiados
Conferência «Olhares sobre as Migrações»; Fotografia Ana Pinheiro em jornal Diário do Minho
Braga: Arcebispo assinala que «ninguém pode ficar indiferente» aos refugiados ou migrantes que pedem proteção
Braga, 06 abr 2019 (Ecclesia) – O arcebispo de Braga disse que só “uma verdadeira ação concertada dos Governos” responde à crise migratória, esta sexta-feira, na abertura da conferência ‘Olhares sobre as Migrações’, a última sessão do Ciclo Nova Ágora 2019, no Auditório Vita.
“Nenhum país resolverá o problema sozinho, só uma solução intergovernamental onde a solidariedade entre os Estados se torna efetiva e duradoura resolverá este terrível problema que envergonha os países desenvolvidos”, disse D. Jorge Ortiga.
O arcebispo de Braga, na abertura da conferência ‘Olhares sobre as Migrações’, assinalou que “só uma verdadeira ação concertada” dos Governos da Europa, referindo-se ao “Velho Continente”, vai ser capaz de responder à crise migratória e “poderá defender com humanismo os migrantes dos traficantes ou da morte do Mediterrâneo”.
“E criará como algo imprescindível e prioritário as condições para que possam permanecer nos seus países de origem terminando com os conflitos bélicos”, acrescentou.
Para D. Jorge Ortiga “ninguém pode ficar indiferente” aos milhões de refugiados ou migrantes forçados que pedem “proteção internacional” e às vítimas do tráfico e das novas formas de escravidão nas mãos de organizações criminosas.
Aos participantes da última sessão do Ciclo de Conferências ‘Nova Ágora’ 2019, lembrou que o Papa “desafia” as comunidades cristãs “a conjugarem quatro verbos – acolher, proteger, promover e integrar” – e cada um “encerra um programa” que diz que “não basta fazer de conta que problema não existe e solução diz respeito a outros”.
Para apresentarem os seus ‘Olhares sobre as Migrações’ a Arquidiocese de Braga convidou o diretor-geral da Organização Internacional para as Migrações, António Vitorino, o Alto-comissário para as Migrações, Pedro Calado, e José Luís Carneiro, secretário de Estado das Comunidades Portuguesas.
“O que faz falta são vozes razoáveis, ponderadas a discutir este tema. O Papa Francisco tem sido das poucas vozes que se tem levantado a defender valores que são católicos mas não são exclusivos: Dignidade da pessoa humana, obrigação da proteção internacional, respeito pelos Direitos Humanos dos migrantes”, disse António Vitorino.
Segundo o diretor-geral da OIM, o número de pessoas que tentam atravessar o Mediterrâneo da Líbia para a Europa “diminuiu no último ano cerca de 80%” mas as políticas dirigidas às causas das migrações “são de longo prazo”, “exigem sustentabilidade no tempo”, e não se podem criar “expectativas infundadas”.
“Não há arame farpado que detenha o desespero humano; É preciso olhar para as migrações de uma maneira completamente diferente”, acrescentou, observando que “é uma agenda difícil”.
António Vitorino explicou que “às causas tradicionais” – pobreza, doença, fuga dos conflitos – a mobilidade humana é originada, cada vez mais, motivos “ligados aos desequilíbrios demográficos, as epidemias e as alterações climáticas”.
“O ritmo das migrações vai no sentido crescente e reside um paradoxo, vai crescendo a rejeição das migrações, em muitos países de destino; A realidade dos números mostram que as migrações sul-sul, entre países em via de desenvolvimento no sul global, superam em número as migrações sul-norte”, observou, dando como exemplo a que “apenas 20%” dosa africanos migra para fora do próprio continente.
Sobre o ciclo de conferências, o arcebispo de Braga explicou quando deram início “à experiência de Nova Ágora”, há cinco anos”, foi para “ouvir”, saindo dos espaços eclesiásticos, “o que o mundo sussurra com ténues gemidos ou através de gritos humanitários”.
“Caminhamos juntos para construir uma cidade dos homens mais aberta aos valores universais, aos direitos fundamentais e à dignidade de todos”, destacou D. Jorge Ortiga.
Para além das “Migrações”, ‘Poder e Corrupção’ e ‘Populismos’ foram outros temas em análise no ‘Nova Ágora’ 2019 que se descentralizou e as primeiras sessões foram em Guimarães, Vila Nova de Famalicão.
CB
Mar 13, 2019 | Artigo, Dioceses, Informações, Notícias
Integrada na campanha internacional “Partilhar a Viagem”, promovida pelo Papa Francisco, O Secretariado Diocesano das Migrações e Turismo recebeu a “Mala da Partilha”, que está a percorrer algumas dioceses do nosso País, para recolha de testemunhos de quem aceitar partilhar a sua aventura migratória.
Todo o Migrante tem uma história de vida. O que se pede é que escrevam relatando a sua experiência de imigração/emigração, que irá certamente contribuir para levar à sociedade uma visão mais esclarecedora do fenómeno migratório, com tudo o que ele provoca de positivo e negativo. A partida implica sempre alguma ruptura (cultural, afectiva…) e qualquer ruptura é sempre dolorosa. Há depois dificuldades, maiores ou menores, de adaptação, de aprendizagem da língua, , procura de trabalho, documentação… E há, felizmente muitas vezes, histórias de sucesso.
Depois de ter passado na Diocese de Bragança – Miranda, a Mala da Partilha, foi entregue à Diocese do Porto, onde ficará por duas semanas, à responsabilidade do Secretariado Diocesano das Migrações e Turismo, que, por sua vez, a passará, depois, à Diocese de Aveiro.
A Mala da Partilha passará pelas dioceses que aderiram e no final do percurso, em Maio, a Caritas Portuguesa entrega todas as cartas à Caritas Internacional, promotora deste evento a nível mundial, e esta por sua vez, as fará chegar ao Vaticano, às mãos do Papa Francisco.
