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Vaticano: Papa defende «responsabilidade e humanidade» na resposta a quem deixa o seu país

Vaticano: Papa defende «responsabilidade e humanidade» na resposta a quem deixa o seu país

O Papa Francisco associou-se hoje no Vaticano à próxima celebração do Dia Mundial do Refugiado, a 20 de junho, defendendo “responsabilidade e humanidade” no acolhimento a quem deixa o seu país.

“Desejo que os Estados envolvidos nestes processos cheguem a um entendimento, para assegurar, com responsabilidade e humanidade a assistência e a proteção a quem é forçado a deixar o seu próprio país”, disse, desde a janela do apartamento pontifício, após a recitação do ângelus.

O pontífice sublinhou que o Dia Mundial do Refugiado, promovida pelas Nações Unidas, visa “chamar a atenção para o que vivem, muitas vezes com grande ansiedade e sofrimento” homens e mulheres “obrigados a fugir da sua terra, por causa de conflitos e perseguições”.

Este ano, precisou, a celebração “chega no meio de consultas entre governos para a adoção de um Pacto Mundial para os refugiados”, bem como um Pacto para a Migração segura, ordenada e regular.“Cada um de nós é chamado a estar próximo dos refugiados, a encontrar com eles momentos de encontro, a valorizar o seu contributo, para que também eles se possam inserir melhor nas comunidades que o recebem”, acrescentou.

Segundo Papa, neste encontro e neste “apoio recíproco” está a “solução para muitos problemas”.

Esta semana, Francisco tinha apelado ao acolhimento dos que deixam a sua terra em busca de “pão e de justiça”, criticando quem os quer deixar “à mercê das ondas”, numa referência indireta à polémica com o navio Aquarius, impedido de atracar na Itália, que chegou esta manhã a Valência, na Espanha.

A confederação internacional da Cáritas vai promover entre hoje e 24 de junho uma campanha de sensibilização em favor dos migrantes e refugiados, com a participação de Portugal.

A “Semana Global de Ação” insere-se na iniciativa the Journey’ (partilhe a viagem), inaugurada pelo Papa em setembro de 2017.

 

Fonte: Agencia Ecclesia

Vaticano: Papa defende «responsabilidade e humanidade» na resposta a quem deixa o seu país

“Aquarius”: Cardeal Ravasi evoca Evangelho sobre acolhimento e desencadeia onda de reações

Uma evocação do Evangelho publicada esta segunda-feira no Twitter pelo presidente do Conselho Pontifício da Cultura, cardeal Gianfranco Ravasi, a propósito do drama vivido pelas pessoas a bordo do barco “Aquarius”, no Mediterrâneo, desencadeou uma onda de reações dirigidas ao prelado italiano e à Igreja.

«Era estrangeiro e não me acolhestes», foi a passagem mencionada, extraída do capítulo 25, versículo 43, do Evangelho segundo S. Mateus, que numa tradução em português europeu se lê: «Era peregrino e não me recolhestes, estava nu e não me vestistes, doente e na prisão e não fostes visitar-me».

Gianfranco Ravasi, biblista, aludia ao barco fretado pela organização não-governamental SOS Mediterrané, onde se encontram 629 migrantes recolhidos no mar, e que ontem a Itália e Malta recusaram receber, tendo mais tarde recebido ofertas de acolhimento por parte de Espanha e, mais recentemente, da Córsega.

«Eminência, não podemos acolher todos. Como diz a minha velha mamã: primeiro tu, depois os teus, depois os outros, se puder ser…» é o primeiro dos mais de 1600 comentários ao “tweet” do cardeal.

Entre as respostas menos vulgares incluem-se «Que cuide deles o cardeal no Vaticano», «Eram pedófilos e não os prendestes», «O dinheiro do IOR [entidade bancária da Santa Sé] investi-o todo em África», «Vim para traficar, para violar, para islamizar, para viver à borla e não me acolhestes», «Jesus disse que a verdade vos tornará livres. Basta de negros e árabes que comem de borla».

«Se ao espelho olhamos o nosso rosto, descobrimos nele os traços da humanidade, porque a ela todos pertencemos, para além das diferenças étnicas, culturais, religiosas»

«Abri as portas do Vaticano e colocai lá todos os clandestinos que quiserdes» e «Cardeal vós possuís riquezas imobiliárias superiores à dívida pública italiano, vendei alguns imóveis e ide para África e Médio Oriente para ajudar os pobres; devia estar na primeira linha para cessar o tráfico de escravos», são outros exemplos de comentários.

Há duas horas, o cardeal Ravasi voltou à Bíblia, citando desta vez a primeira carta de S. João (4, 16): «Deus é amor; quem está no amor permanece em Deus e Deus nele», depois de, ontem, ter evocado um autor cristão, Georges Bernanos: «Para encontrar a esperança é preciso ir para lá de todo o desespero. Quando se vai até ao fim da noite, encontra-se uma nova aurora».

«Tempo virá/ em que, exultante,/ te saudarás a ti mesmo chegado/ à tua porta, no teu próprio espelho/ e cada qual sorrirá ante a saudação do outro,/ e dirá: Senta-te aqui. Come./ Amarás de novo o estrangeiro que era o teu Eu./ Dá vinho. Dá pão. Devolve o coração/ a ele próprio, ao estrangeiro que te amou/ toda a tua vida, que ignoraste».

Na coluna que assinava diariamente no jornal italiano “Avvenire”, o P. Ravasi, ainda não criado cardal, citou versos da poesia “Amor após amor”, de Derek Walcott, «o cantor dos mestiços, nascido numa ilha das Caraíbas, Santa Lúcia, em 1939».

«Como se intui, unem-se e sobrepõem-se duas fisionomias diversas, a minha e a do outro, o estrangeiro. Se ao espelho olhamos o nosso rosto, descobrimos nele os traços da humanidade, porque a ela todos pertencemos, para além das diferenças étnicas, culturais, religiosas.

Depois de encorajar «a dar as boas-vindas aos refugiados» nas casas e comunidades, «de maneira que a sua primeira experiência da Europa não seja a traumática de dormir ao frio nas estradas, mas a de um acolhimento quente e humano», Francisco lembrou as palavras agora evocadas pelo cardeal Ravasi

“Amarás o estrangeiro que era o teu Eu”, diz o poeta. “Amarás o teu próximo como a ti mesmo”, diz a Bíblia. Neste paralelo há dois amores que se fundem, o espontâneo por si próprio e aquele que o é para os outros, muitas vezes conquistado com algum esforço mas que deverá ser, da mesma maneira, intenso.

Devemos tentar reconduzir o nosso coração “a si mesmo”, isto é, à sua consciência profunda, e aí descobriremos que há o estrangeiro dentro de nós porque ele é semelhante a nós por causa do próprio Deus que o criou, do próprio Cristo que o redimiu, do próprio amor que foi deposto nele e em nós, e do próprio pecado que obscurece a nós e a ele», observou Ravasi.

Numa das múltiplas ocasiões em que se referiu aos migrantes, o papa Francisco lembrou que «tragicamente, no mundo há hoje mais de 65 milhões de pessoas que foram obrigadas a abandonar os seus locais de residência. Este número sem precedentes vai além de toda a imaginação».

«Se formos além da mera estatística, descobriremos que os refugiados são mulheres e homens, rapazes e raparigas que não são diferentes dos membros das nossas famílias e dos nossos amigos. Cada um deles tem um nome, um rosto e uma história, como o inalienável direito de viver em paz e de aspirar a um futuro melhor para os seus filhos», sublinhou em setembro de 2016.

Depois de encorajar «a dar as boas-vindas aos refugiados» nas casas e comunidades, «de maneira que a sua primeira experiência da Europa não seja a traumática de dormir ao frio nas estradas, mas a de um acolhimento quente e humano», Francisco lembrou as palavras evocadas agora pelo cardeal Ravasi, «tive fome e destes-me de comer, tive sede e destes-me de beber, era estrangeiro e acolhestes-me», e lançou um desafio: «Levai estas palavras e os gestos convosco, hoje. Que possam servir de encorajamento e de consolação».

Na segunda-feira, o arcebispo de Madrid, cardeal Carlos Osoro Sierra, também se exprimiu no Twitter: «O mandato é claro: “Fui forasteiro e hospedastes-me”. Para além de considerações políticas e legais, ao ler a vida desde o Evangelho, um vai em busca do outro. #Aquarius é um chamamento de Cristo à Europa».

SNPC
Imagem: D.R.
Publicado em 12.06.2018

http://www.snpcultura.org/aquarius_cardeal_ravasi_evoca_evangelho_sobre_acolhimento_e_desencadeia_reacoes_internet.html

 

Refugiados: Vaticano pede Pacto Global que apoie «verdadeiramente» quem procura apoio internacional

Refugiados: Vaticano pede Pacto Global que apoie «verdadeiramente» quem procura apoio internacional

Genebra, 12 abr 2018 (Ecclesia) –  O Vaticano destacou a necessidade de os países adotarem “políticas inclusivas e não-discriminatórias” relativamente aos refugiados, que garantam soluções rápidas a quem busca asilo e ajuda, e a segurança dos cidadãos.

D. Ivan Jurkovic, observador permanente da Santa Sé junto das Nações Unidas, abordou a questão num conjunto de sessões em Genebra sobre o Pacto Global para os Refugiados.

Na intervenção, enviada hoje à Agência ECCLESIA, o responsável frisou que “a segurança das fronteiras e o bem-estar dos refugiados ou daqueles que pedem asilo não devem ser vistas como algo inconciliável”, mas como “dois pilares” da mesma política migratória.

O arcebispo esloveno lembrou sobretudo a indefinição que rodeia o futuro de muitos refugiados que “fugiram de conflitos armados, de situações de perseguição e violência”.

Homens, mulheres e crianças, famílias que merecem respostas “rápidas” e um processo mais eficaz de “triagem e admissão”.

“Um plano migratório exclusivamente orientado para a questão da segurança deixa de lado as tragédias que obrigam as pessoas a procurar proteção fora dos seus países”, salientou o representante da Santa Sé, que pede “um programa de ação mais abrangente e humano”.

“É fundamental assegurar que este documento (ndr: Pacto Global) contribua verdadeiramente para a melhoria da vida dos milhões de refugiados que continuamente procuram proteção internacional”, referiu D. Ivan Jurkovic.

Numa perspetiva mais específica, o arcebispo sublinhou duas áreas urgentes na definição das políticas de apoio aos refugiados: o acesso à educação e aos cuidados de saúde.

Para o observador permanente da Santa Sé junto das Nações Unidas, além de essencial na integração dos refugiados, a educação é uma ferramenta fulcral no que diz respeito à “proteção” das crianças de fenómenos como “o tráfico humano, a exploração laboral e outras formas de escravatura”.

Os cuidados de saúde inscrevem-se, por sua vez, no “direito à vida” e à “dignidade” que cabe a cada ser humano.

“O acesso à educação e aos cuidados de saúde inspiram esperança entre os refugiados e contribuem em muito para restaurar a sua dignidade”, sustentou.

Na delineação do Pacto Global, o Vaticano diz que importa também não esquecer “a assistência às comunidades locais que tão generosamente acolhem” os refugiados, numa visão necessariamente “holística”.

O Pacto Global para os Refugiados teve origem numa declaração assinada por todos os 193 Estados-membros da ONU em 2016, em Nova Iorque.

A intenção das Nações Unidas é estabelecer um conjunto de regras internacionais que facilite o processo de acolhimento e de integração dos refugiados.

Nos últimos dois anos têm-se sucedido os encontros entre responsáveis dos países, com a participação do Vaticano, no sentido de dar uma forma mais específica a esta declaração de intenções.

Têm também sido registadas algumas baixas, em termos dos países que inicialmente subscreveram este Pacto, com destaque para a saída dos Estados Unidos da América.

JCP

Refugiados: Vaticano pede Pacto Global que apoie «verdadeiramente» quem procura apoio internacional

A Plataforma de Apoio aos Refugiados – recebe Prémio do Cidadão Europeu 2017

A Plataforma de Apoio aos Refugiados – recebe Prémio do Cidadão Europeu 2017

A Plataforma de Apoio aos Refugiados e a jornalista do Público Teresa de Sousa foram distinguidos com o Prémio do Cidadão Europeu 2017, anualmente atribuído pelo Parlamento Europeu a promotores da integração europeia e da compreensão entre povos.

Em comunicado, o Parlamento Europeu (PE) justificou a sua escolha sublinhando que a Plataforma de Apoio aos Refugiados (PAR) se destacou “pelo apoio prestado aos refugiados num ambiente de crise na União Europeia, tendo lançado em 2015 uma plataforma que reúne 210 organizações, autoridades e famílias decididas a criar condições para acolher refugiados em Portugal”.

Os proponentes da candidatura da PAR, os eurodeputados Carlos Coelho, Marisa Matias e Sofia Ribeiro, argumentaram que a plataforma “foi capaz de dar uma rápida resposta ao desafio de solidariedade lançado pelas instituições da UE na gestão da crise humanitária”.

Teresa de Sousa, jornalista do diário Público, foi distinguida “pela dedicação profissional às questões europeias e aos assuntos internacionais” que, “ao longo de cerca de 40 anos de carreira, acompanhou com sensibilidade especial”, lê-se no comunicado.

Atribuído desde 2008 pelo PE, o Prémio do Cidadão Europeu 2017 será entregue pela vice-presidente da instituição, Sylvie Guillaume, aos vencedores dos 28 Estados membros da UE, numa cerimónia que decorrerá a 11 e 12 de outubro em Bruxelas. Em Portugal, houve uma cerimónia pública de entrega do galardão, no passado dia 22 de setembro.

Síria: A Paz é possível!

Síria: A Paz é possível!

O Papa Francisco exorta a comunidade internacional a encontrar uma solução para a guerra na Síria como parte da campanha e a Cáritas Portuguesa, como dinamizadora nacional da campanha irá apelar ao Governo Português que participe ativamente em soluções que possam por fim a esta guerra. Este processo de paz não pode ficar apenas nas mãos das grandes potências mundiais, que têm mais interesse em manter o conflito do que encontrar um fim para esta calamidade.

As notícias desumanas que lemos sobre a Síria são alertas do quão importante é unirmo-nos aos nossos irmãos no Médio Oriente para reforçar a mensagem de paz da campanha da Cáritas Internationalis, lançada a 1 de janeiro deste ano, por S. Exc. Mons. Antoine Audo, Bispo de Alepo e Presidente da Cáritas da Síria.

O objetivo da campanha é juntar unir esforços para exigir um cessar-fogo imediato e eficaz, apelando aos governos que se comprometam com uma solução política para terminar o conflito:

1) A Cáritas apela à comunidade internacional a manter o compromisso e a trabalhar ativamente para o processo de paz. Um acordo de paz na Síria enviaria um sinal de esperança aos habitantes de toda a região e a outros países devastados por guerras. 

  • Os governos devem promover e apoiar negociações de paz inclusivas:

o   Um cessar-fogo parcial de imediato e posteriormente um cessar-fogo permanente é uma prioridade para assegurar a proteção da população civil e deveria ser o primeiro objetivo.

o   A Sociedade Civil Síria e a população em geral deveriam participar nas negociações de paz.

o   Deve ser promovida a coexistência pacífica entre comunidades religiosas e étnicas: as minorias religiosas e étnicas são parte integral da sociedade síria. Preservar esta diversidade e a proteção das minorias constituem elementos-chave para a paz.

  • Os governos devem demonstrar coerência entre as suas agendas de política interna e externa, e deveriam evitar contradizer ou minar as respetivas agendas. Devem deixar de vender armas às partes envolvidas no conflito, quebrar o financiamento para que estas possam adquirir armas e terminar qualquer transação comercial que possa financiar a guerra. Enquanto vemos pessoas a passar fome e sem verem satisfeitas as necessidades básicas, grandes quantidades de dinheiro são gastas em armas.
  • Promover cenários para a reconstrução física e social, incluindo medidas para fomentar formas para estabelecer a confiança nas comunidades e o regresso dos refugiados.

2) A Cáritas apela à comunidade internacional para que proporcione ajuda humanitária e a todas as partes envolvidas no conflito a que permitam o acesso à mesma. A comunidade internacional deveria:

  • Apelar a todos os envolvidos no conflito para que respeitem o direito humanitário internacional para proteger a população civil.
  • Garantir a ajuda humanitária e os meios necessários, dentro e fora da Síria, para permitir que as pessoas em áreas afetadas pelo conflito, os deslocados e os refugiados tenham acesso às necessidades básicas como proteção, alimentos, educação e cuidados de saúde.
  • Proteger os grupos mais vulneráveis, incluindo as minorias.

Juntem-se a nós para mostrarmos que sim, na Síria: A Paz é possível!

Visite o site da campanha internacional: http://syria.caritas.org

 

 

Refugiados e migrantes: a força das imagens

Refugiados e migrantes: a força das imagens

Há fotografias que, de alguma forma, contribuíram para mudar a história porque foram capazes de inquietar as consciências, de suscitar a indignação da opinião pública e, por isso, de influir sobre a política.

Não sabemos se as novas imagens de refugiados e imigrantes premiadas com o Pulitzer e que narram a história destes dias difíceis – demasiadas vezes marcados por tragédias, com carcaças marítimas que se afundam, levando atrás dezenas, por vezes centenas de vidas – servirão para convencer os governos do Velho Continente a reabrir as fronteiras, a trabalhar para disponibilizar canais humanitários seguros, oferecendo acolhimento sem fazer muitos cálculos.

Certo é que testemunham até agora diante da história a hipocrisia de uma Europa débil e tudo menos unida. Mas testemunham também como o drama dos refugiados e migrantes permanece central na narrativa do hoje. Não é um acaso que precisamente alguns destes instantâneos – devastadores e todavia capazes de exprimir beleza até na tragédia – se tenham tornado símbolos. Porque nada mais do que uma fotografia consegue expressar a dramaticidade da realidade de crianças, idosos, homens, mulheres em fuga da guerra e da pobreza, situações tão desesperadas que não hesitam em arriscar a sua própria vida.

 

Lesbos, Grécia | Sergey Ponomarev | The New York Times | 16.11.2015 | D.R.pulitzer_20160421_pc_2

A Europa e o mundo inteiro tinham-se comovido diante da fotografia do pequeno Aylan, do seu corpinho sem vida – parecia dormir -, lambido pelas ondas no areal de Bodrum, na Turquia. E dali partiu a primeira tomada de consciência da parte da comunidade internacional do drama que, na quase total indiferença, se estava a consumar no Mediterrâneo. Mas nacionalismos e interesses particulares quase travaram aquele extemporâneo, ainda que importante, movimento de acolhimento.

A Europa, que não tinha brilhado quanto à solidariedade com os países na primeira linha na frente da emergência, deu um posterior passo atrás, chegando a levantar muros aqui e ali, fechando e blindando as fronteiras. Mas que coisa pode parar quem não tem mais nada a perder? Nada. Contam-no outras fotografias tiradas ao longo das fronteiras da rota balcânica. E uma em particular, disparada por Warren Richardson Hope, premiada há alguns meses com o World Press Photo, resgata a força do desespero de quem foge à procura de futuro: de noite, um homem passa a outra pessoa um recém-nascido sob o arame farpado na fronteira entre a Sérvia e a Hungria. Também esta é uma das imagens símbolo daquela que o papa Francisco definiu como a maior catástrofe humanitária desde o fim da II Guerra Mundial.

 

Croácia | Sergey Ponomarev | The New York Times | 18.9.2015 | D.R.pulitzer_20160421_pc_3

 

Imagens a que se vão juntar as de um outro prestigiado reconhecimento jornalístico, o Pulitzer, que premiou as fotografias dos fotojornalistas do “New York Times” e da agência Reuters sobre o drama que se está a consumar no Mediterrâneo e nos Balcãs. O que fez o diário vencer o prémio foram sobretudo as fotografias de Tyler Hicks, Daniel Etter, Mauricio Lima e Sergey Ponomarev. Em particular aquelas sobre uma família síria, os Majid, em fuga da guerra. Lima e Ponomarev acompanharam os Majid durante 40 dias, viajando com eles de comboio, autocarro e barco, e sobretudo a pé.

A equipa fotográfica da Reuters, por seu lado, foi premiada pelas imagens tocantes de embarcações de migrantes em ilhas da Grécia. Fotografias que narram o medo e o sofrimento de uma viagem perigosa e extenuante, a angústia diante de uma cerca de arame farpado controlada pela polícia, mas também as lágrimas de alegria ao chegar a uma praia, a gratidão por uma mão que te salva, a ternura de um abraço a um filho amedrontado. É preciso desejar que no futuro não hajam mais fotografias de refugiados e migrantes a premiar. Porque significaria que se teria encontrado uma solução para o problema. Mas é inútil ter demasiadas ilusões, pelo menos para o futuro imediato. A realidade, infelizmente, continua dramática. Como confirmam as dezenas de fotografias que as agências continuam a enviar diariamente das costas do Mediterrâneo e das fronteiras balcânicas. E que constituem outros tantos atos de acusação à fortaleza Europa.

 

Mauricio Lima | The New York Times | 5.9.2015 | D.R.pulitzer_20160421_pc_4

 

Eslovénia | Sergey Ponomarev | The New York Times | 22.10.2015 | D.R.pulitzer_20160421_pc_5

 

Croácia | Sergey Ponomarev | The New York Times | 18.9.2015 | D.R.pulitzer_20160421_pc_6

 

Budapeste, Hungria | Mauricio Lima |The New York Times | 1.9.2015 | D.R.pulitzer_20160421_pc_7

 

Idomeni, Grécia | Mauricio Lima | The New York Times | 28.11.2015 | D.R.pulitzer_20160421_pc_8

 

Fronteira Macedónia-Grécia | Mauricio Lima | The New York Times | 28.11. 2015 | D.R.pulitzer_20160421_pc_9

 

Sérvia | Mauricio Lima | The New York Times | 30.8.2015 | D.R.pulitzer_20160421_pc_10

 

Macedónia | Mauricio Lima | The New York Times | 21.11.2015 | D.R.pulitzer_20160421_pc_11

 

Lesbos, Grécia | Mauricio Lima | The New York Times | 1.11.2015 | D.R.pulitzer_20160421_pc_12

 

Kos, Grécia | Daniel Etter | The New York Times | 15.8.2015 | D.R.pulitzer_20160421_pc_13

 

Yannis Behrakis | Thomson Reuters | 11.8.2015 | D.R.pulitzer_20160421_pc_14

 

Lesbos, Grécia | Alkis Konstantinidis | Thomson Reuters | 13.9.2015 | D.R.pulitzer_20160421_pc_15

 

Lesbos, Grécia | Yannis Behrakis | Thomson Reuters | 19.10.2015 | D.R.pulitzer_20160421_pc_16

 

Lesbos, Grécia | Yannis Behrakis | Thomson Reuters | 24.9.2015 | D.R.pulitzer_20160421_pc_17

 

Kos, Grécia | Yannis Behrakis | Thomson Reuters | 12.8.2015 | D.R.pulitzer_20160421_pc_18

 

Fronteira Sérvia-Hungria | Bernadett Szabo | Thomson Reuters | 27.8.2015 | D.R.pulitzer_20160421_pc_19

 

Idomeni, Grécia | Yannis Behrakis | Thomson Reuters | 10.9.2015 | D.R.pulitzer_20160421_pc_20

 

Bicske, Hungria | Laszlo Balogh | Thomson Reuters | 3.9.2015 | D.R.pulitzer_20160421_pc_21

 

Fronteira Áustria-Alemanha | Michael Dalder | Thomson Reuters | 20.10.2015 | D.R.pulitzer_20160421_pc_22

 

Lesbos, Grécia | Tyler Hicks | The New York Times | 1.10.2015 | D.R.pulitzer_20160421_pc_30

 

Idomeni, Grécia | Yannis Behrakis | Thomson Reuters | 10.9.2015 | D.R.pulitzer_20160421_23

Gaetano Vallini
In L’Osservatore Romano”, 21.4.2016
Trad.: Rui Jorge Martins
Publicado em 21.04.2016