Mai 11, 2020 | Migrantes, PAR, Recortes, Refugiados
Covid-19: «Há campos de refugiados sem condições básicas de saúde» perante a pandemia – André Costa Jorge (c/ vídeo)
Lisboa, 11 mai 2020 (Ecclesia) – O coordenador da Plataforma Portuguesa de Apoio aos Refugiados (PAR) disse à Agência ECCLESIA há “campos de refugiados sem condições básicas de saúde” e com a pandemia os “refugiados estão mais desprotegidos”.
“O drama humanitário que permanece quanto aos migrantes e o covid poderá afetar os mais vulneráveis e os refugiados poderão estar entre esses, sendo que é necessário medidas de higiene, há campos de refugiados que não têm acesso a água e a cuidados básicos de saúde, estas pessoas estão mais desprotegidas do que qualquer um de nós”, afirmou André Costa Jorge no programa Ecclesia, emitido esta segunda-feira na RTP2.
O coordenador da PAR assume que “esta preocupação com os migrantes” tem sido uma das “grandes bandeiras do Papa Francisco e a Igreja na sua ação global”, mas a preocupação eleva-se ainda mais “perante a emergência em termos de saúde global”.
O Vaticano apresentou um novo documento sobre os deslocados internos, com orientações pastorais aprovadas pelo Papa Francisco, em que denuncia a situação de “invisibilidade” de cerca de 50 milhões de pessoas nesta situação.
“Acolher, Proteger, promover e integrar, este documento traça estas quatro dimensões que mostra as orientações da ação da Igreja; há uma situação global no mundo, que toca a Europa, a crise de refugiados na Grécia, muitos em situação grave no acesso a cuidados básicos e campos sobrelotados”, alerta.
André Costa Jorge explica que a pandemia veio “tornar visível esta questão de saúde”, algo que os responsáveis políticos sabiam”.
Ainda sobre o documento, o responsável sente que traz um grande desafio para as igrejas locais, na “primeira dimensão do acolhimento”.
“Desenvolver a fase do acolhimento, e para isso é necessário que a Igreja se mobilize, este é o grande desafio deste documento, que desafia também as igrejas locais, como é que podemos tornar estes quatro dimensões uma realidade”, afirma.
A PAR propõe que cada comunidade entre em contacto, “mostrando disponibilidade e continuar este diálogo” pois acredita que a “presença dos cristãos junto dos refugiados, para além de fomentar o dialogo inter religioso” é uma forma das comunidades perceberam o seu “papel fundamental nos processos de integração”.
André Costa Jorge referiu ainda “números assustadores” de 50 milhões de pessoas que “permanecem invisíveis”, cinco vezes mais que as pessoas em Portugal” mas acredita que é preciso a interpelação.
“Não nos é pedido que possamos salvar os 50 milhões… o desafio em Igreja é para uma ação que começa no acolhimento e depois estar presente e acompanhar na real integração das pessoas”, refere.
O coordenador da PAR apelou ainda que é necessário “os países europeus atuarem de forma solidária com os campos de refugiados para desanuviar” pois há pessoas ali “que estão há anos em confinamento, e as suas vidas não avança”.
“Como podemos acolher em Portugal? É possível planificar e preparar o acolhimento, não podemos continuamente trabalhar em cima da emergência, é preciso planificar, não poderemos ser surpreendidos nem colocar pessoas em situação que não defendemos”, afirma.
PR/SN
Mai 11, 2020 | Informações, Migrantes, Notícias, Orientações Pastorais, Recortes, Refugiados, Santa Sé
Cidade do Vaticano, 05 mai 2020 (Ecclesia) – O Vaticano apresentou hoje um novo documento sobre os deslocados internos, com orientações pastorais aprovadas pelo Papa Francisco, em que denuncia a situação de “invisibilidade” de cerca de 50 milhões de pessoas nesta situação.
A publicação da secção ‘Migrantes e Refugiados’ do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral (Santa Sé) foi apresentada em conferência de imprensa via streaming, pelo subsecretário deste departamento, o cardeal Michael Czerny.
O responsável destacou, em resposta aos jornalistas, que a pandemia de Covid-19 veio agravar a situação dos deslocados internos, somando-se aos problemas já existentes.
Para o cardeal jesuíta, é um “sinal feliz” que a Igreja Católica esteja a fazer coisas novas, a todos os níveis, para responder à crise pandémica, sem deixar de fazer tudo o que sempre fez.
“É um bom sinal que consigamos assumir este novo desafio”, acrescentou.
O colaborador do Papa espera que os ataques de natureza xenófoba sejam travados pela consciência de que os migrantes são essenciais em trabalhos na área da saúde, agricultura ou atividades comerciais.
“São uma parte essencial da forma como vivemos”, acrescentou.
Neste tempo de pandemia, o vírus não distingue entre os que são importantes e os que são invisíveis, os que estão instalados e os deslocados: todos são vulneráveis, cada infeção é um perigo para todos”.
As orientações agora publicadas pelo Vaticano destinam-se ao reconhecimento das populações que são “obrigadas” a deixar a sua casa e a procurar refúgio dentro do seu próprio território nacional.
O cardeal Michael Czerny pediu que estas pessoas sejam “apoiadas, promovidas e acabem por ser reintegradas, para que possam desempenhar um papel construtivo no seu país, mesmo que causas muito fortes, tanto naturais como causas humanas injustas, os forçaram a sair de casa e a refugiar-se noutro lugar, dentro do seu próprio país”, declarou.

Foto: ACNUR
O padre Fabio Baggio, também subsecretário da secção ‘Migrantes e Refugiados’, explicou que as orientações pastorais se organizam em volta dos quatro verbos com que o Papa tem apresentado a ação da Igreja Católica no campo das migrações: acolher, proteger, promover e integrar.
O responsável destacou a “invisibilidade” dos deslocados internos, a quem falta muitas vezes um “reconhecimento formal” da sua situação e instrumentos internacionais que os defendam.
A conferência de imprensa contou com o testemunho de Amaya Valcárcel, do Serviço Jesuíta aos Refugiados (JRS), presente em 56 países, incluindo Portugal, que falou das “limitações” que as organizações sentem no acesso às populações deslocadas dentro do seu próprio país, “devido a conflitos ou à falta de reconhecimento dos seus direitos e necessidades”, temendo que a crise social e económica provocada pela Covid-19 possa trazer mais dificuldades.
“Os deslocados internos sabem como lavar as mãos, mas não têm acesso a água limpa, nem sequer para beber”, exemplificou.
Amaya Valcárcel falou, em particular, da situação na Síria, Colômbia, Iraque, Burundi, Sudão do Sul, Afeganistão ou Mianmar, com deslocados em “situação crónica de vulnerabilidade”.
OC
https://agencia.ecclesia.pt/portal/migracoes-vaticano-apresenta-documento-sobre-deslocados-internos-vitimas-invisiveis-dos-conflitos-e-catastrofes
Abr 29, 2020 | Dioceses, Migrantes, Recortes
DR
Bragança, 28 Abr 2020 (ECCLESIA) – O projeto «Pontes de Inclusão E7G», “preocupado com a saúde dos seus participantes e suas famílias”, levou a cabo a ação «Gel For All» com o objetivo de fazer chegar frascos de gel desinfetante a uma “grande parte dos participantes do projeto”
Estiveram envolvidas seis entidades da zona de Bragança na concretização desta ação e o projeto «Pontes de Inclusão E7G», para além de ser o “responsável pela iniciativa”, tratou de toda logística de distribuição do gel desinfetante pelas comunidades de etnia dos Formarigos, Rossas e Sarzeda e pelo grupo de imigrantes que estão a estudar na cidade de Bragança e que integram a plataforma «Jovens sem Sofá»”, realça uma nota enviada à Agência ECCLESIA.
A distribuição decorreu nos dias 23 e 24 de abril e foram distribuídos cerca de 250 frasco de Gel com um valor de mercado superior a 1.250€, acompanhados de um folheto sobre as indicações de prevenção do Covid-19, lê-se no comunicado.
LFS
https://agencia.ecclesia.pt/portal/covid-19-instituicoes-de-braganca-promovem-acao-de-solidariedade/
Abr 28, 2020 | Migrantes, Recortes
https://www.vaticannews.va/pt/igreja/news/2020-04/portugal-imigracao-nao-deixar-ninguem-para-tras.html?fbclid=IwAR2fbK27u5g19RBpL4lq9vXgMQwWvjYYYXeLsP-VBz24-gcIZhoVhjOtQSc
Domingos Pinto – Lisboa
“Não deixar ninguém para trás, não nos esquecermos dos mais vulneráveis”.
É desta forma que Eugénia Quaresma, diretora da Obra Católica Portuguesa das Migrações destaca à VATICAN NEWS a medida tomada pelo governo de regularizar todos os estrangeiros que tinham pedido visto de residência até à declaração do estado de emergência, 18 de março.
Ouça e compartilhe!
Uma medida que só é válida durante o regime especial do Governo devido à pandemia da covid-19, uma doença que “atinge a todos e força-nos a trabalhar em conjunto e a procurarmos soluções em conjunto”, diz aquela responsável.
“No fundo é um voto de confiança a estes cidadãos que já estão entre nós e que já contribuem para a nossa sociedade”, sublinha a diretora da OCPM que refere já situações de carência e necessidade, ou seja, pessoas que já procuram as instituições da Igreja (IPSS) “por causa dos alimentos”.
Segundo o despacho governamental, para atestar a sua situação legalizada, são válidos os comprovativos de manifestação de interesse ou o pedido emitido pelas plataformas de registo em uso no SEF; e para os pedidos de concessões ou renovações de autorização de residência, seja do regime geral ou dos regimes excecionais, através de documento comprovativo do agendamento no SEF ou de recibo comprovativo de pedido efetuado.
Os comprovativos referidos são considerados válidos perante todos os serviços públicos, designadamente para obtenção do número de utente, acesso ao Serviço Nacional de Saúde ou a outros direitos de assistência à saúde, acesso às prestações sociais de apoio, celebração de contratos de arrendamento, celebração de contratos de trabalho, abertura de contas bancárias e contratação de serviços públicos essenciais”, uma medida que abrange também os requerentes de asilo.
O Serviço de Estrangeiros e Fronteiras apenas mantém o atendimento presencial para os pedidos considerados urgentes,” ou seja, “cidadãos que comprovem a necessidade urgente e inadiável de se ausentar do território nacional, por motivos imponderáveis e inadiáveis e cidadãos a quem tenham sido furtados, roubados ou extraviados os documentos”.
O atendimento ao público do Gabinete de Asilo e Refugiados mantém-se aberto para a apresentação e registo de novos pedidos de proteção internacional, suspendendo-se os prazos legais nos processos de proteção internacional.
Para os casos de emissão urgente de passaportes, o SEF mantém o funcionamento das lojas do Passaporte do Aeroporto do Porto e de Lisboa, devendo os pedidos ser solicitados através do respetivo centro de contacto ou do endereço eletrónico.
Em relação aos estrangeiros que nunca deram entrada com nenhum processo de regularização no Serviço de Estrangeiros e Fronteiras até ao dia em que foi declarado o estado de emergência, vão ter direito aos cuidados de saúde.
Os imigrantes indocumentados vão poder submeter os pedidos durante o período de estado de emergência, mas não são abrangidos pela medida de regularização de documentação que entrou em vigor em 19 de março.
Abr 28, 2020 | Documentos, Mensagens, Migrantes
A Congregação recebeu com tristeza a notícia da morte do leigo Dr. José Coutinho da Silva, vítima de doença prolongada.
Ele foi responsável, durante vários anos, do Serviço Nacional da Pastoral dos Migrantes da Conferência Episcopal dos Bispos de França.
A este leigo cristão se deve uma grande reflexão teológica e pastoral sobre a igreja no mundo, a partir do testemunho da presença dos leigos migrantes e suas comunidades.
A este cidadão português, de mentalidade aberta e universal, se deve a atenção crescente da Igreja na Europa no acolhimento dos cristãos de várias origens e suas comunidades, na igreja local. Foi membro do Conselho das Conferência Episcopais Europeias (CCEE), entre outros cargos como competente conselheiro.
A ele, à sua família e diocese de origem, nós – missionários scalabrinianos da Europa -devemos uma palavra de gratidão, de louvor a Deus por ter colocado no nosso caminho de serviço aos trabalhadores migrantes, suas famílias e suas associações, este homem-ponte que, inspirado pela fé e esperança em Cristo, abateu muros e preconceitos, iluminou o processo de participação dos leigos migrantes na missão da Igreja, e sofreu, com paciência, a construção de uma Igreja acolhedora e universal.
P. Mauro Lazzarato, cs
– superior regional dos Scalabrinianos na Europa e África

Gosto
Comentar
Comentário
Abr 28, 2020 | Documentos, Mensagens, Migrantes
A igreja em França, no panorama europeu, trilhou um caminho particular e muito próprio no que concerne a pastoral das migrações: o acolhimento, a participação, a integração, a reflexão pastoral e a organização pastoral das comunidades migrantes católicas. José soube integrar-se neste percurso não fácil para um português e não partilhado por outras conferências episcopais, entre as quais se situava a portuguesa. Todavia, ele soube iluminar uma prática pastoral inovadora estabelecendo fecundo diálogo e pontes seguras para o reconhecimento e nova vitalidade missionária das paróquias.
O José da Silva, leigo profundamente consciente das implicações da sua vocação baptismal, emigrante – esposo, pai e trabalhador – que experimentou na pele, com a sua família, as vicissitudes e adversidades da emigração (vivia na diocese de Orléans), militante comprometido nos movimentos eclesiais de base, rodeado, por isso, de outros companheiros sonhadores, em boa hora foi nomeado pelos bispos de França para Director Nacional da Pastoral da Migrações. Um leigo, um estrangeiro, num lugar até então reservado aos franceses, a teólogos e clérigos. Nomeado para animar, organizar e coordenar o serviço da Igreja para com todas as comunidades migrantes de vários continentes e latitudes, e não apenas a portuguesa e lusófona.
Como, missionário scalabriniano, cruzei-me, com ele, em muitos encontros bilaterais entre Portugal e França, fóruns e congressos a nível europeu e mundial. Era um homem sábio, afável, simples, humilde, dialogante e sumamente apaixonado pelo serviço que prestava à Igreja e, por esse facto, admirado e muito solicitado como conselheiro. Comunicava sempre que podia a sua experiência de emigrante que amava partilhar, fosse no Conselho das Conferências Episcopais da Europa (CCEE), fosse nos congressos mundiais das migrações, organizados pelo Vaticano, fosse em encontros mais informais e locais.
Foi uma das figuras de proa no 1º Congresso Mundial das Comunidades Portuguesas, que ajudei a organizar, na cidade do Porto, nos dias 29 a 31 de Março de 2005, para, entre outras efemérides, assinalar o centenário da morte do Beato João B. Scalabrini, de quem José era grande admirador e considerava uma das suas fontes de inspiração relativamente à eclesiologia e profecia no apostolado entre migrantes.
As sinceras condolências da minha comunidade no Luxemburgo à esposa Sofia, filhos e restantes familiares, como também o nosso agradecimento à diocese de ….. por ter dado à Diáspora Portuguesa e ao serviço da Igreja, em favor das Comunidades portuguesas, um filho distinto e exemplar na sua vida, no trabalho e na militância cristã no mundo.
Rui M. da Silva Pedro cs